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Propaganda eleitoral

Vendo as propagandas eleitorais na TV (sim, gente, eu faço essas cagadas de vez em quando), tive a nítida impressão de morar em outro país. O partido da oposição descreveu Cuba, o Haiti ou até mesmo a Bolívia, de tão ruim que está a situação. Já o partido do governo, não sei bem porque, estava descrevendo algum país nórdico, como a Noruega, ou então o Canadá ou até mesmo a Austrália, de tão boa que está a situação.

Por morar na periferia de São Paulo e saber que a coisa está mais para ruim do que para boa, lembrei de uma música do grupo Câmbio Negro, de Brasília, chamada "Esse é o meu país", que faz uma crítica bem inteligente de vários aspectos da nossa sociedade. Segue a letra, do disco de 1998, mas que me fez lembrar em muitos aspectos as propagandas eleitorais do partideco do "homi".

"Igualdade racial, social, negro e branco tratado de igual para igual
Boas escolas, analfabetismo inexistente, saúde em alta, bons hospitais, atendimento eficiente
Mortalidade infantil há muito eliminada, pobreza não se vê foi erradicada
Criminalidade cai 90%, todos têm moradia, ninguém ao relento
Policiais educados, segundo grau completo, recebem salário digno, equipamento moderno
Não abusam do poder, não há brutalidade, admirados por todos da comunidade
Honestidade na política admirável, mulheres no governo, com certeza invejável
Tratadas como se deve, com o respeito devido, não mais como cadelas e sim como indivíduo
Vários negros no senado, trabalho reconhecido, anos de faculdade, lugar ao sol merecido
Vendemos tecnologia para o mundo todo, cientistas brasileiros sempre sempre no topo
Recebem prêmios e prêmios no exterior, criam o mais completo computador

Aqui é o nosso país, Brasil primeiro mundo todo mundo feliz
Esse é o meu país, primeiro mundo Brasil todo mundo feliz

Segurança no trânsito, crianças sempre sorrindo, prêmio Nobel dado a um físico nordestino
Atletas inigualáveis, apoio total do governo, escolas de atletismo pelo país inteiro
Idosos têm seus direito assegurados, aposentadoria nunca atrasa, bem remunerados
Na universal ninguém é enganado, pastores não roubam ninguém são uns pobres coitados
Voz do Brasil programa de qualidade, no Brasil todo uma unanimidade
Sempre atual, diversificado, eficiente, anos e anos na ativa, sempre competente
Rap nacional bastante difundido, letras inteligentes, trampo decente, bem produzido
Não se confunde liberdade de expressão com desacato, espaço garantido artistas de fato
Vários discos de ouro, reconhecimento, população bem informada respeita o movimento
Levados a sério, objetivos alcançados, povo da periferia não é mais humilhado."
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Os 15 anos do Real e os governos do Brasil.

Nesse mês de Julho o Plano Real completou 15 anos. Esse plano possibilitou aos brasileiros uma até então inédita estabilidade econômica, além de promover Fernando Henrique Cardoso, de ministro de Itamar Franco, a Presidente da República.
Desde então o Brasil vive no mais profundo neoliberalismo e tudo o que isso significa, privatizações de empresas estatais, abertura de mercado para produtos estrangeiros e empresas transnacionais, política de juros favoráveis às exportações em detrimento das importações, entre outros fatores.
Os governos que passaram no Brasil em nível federal agarraram-se às políticas econômicas neoliberais como se ela fossem a única forma sustentável de crescimento. Depois da estabilidade que a nova moeda e as políticas econômicas proporcionaram ao Brasil, o país tinha de escolher a forma como iria querer crescer. "Escolheu" o jeito que o FMI impunha aos países que tinham muitas dívidas para com eles. E se deu mal. Outros países, como a China e a Índia escolheram outros caminhos e cresceram muito mais do que nós. Não se pode negar que a economia melhorou, muitas pessoas saíram da classe mais baixa e se tornaram classe média e muitos deixaram de ser miseráveis. Mas também não se pode dizer que o país melhorou, como afirmam os marketeiros do partideco.
A estabilidade econômica possibilitou o crescimento da arrecadação fiscal em todos os níveis, fazendo com que os recordes se sucedessem desde então. Ainda assim, todo esse dinheiro não refletiu na melhoria da educação, saúde, transporte e infraestrutura como um todo. Pelo contrário, a maioria desses serviços piorou enormemente, como é fácil de se verificar na educação. Eu mesmo sou fruto de uma educação pública que, se não era a melhor do mundo, me formou um ser pensante e crítico, graças a alguns excelentes professores que tive. Hoje podemos ver, sem fazer muita forço, alunos de escola pública que chegam ao 9º ano sem saber ler e escrever direito. E saem da escola, quando concluem o ensino médio, analfabetos funcionais em sua maioria.
Como já diria nosso presidente molusco, nunca na história desse país se arrecadou tanto. E nunca se roubou tanto dinheiro público como nesses anos da dobradinha psdb-pt, que são farinha do mesmo saco. A única diferença que vejo é que o psdb não se vende como diferente, enquanto o pt se diz cordeiro mesmo sendo o lobo disfarçado. E mentem tanto para si mesmos que acreditam que são diferentes. Todas as falcatruas foram herdadas pelo pt, que não deve ter inventado nenhuma delas. Mas que eles se aproveitaram isso é inegável. E como o Lula sabe distribuir elogios, críticas e dinheiro público como ninguém, a sua popularidade só aumenta, em especial entre os ricos que ele tanto criticava quando era pobre.
Toda essa popularidade, que FHC nunca teve, possibilita ao atual governo fazer coisas antes inimagináveis, como assumir que é corrupto, protegendo culpados de crimes comprovados em nome da "governabilidade". Somente em um país de corruptos e corruptíveis, onde a honestidade é a exceção, isso seria possível. Portanto não adianta reclamar: o Plano Real, filho da equipe econômica de Itamar Franco, passou para FHC, que o usou para fazer o que bem quis no país, incluindo mudar a constituição para se reeleger. E o Lula, essa metamorfose ambulante, que além de mudar de classe social e de postura, agora se alia aos corruptos que antes criticava para continuar mamando nas tetas do governo. E tudo isso com os frutos de um plano econômico que podia ter transformado o Brasil no país do futuro que sempre sonhamos. Ao invés disso o país mostrou a sua verdadeira cara, de pessoas sem escrúpulos, algumas delas administrando o país. E as eleições do ano que vem nos mostram que tudo isso pode piorar, basta ver os principais candidatos do pleito. No fim, estamos perdidos e pagamos caros por isso. Antes eu achava que nada mudaria por causa da doce ignorância do povo. Hoje sei que nada mudará, mas por causa da má índole da maioria do povo, que aprova a corrupção desse governo. Vivemos no país do "rouba mas faz". E nada mudará isso. Absolutamente nada.
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Vergonha é para quem tem!

Muitos sabem que em muitos aspectos eu gostaria de falar menos de política e mais de coisas boas nesse blog. Mas ultimamente tem sido praticamente impossível passar batido por tantas e tantas que nosso povo e nossos políticos fazem. Isso me obriga a, mais uma vez, falar de política. Não que eu tenha falado pouco disso nesse espaço.
Passados alguns dias fora de São Paulo, volto a me ater às notícias e vejo novamente um país fadado ao fracasso por causa das atitudes da nossa classe política e da falta de atitude de nosso povo omisso, para não dizer corrupto. É claro que o centro de todas as atenções é o governo Lula, do pt, seus asseclas e toda a corja que o mantém no poder e na vida pública. Mas ele está longe de estar sozinho.
Vejo no noticiário um presidente do senado dar graças a Deus pelo recesso parlamentar, que adia por um mês as explicações diárias que os meios de comunicação cobram dele. E se diz injustiçado e perseguido pela imprensa, que não é santa, mas que o expõe como nunca tinha sido feito. Ainda assim ele é apoiado incondicionalmente pelo partideco do governo federal, a mando do seu "poderoso chefão". Vergonha das coisas que fez? Acredito que tenha mais vergonha das coisas que não fez, leia-se se locupletar mais ainda do dinheiro público.
O próprio presidente da república, que é uma vergonha ambulante, subiu em palanque para fazer discurso eleitoral, elogiou o Collor e o Renan Calheiros, defendeu o Sarney, obrigou o partideco a apoiá-lo no senado e ainda chamou os seus adversários nessa casa de pizzaiolos, o que muito ofendeu a classe de trabalhadores desse ramo de negócios. Como está com a popularidade em alta com o povão, pode se dar ao luxo de falar as merdas que quiser, o que dificilmente afetará a sua imagem. Em país de corruptos é assim mesmo: quem tem o controle da verba pública é rei. E deve ser bajulado.
Essa lição o pessoal da União Nacional dos Estudantes aprendeu direitinho. Tendo recebido mais verbas do governo Lula do que em toda a sua história, a UNE se rendeu: defendeu o Lula, criticou abertamente a CPI da Petrobrás, defendeu o Renan, enfim, o que o governo mandar a UNE faz, o que é uma vergonha, pois um dia essa foi uma entidade respeitada.
Trocando em miúdos: o presidente da república não tem vergonha de vender o corpo e a alma, fazendo acordos com qualquer um para fazer a sua sucessora (parece até que tem algo a esconder, não?); o presidente do senado não vergonha nenhuma de fazer suas falcatruas, dizer que não sabia de nada (clássico, também) e sair das acusações sem nenhum arranhão; o partideco do governo não tem vergonha de fazer tudo que for possível para se manter no poder; a dita "sociedade civil organizada", exemplificada pela UNE, não tem vergonha de se vender e apoiar políticos corruptos e roubo do dinheiro público se o seu pedaço do bolo for um pouquinho maior do que o de costume; e o povo brasileiro, o que dizer dele? Apóia incondicionalmente o pivô de todo o roubo, desvio de verbas públicas, corrupção e ladroagem do país, na figura de seu presidente da república. É obvio que ele vai dizer o bolsa-família é mal visto por quem tem dinheiro, afinal isso fica bonito na campanha eleitoral que ele anda fazendo, apesar de ser proibido. O que ele não diz é que repassa apenas 1% da arrecadação de impostos do país em benefício do povo e o resto é usado como fonte de renda para sua administração de malfeitores, para pagar mensalão, financiar as campanhas caríssimas de seu partideco, entre outras coisas.
Para não dizer que não há ninguém aqui com vergonha, respondo por mim: eu tenho vergonha! De ser brasileiro.
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Eleições: novidade (quase) nenhuma

Terminadas as eleições municipais posso voltar a falar de política. Tenho o hábito de gostar de falar de política, mas depois das eleições, pois soa menos falso. Apenas para reiterar que mais ou menos previ que iriam para o segundo turno das eleições Marta Suplicy (PT-SP) e Gilberto Kassab (DEM-SP). Foi uma eleição no mínimo surpreendente, afinal o candidato vencedor era o terceiro na disputa eleitoral no início do pleito. E a candidata derrotada no segundo turno tinha altos índices nas pesquisas, que não se confirmaram em nenhum dos turnos. Ao que parece, fez valer o seu índice de rejeição, o maior entre os candidatos à prefeitura de São Paulo.
Mas outras coisas podem ser retiradas dessa eleição: na cidade de São Paulo, o PT foi novamente derrotado (as duas com a Marta), sendo que em uma delas controlava a máquina da prefeitura, seus vínculos, contratos e dinheiro. E agora foi derrotada por um político desconhecido do grande público, o que faz com que a posição do partido fique ainda mais instável por aqui. No resto do país a história é bem diferente.
Para o Democratas essa foi uma grande vitória, aliás a única vitória, uma vez que esta é a única prefeitura que controla no país. Mas o mais importante foi a vitória indireta do governador do estado de São Paulo, José Serra, "padrinho político" de Kassab. A posição de Serra se fortalece com a eleição de seu sucessor, numa proporção inversa ao declínio do PT. E como a disputa interna do PSDB promete ser tão intensa quanto as prévias do partido democrata nos EUA (Obama x Hillary), essa eleição pode ser um peso na balança a favor de Serra e contra Aécio Neves (PSDB- MG).
O jogo do poder está novamente mexido, com diferenciais interessantes. E o que está em risco, para mim, não é a disputa presidencial e sim quem será o candidato do PSDB, provável futuro presidente da república. A marca eleitoral mais forte que fica é uma tendência que, espero, se confirme: em muitos lugares o Lula não transfere votos. De novo ficamos entre a cruz e a espada e sou obrigado a dizer que entre o PSDB e o PT o Brasil e seu povo mereciam coisa melhor. Muito melhor.
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Curtas! na campanha eleitoral!

Assistimos mais um vez às campanhas eleitorais, em que mais uma vez o atual controlador do cabresto tenta ficar no poder enquanto outros tentam tomar-lhe das mãos as rédeas que controlam os rumos das pessoas, cidades e o dinheiro desse país. Fico cada vez mais impressionado com a desconexão que existe entre a cidade que vejo e a das propagandas, assim como as próprias propagandas que não enxergam a relidade e dizem o que precisam, ou seja, qualquer coisa, para alcançar o troféu. É estarrecedor!

Cidades maravilhosas

No caso de São Paulo, cidade em que moro e da qual posso falar com liberdade e conhecimento, vemos que alguns candidatos já tiveram cargos públicos, de prefeito ou de governador. Todos descrevem a cidade tal qual a deixaram e as melhorias que fizeram, o quanto as pessoas eram mais felizes enquanto elas estavam no poder. Um dia, juro para vocês, vou conseguir morar numa dessas cidades descritas pelos candidatos e candidatas. Claro que os meus vizinhos serão a Branca de Neve, com seus sete anões de um lado e Timão e Pumba do outro. Essas cidades, sinceramente, só existiram nos sonhos e fantasias alucinados dos candidatos (e de seus marketeiros).

Desobrigações da Prefeitura

Muitos dos candidatos à prefeitura prometem melhorar a segurança, aumentando o número de guardas civis e criando observatórios de segurança pública ou ainda construir mais quilômetros de Metrô. Esquecem-se que essas são obrigações do governo do estado de São Paulo e NÃO da prefeitura. São apenas promessas vagas, que soam bonito na TV. Mas não tem nada de concreto. Toda construção de Metrô tem de passar obrigatoriamente pelas mãos de José Serra.

Marta

Líder das pesquisas eleitorais, tem uma campanha absolutamente descolada da realidade. Fala que a tual gestão é um marasmo, quando na verdade a lei Cidade Limpa foi um verdadeiro quebra-pau, isso só para dar um exemplo. Não teve competência para se reeleger mesmo usando e abusando da máquina pública e agora para se garantir usa música da campanha do Lula, coloca o Lula falando dela, diz que vai fazer parceria com o Lula. Quem vai administrar a cidade ela ou o Lula? E quando o Lula sair do poder? Não teve e não tem competência, por isso vive agora uma campanha parasita. "O Lula concorre e eu ganho" devia ser o lema de campanha do PT.

Kassab

Vive agora um dos momentos políticos mais importantes da sua vida. Desconhecido quando assumiu o poder deixado por José Serra, passou agora com coligações importantes a fazer bonito na campanha. Provavelmente irá para o segundo turno com a Marta e entre os dois, PT e PFL, quer dizer, Democratas, sinceramente acho que São Paulo merecia coisa melhor.

Maluf

É impressionante como certas pessoas não desistem. Acho realmente que se faz muito dinheiro numa campanha política, então ele continua sendo candidato Ad Eternum. Nem vale a pena comentar as promessas estapafúrdias de sempre e a negação dos quase 150 processos que tomou na cabeça (nenhum deu em nada, claro!). Maluf é religião. Quem é crente votaria nele até para substituir Jesus Cristo como filho de Deus nas igrejas por aí. Não dá.

Alckmim

Mais uma vez a candidatura do PSDB deixa a desejar. Com um candidato que não tem empatia com o público e sem os votos garantidos do interior que sempre elegem esse partido para o governo do estado, a campanha está naufragando. Não deve mesmo ir para o segundo turno, não porque o partido não tenha força, mas porque as forças ficaram divididas em São Paulo. E o Kassab ficou com a maior parte delas.

Soninha

De todos, a única candidata que todos sabem o defeito. Não escodê-lo de ninguém já é um grande feito. Além do mais, tem feito uma campanha de esclarecimentos para a população que outros jamais fariam. Está prestando um grande serviço mas não tem um partido forte nem teria apoio na câmara de vereadores. Naquele ninho de cobras fariam de tudo para acabar com uma boa administração dela. Nada pessoal. Fariam isso com qualquer pessoa de boa índole que tentasse entrar na política. Espero ansiosamente pelo livro que contará os podres da câmara de vereadores, prometido na campanha.

No mais, o show de horrores de sempre. Candidatos bizarros a vereador e até a prefeito. Textos lidos por vários candidatos de um mesmo partido. E campanhas baseadas num passado eleitoral em que quanto mais se mexe, mais fede. Nada mudará, mesmo que mudem os nomes. E novamente perpetuaremos o projeto de administração pública que privilegia o partido, não o povo. E o pior é que são partidos que só sabem brincar de "o meu é maior que o seu", nada mais. Sequer entraram no pré-primário da política. Estamos alguns séculos atrasados na história. Um dia chegaremos à Idade Média. Um dia...
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O TSE e o ano eleitoral.

"Você que votou em quem venceu as eleições de 2006, presidente, senadores, governadores, deputados federal e estadual, está satisfeito? Está de olho neles? Você é o responsável pelo país que somos. O Brasil é tão bom quanto o voto que você colocou na urna. O candidato que você elegeu é você lá. Olho nele."

Assim começa mais um ano eleitoral, com a campanha Olho Nele, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É bem verdade que as propagandas já circulavam no final do ano passado, mas agora se tornam mais significativas. Interessante notar o jogo de palavras utilizado, com frases cuidadosamente montadas para manipular as pessoas, passando uma visão irreal das coisas. Podem até dizer que sou louco, que é coisa da minha cabeça. Mas analisemos a frase: ela começa com "você que votou em quem venceu as eleições..." Será mesmo que só quem votou nos vencedores tem o direito a participar das discussões políticas com os eleitos? Ao que parece, para o TSE, a resposta é sim.

Intrigas a parte, o que o TSE afirma é que apenas quem votou nos eleitos pode cobrar alguma coisa desses políticos. Assim, aqueles que não votaram ficam isentos da responsabilidade, o que parece bastante tentador para grande parte do povo. O TSE continua perguntando se o eleitor está satisfeito, se está de olho nos candidatos. No entanto, a grande maioria da população não tem acesso a meios reais de cobrança em caso de insatisfação, uma vez que os políticos só descem dos seus pedestais quando há novas eleições e eles precisam novamente seduzir, chantagear e enganar o povo com suas promessas jamais cumpridas.

Mais para frente a campanha alega que "você é o responsável pelo país que somos", como se o eleitor pudesse se responsabilizar pelos atos de outra pessoa, no caso eleita para um cargo representativo. Muitas vezes nos enganamos com as pessoas, em várias situações, como no trabalho, no amor, na escola. Porque seria diferente com os políticos? Ter votado em alguém não faz de mim cúmplice se esse alguém se tornar um bandido.

"O Brasil é tão bom quanto o voto que você colocou na urna" joga a responsabilidade do estado lastimável em que vive a maioria da população nela mesma. Apesar de ter culpa, os mais pobres não têm culpa sozinhos. E "o candidato que você elegeu é você lá" também mostra para a população algo que digo em minhas aulas já há algum tempo: os políticos não são os representantes eleitos pelo povo, eles são os representantes do povo, são o que o povo é. E o TSE joga isso na cara de todos, com um "se o seu político rouba, ele é você lá". Logo, você faz parte do esquema.

Essa campanha infeliz do TSE tem como objetivo manipular as pessoas, ligando-as de alguma forma a seus candidatos eleitos e fazendo com que haja alguma identificação entre eleitor e eleito, na tentativa de barrar o aumento do número de pessoas que anulam seus votos, por descrédito na política. Mas é claro que só funciona se a quantidade de pessoas for pequena, então faz-se uma campanha dizendo que só a minoria dos eleitores pode cobrar dos políticos. Já imaginaram se os 127 milhões de eleitores desse país resolvessem tomar uma atitude e cobrar do governo federal, por exemplo, o que será feito com os R$ 537,161 bilhões* recolhidos em impostos e contribuições federais em 2007? Creio que não seria agradável para o governo.

Mas o ano está só começando, e será um ano rápido: carnaval, olimpíadas, campanhas eleitorais, Natal. Espero ter mais coisas a comemorar no final desse ano do que tive no que acabou há pouco.

*Total contabilizado até o mês de Novembro.

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Pense!

"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

Sobre o autor!

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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