Feudo Brasil!
Começou bem...
Agora todas as operações financeiras estarão sujeitas a uma carga de impostos muito maior e todas as tarifas bancárias irão aumentar. Ou seja, o povo vai continuar pagando a CPMF, agora com outro nome, mas com uma diferença: vai pagar muito mais caro por ela. Ou o governo acha que bancos e financeiras não vão repassar esses aumentos para o consumidor? Se eles acreditarem mesmo nisso...bom, não vou nem discutir, eles sabem que os aumentos serão repassados e estão pouco se importando com isso.
Sem contar ainda que a perda da CPMF vai virar desculpa para que qualquer projeto seja parado, por falta de verbas. Como se o sistema de saúde recebesse investimentos! E dizer "certamente, as pessoas que votaram contra [a CPMF] não usam o SUS. Se usassem o SUS, eles não votariam contra" apenas demonstra a falta de conhecimento do presidente. O SUS nunca funcionou, com ou sem imposto. Não faz diferença!
O belo discurso presidencial em que ele afirmou que não haveria aumento de impostos, elogiado até por adversários políticos, foi por terra quando o ministro Guido Mantega anunciou o pacote econômico e, ironicamente, disse que os acordos que se referiam a não aumentar impostos eram relativos ao ano de 2007. Alguém deve ter dito que a piada era boa, que ele era engraçado e o pobre coitado acreditou. Mas os palhaços de verdade não estão rindo, porque vão ter de pagar a conta. De novo.
Aumentar impostos eles sabem, mas fazer uma reforma tributária está fora dos planos, certo? Infelizmente, as consequências desses atos não serão boas para a economia. Ao cobrar mais impostos, a quantidade de financiamentos deve cair, desacelerando a economia e a indústria. Ruim para o povo, ruim para o governo, bom para a oposição (ano eleitoral, lembram?). E para quem acreditar que o podre partido governamental e seus cúmplices irão mesmo reduzir gastos públicos, eu tenho um ótimo terreno na LUA para vender. E o corretor é o Papai Noel.
O fim da CPMF e a infantilidade política brasileira.
Nos últimos meses acompanhamos pela mídia grandes discussões sobre a prorrogação ou não da malfadada Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeira, a CPMF. Não há dúvidas de que a CPMF era um imposto diferenciado, uma vez que se cobrava uma porcentagem das movimentações realizadas em bancos ao invés de uma taxa fixa. Nenhum outro imposto cobrado no Brasil (e são muitos!) tinha essa característica.
Mas o que se assistiu não foi exatamente uma disputa ideológica, com a oposição e o governo discutindo a melhor forma de fazer o bem da coletividade brasileira. A discussão ficou como um pano de fundo, enquanto o governo oferecia cargos e liberações de verbas para que aliados e oposicionistas votassem a favor da prorrogação. Já a oposição se fechou em uma concha, se negando a discutir se o fim da CPMF seria um bem para o país e agiu como de praxe, em nome da derrota do governo, não importando as conseqüências desse ato. Tanto assim que governadores tucanos como Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP), possíveis candidatos à Presidência da República repudiaram os atos da bancada do próprio partido no Senado Federal, de olho nos R$40 bilhões a menos no orçamento.
Durante as discussões algumas coisas ficaram claras: senadores governistas, principalmente de partidos menores iam à mídia se dizerem “desprestigiados”, o que claramente indicava que queriam mais alguma coisa para votar a favor do governo. Enquanto isso os senadores oposicionistas se articulavam para “dar uma lição” no governo do PT. Não é necessário dizer que as discussões foram políticas e pouco importava se a população seria beneficiada ou não, apenas que lado da infantil divisão política brasileira seria beneficiado.
A CPMF foi derrubada por um número mínimo de votos a menos do que o necessário (apenas quatro), decretando o fim de sua cobrança oficial. Isso não significa que as cobranças embutidas nos produtos e serviços (quem você achava que pagava por essa CPMF?) serão retiradas, o que significa mais lucro para produtores e comerciantes. E o infantil presidente ainda diz que era um imposto justo, apenas porque era cobrada uma pequena porcentagem da movimentação financeira. Esquece-se ele que era um imposto acumulativo, cobrado em cascata e que os mais pobres não tinham como se defender disso, ao contrário dos ricos, que tinham várias possibilidades de isenções, como as dadas às movimentações financeiras realizadas na Bovespa. Isso é só para dar um exemplo.
Toda essa discussão foi realizada com propósitos pessoais. Deputados e senadores governistas se venderam o mais caro que puderam cobrar pela aprovação, enquanto seus colegas da oposição (os que não caíram em tentação, é claro!) mostraram força e união, desde que fosse para o benefício próprio, de alguma forma. Na negociação, todos absolveriam o ex-presidente do Senado, desde que ele renunciasse. Foi feito. Os que negociaram o seu voto receberão seus benefícios, pagos (óbvio!) com o dinheiro do povo. E enquanto o governo chora a perda da arrecadação da CPMF, comemora os recordes de arrecadação em outros impostos. A oposição comemora a sua vitória e a derrota do governo, enquanto o PMDB elege o novo presidente da casa. Nada foi perdido de verdade, apenas a vergonha dos políticos.
E a saúde para a população? Continua exatamente como antes da CPMF, dos governos “democráticos”, da ditadura, de JK, de Getúlio, de Dom Pedro I: a mesma porcaria de sempre!
São tantas emoções...
Depois de muito refletir, cheguei à conclusão de que foi melhor mesmo não ter tempo. Se eu falasse tudo o que penso sobre alguns desses acontecimentos, correria o sério risco de ser processado. E como tenho o "péssimo hábito" de falar a verdade, advinhem quem iria se dar mal nesses processos.
Mas deixando de lado a política, o acontecimento que mais me marcou nesse ultimo mês foi sem dúvida a morte do grande ator Paulo Autran. Não por ser ser ator, uma grande personalidade ou um mau exemplo para as gerações mais jovens (era um fumante incorrigível, tendo morrido em decorrência desse hábito). Era uma grande pessoa, excelente exemplo para aqueles que estão na fase de decidir o que fazer da vida, como meus alunos vestibulandos. Advogado de formação e ator por toda a vida, mostrava a todos que a escolha da profissão deve vir, antes de tudo, do coração. Gostar do que vai fazer é essencial para a vida profissional, o que reflete e muito na vida pessoal. Grande exemplo de dedicação, personalidade e amor à profissão.
Talvez nossos políticos pudessem aprender algo com alguém que levou tão a sério a sua profissão, que preferiu a liberdade dos palcos de teatro a se vender por qualquer papel na tv. A maior lição? De alguns brasileiros nos envergonhamos, de outros nos orgulhamos. E todos sabemos de que lado estava Paulo Autran. Aos familiares os meus pêsames e de todos os brasileiros, com certeza.
P.S. Não se assustem, caros leitores, com as iniciais em minúscula de algumas palavras, como "senado" e "palácio do planalto". Não respeito o suficiente essas intituições a ponto de escrever seus nomes começando com letra maiúscula. Prefiro cometer o erro gramatical.
A CPMF e a saúde(?) no Brasil.
Fazendo um breve histórico, essa cobrança nasce como o Imposto sobre movimentações financeiras, o IPMF, em 1993. Seu objetivo era aumentar a arrecadação pelo período de crise que o país vivia (alíquota era de 0,25%) e durou até 1994. Depois de breve recesso, voltou a ser cobrada, já como CPMF no ano de 1997, com alíquota de 20%, e arrecadação destinada a aumentar os investimentos na saúde. Nunca mais deixou de ser cobrada. Em 1999, foi prorrogada por mais três anos, com alíquota de 0,38% no primeiro ano e 0,30% nos demais. A intenção era custear também a Previdência Social. Em 2001, a alíquota sobe novamente para o,38%, sendo que os 0,08% seriam destinados ao Fundo de Erradicação da Pobreza. Foi previsto nesse ano que em 2004 a taxa seria reduzida para o,o8% no total. Em 2004, ao invés do que foi previsto, a CPMF foi novamente instituída, com a alíquota de o,38% e previsão de encerramento da cobrança em 2007.
Sempre que quetiono o pagamento de um imposto, não é por que sou chato ou quero reduzir meus gastos pessoais. Mas acho absurdo o fato dessa contribuição / imposto ser cobrada há mais de dez anos e simplesmente não melhorar nada na saúde da população. Além de seu efeito cascata, ou seja, é cobrado várias vezes sobre um mesmo montante de dinheiro, não é cobrado em grandes transações bancárias e não chega a seu destino final. Será que o governo do PT não tem vergonha de propor a continuidade dessa cobrança? E o pessoal do PSDB fica como nessa história, já que foram eles que institucionalizaram a CPMF?
Essa cobrança nunca foi para melhorar a saúde, afinal, nunca foi a intenção dos governos melhorar a saúde do povo. Se não fosse assim, o governo não teria cortado R$ 5,7 bilhões (14,1%) do orçamento da saúde para esse ano. Quanto mais morrerem, menos aposentados para pagar aposentadoria, não é mesmo? Esse dinheiro, como tudo no Brasil, será utilizado em negociatas, propinas e outras coisas fora da lei, como sempre. Será agora que entra o slogan "Sou brasileiro e não desisto nunca" ou "Brasil, um país de todos"? Ao invés disso sou mais propenso a aceitar o pensamento de um Senador da República do Brasil que explica muito do que acontece por aqui:
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."









