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Segurança e Cinema!

O sentimento de insegurança assola o povo brasileiro e não é de hoje. Todos estão acostumados a pagar seguro obrigatório dos carros e seguro particular, por exemplo. Os bandidos têm armas melhores e em maior quantidade do que a polícia, que muitas vezes não tem nem coletes à prova de balas. E os policiais recebem salários ridículos para a função que exercem, depois as pessoas reclamam que muitos são corruptos. É brincadeira, não é? O Policial Militar, ao entrar na corporação, recebe um salário de pouco mais de R$ 700,00. Isso significa que a arma de fogo que ele carrega vale mais do que 4 vezes o seu salário, se for uma pistola comum.
Mas o bom exemplo veio de um lugar acostumado ao crime. O Morro do Cruzeiro foi invadido depois que bandidos ameaçaram fazer do Rio de Janeiro um cemitério de carros queimados. Uma associação inédita entre as polícias civil, militar, federal, exército, marinha e aeronáutica fez o que toda força policial faz bem: detém bandidos, até os mata se for necessário. Coibiram o tráfico, apreenderam quase 50 toneladas de drogas, armas incontáveis, carros e motos roubados que dá para fazer leilão. Instalaram Unidades de Polícia Pacificadora nos morros. Pelo menos estão tentando e espero que a paz dure nesses lugares. Os críticos acham que a combinação dessas forças armadas não poderia agir como polícia. Muito bonito falar de longe, dos apartamentos no Leblon no RJ ou dos Jardins aqui em SP. Mas perguntem para um morador da favela se ele prefere a polícia (não a milícia, não confundamos) ou os traficantes de drogas. Pelo que conheço, a maioria prefere a polícia. E a paz que vem junto para a esmagadora maioria de gente de bem que vive nas favelas do Brasil.
Podem dizer o que quiserem mas para mim o grande fenômeno que alavancou essa reação da polícia do estado do Rio de Janeiro foi a excelente recepção do filme Tropa de Elite 2, que mostra a realidade das favelas do ponto de vista da polícia, dos políticos, dos traficantes e das milícias. Nunca na história um filme nacional teve tantos espectadores. Foi o maior público do Brasil no ano, mesmo concorrendo com filmes internacionais. O povo gosta da brincadeira de bandido e mocinho, e sempre torce para o mocinho. Era o aval que as autoridades precisavam para fazer o que fizeram. E estão de parabéns!
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Resistência pela verdade!

É o que significa a palavra satiagraha, usada pela Polícia Federal para batizar uma das mais importantes operações policias dos últimos anos no Brasil. Com certeza não se esperava tantos desdobramentos nesse caso cheio de surpresas. A investigação foi iniciada há quatro anos como consequência das investigações sobre o mensalão e levou para a cadeia o banqueiro Daniel Dantas (Banco Opportunity), Naji Nahas, empresário e Celso Pitta, ex-prefeito de são Paulo, entre outros. Segundo as investigações, vários crimes eram cometidos, entre eles desvio de verbas pública, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e fraudes no mercado de capitais baseadas em informações privilegiadas.
Iniciou-se então um processo interessante e perigoso. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes mandou soltar os acusados. Ficou provado então, com base em novas gravações, que pessoas ligadas a Daniel Dantas e ao seu comando tentaram subornar um delegado da Polícia Federal. Novamente foi preso o acusado e novamente Gilmar Mendes mandou soltá-lo, nitidamente como afirmação de seu cargo. Essa situação provocou um imenso mal-estar entre os magistrados do país, que apoiaram em grande maioria o Juiz Federal Fausto Martin De Sanctis, responsável pelos pedidos de prisão. Juro que gostaria de ver essa disposição no STF para julgar grandes injustiças que acontecem no Brasil, como por exemplo o governo federal não cumprir a constituição em muitos dos seus capítulos
Finalmente, o delegado Protógenes Queiroz, que comandou toda a operação, foi afastado repentinamente do cargo, o que mostra que parte da Polícia Federal ou alguém acima dela precisava que as investigações parassem nesse nível, afinal ninguém desvia dinheiro público sem alguém de dentro da administração pública estar no esquema. Então as investigações estagnaram, pois se elas continuassem encontrariam mais culpados, provavelmente dentro do próprio governo.
Essa operação da Polícia Federal serviu para mostrar várias facetas das pessoas nesse país: ainda há pessoas interessadas na verdade e na justiça; ainda há pessoas que não estão interessadas na verdade e justiça, fazendo de tudo para se livrar das próprias culpas; ricos quando são presos pela polícia são soltos pelo presidente do STF, enquanto pobres quando são presos sob qualquer acusação apodrecem na cadeia. Não consigo ver esse país de forma diferente: somos uma nau que deixou o porto com dois graus de erro nos cálculos de rota e navega há mais de 500 anos em rota cada vez mais errada. Se o leme não for virado para o lado certo, jamais voltaremos para o caminho que nos levará à construção de um país no mínimo digno. Porque pensar em justiça hoje acho que é pedir demais.
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Justiça, justiça.

Falar de justiça é necessário nesses dias. Ou na falta dela. Três eventos serão relatados aqui, apesar de um deles ter sido objeto de outra postagem. Mas comecemos do início.
Chamou minha atenção dois casos envolvendo juízas no Brasil, uma do Rio de Janeiro e outra da Bahia. Uma delas foi promovida enquanto outra será processada, e por esse motivo ambas viraram notícia essa semana.
A juíza promovida (por antiguidade no cargo) é acusada de vender sentenças e de envolvimento com o tráfico de drogas. Em 2001, julgou o caso de traficantes, presos pela Polícia Federal, que mandavam cocaína para a europa em fundos falsos de caixas de frutas. Todos foram inocentados pela Juíza Olga Regina Guimarães. A PF tem gravações dela e do marido discutindo os antecedentes criminais do traficante Gustavo Durán Bautista (preso em flagrante no mês passado, no Uruguai, com 485 quilos de cocaína), assim como os valores da negociação. Tem também provas de suas visitas à casa dele em São Paulo.
A outra juíza, Mônica L. F. Machado, será processada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por ter montado o escritório na calçada do Fórum de Madureira e ter trabalhado atendendo comissários responsáveis pela fiscalização das casas noturnas da cidade. Ela pediu autorização para trabalhar depois das 21:00 horas, pois tinha planejado uma blitz contra casas noturnas que permitem a entrada de menores (ela é juíza da Vara da infância e da Juventude), o que foi negado pelo próprio Tribunal de Justiça, alegando falta de segurança. Sem querer ser chato, não adianta ela trabalhar em horário normal se as casas são noturnas. E se não havia segurança, o que faziam os dois policiais ao lado da mesa? O presidente do TJ, Murta Ribeiro, a acusou de insubordinação e de comportamento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro das funções.
Trocando em muídos: a juíza acusada de envolvimento com o tráfico de drogas é promovida e a juíza que queria "apenas" cumprir suas funções trabalhando será processada, podendo até mesmo perder o emprego. O que mais chama a atenção é a justificativa do presidente do TJ. Trabalhar agora é comportamento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro das funções para um juiz. Fico imaginando que tipo de juiz é esse tal de Murta. Não fica difícil de entender porque até o judiciário, antes respeitado, hoje não é mais levado a sério pela população.
E o terceiro caso? Apesar de não ser novidade (leiam a postagem anterior "Cassação? É piada?"), gostaria novamente de parabenizar o presidente do Senado, Renan Calheiros, pela absolvição. O Senado Federal brasileiro nunca mais será respeitado. Parabéns também aos asseclas de Lula, que tanto trabalharam para que isso ocorresse. Justiça? No Brasil, depende da conta bancária do sujeito, da importância política que ele tem para o governo ou pelos processos que ele tem nas costas por ter agido contra a lei. Ela só funciona para os pobres (quando réus, é claro!), para os sem importância (os eleitores, óbvio!) ou para os trabalhadores, como a juíza de Madureira. Um viva aos podres poderes do Brasil !!!
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Enquanto isso, no Senado...

Parece que não estou mesmo conseguindo fugir do assunto nesses dias. É que é inevitável exemplificar hoje como me sinto com relação ao nosso nobre ex-senador da república, Joaquim Roriz. Na quarta-feira, dia 04, ele renunciou ao seu mandato apenas seis meses depois de assumí-lo. Tendo sido flagrado em escutas telefônicas da Polícia Federal, não tinha como escapar do processo que poderia tirar seus direitos políticos por vários anos. Para não correr esse risco, preferiu renunciar, mantendo a sua elegibilidade. Mas parece que crimes foram cometidos, espero que sejam investigados.

Temo que fique por aí. Não que ficar de fora dos "negócios" do senado não seja uma grande punição. No entanto, não consigo entender do que o ex-senador tem medo. No discurso que ele interpretou na semana passada, ele alegava ter apenas pedido um empréstimo a um amigo. Posso estar enganado, mas isso, se comprovado, não seria o suficiente para a dita "quebra do decoro parlamentar". Como bem diz minha mãe, quem não deve...
Realmente é para lamentar.

Enquanto isso, o presidente da casa e seus aliados continuam com manobras para evitar que o processo por quebra de decoro parlamentar siga adiante. O presidente é acusado de ter contas pessoais pagas por um "lobista", de uma grande construtora. Enquanto fica na cadeira da presidência e defende-se da forma que pode, apenas uma coisa está garantida: a imagem do Senado Federal nunca mais será a mesma. O povo pode até continuar a eleger pessoas desse tipo. No entanto, credibilidade o Senado Federal jamais terá como antes. Bom trabalho, senadores.

P.S. Não tem fotos de propósito, caro leitor. Não mais farei propaganda dessas pessoas.
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A dura vida da polícia federal!

A Polícia Federal brasileira ultimamente anda destoando dos outros órgãos públicos de repressão ao crime. Com seguidas operações, já conseguiu desmontar esquemas, eliminar fraudes e prender muita gente, inclusive pessoas importantes. Na última demantelou um esquema de vendas de sentenças no Superior Tribunal de Justiça, acusando (com provas) o Ministro Paulo Medina. Grandes esquemas no Brasil significam grandes roubos ao dinheiro público, ou seja, nosso dinheiro. Em casos como esse, não é o dinheiro que está em jogo, mas a credibilidade de uma instituição que deveria ser um símbolo da isenção e do respeito pelas leis.
Quando pessoas importantes são presas ou ao menos investigadas, volto a ter uma pequena esperança com relação ao Brasil. Mas sabemos que no "país do jeitinho", em se propinando tudo dá. Desde uma multa de trânsito que deixa de ser aplicada por se "molhar a mão" do guarda até venda de sentenças por juízes e ministros.
Nesse contexto, fico realmente abismado que ninguém tenha tentado ainda "cortar as asinhas" da PF, que tenta devolver um pouco de dignidade ao Brasil, levando para a cadeia não só os pequenos mas também os grandes criminosos.
Vê-se os resultados das operações, que levam meses de planejamento, escutas, gravações e investigações. Tudo dentro do rigor da lei para que as provas tenham validade em um tribunal. Então, com o dever cumprido, investigações concluídas e envolvidos presos, policiais federais podem sair e beber uma cerveja com os amigos, como todo mundo, para comemorar. Enquanto isso, na mesa do lado, advogados e acusados comemoram o habeas corpus conseguido que garante ao acusado o direito de responder ao processo em liberdade. Garante também o direito ao esquecimento. Depois de alguns dias, tudo volta ao normal, policiais na rotina de investigar enquanto quem devia estar preso volta às ruas, às empresas, aos tribunais. Todo o trabalho de meses ou anos jogado no lixo. É dura a vida do policial federal no Brasil!
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Pense!

"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

Sobre o autor!

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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