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Eleições!

As eleições desse ano comprovaram mais uma vez algumas coisas: Primeiro que o número de pessoas que não vota é simplesmente assustador, pois são aqueles que não acreditam que o voto direto, quem diria, faz alguma diferença. Mas ultimamente, as abstenções têm servido bem as partidos políticos mais corruptos e aproveitadores. Não é à toa que os maiores partidos do Brasil são hoje o PT, o PMDB e o PSDB, tudo farinha do mesmo saco. Eu diria mais, que se algum membro de qualquer partido político hoje pisar em um monte de estrume vai ser difícil definir o que é o que para separar.
Esses partidos, que receberam quase 200 milhões de reais do governo federal em 2009 só por existirem, aprenderam a utilizar eleitores burros para eleger políticos corruptos e o que é melhor, fizeram as pessoas acreditarem que isso era um voto de protesto. Por esse motivo ninguém olha quem está "na boca" para um cargo de deputado por trás dos votos do Tiririca. E considerando o tanto de votos que esse tipo de candidato recebeu, já sabemos que a grande maioria dos eleitores brasileiros se enquadra na categoria de "Analfabeto Político", do Bertold Brecht. Se você, querido leitor, procurar no blog vai achar esse poema.
Outra coisa que as eleições deixaram clara com esse tipo de candidato é que ninguém precisa mesmo preparo nenhum para ser político, pelo menos no Brasil. É palhaço, dançarina de funk, estilista, ex-ministra da casa civil. Sem comentários. Esses eleitores elegeram o pior dos piores possível para administrar a Zona Brasilis. Depois reclamam do aumento da passagem de ônibus, da volta da CPMF ou do Zé Dirceu. Não dá para entender.
A classe política nunca esteve tão eclética, hoje tem de tudo. O que não mudou foi a eleição de gente que está mais suja que pau de galinheiro, que não deveria nem participar das eleições. Participaram, mas não sabiam se iam poder tomar posse. Tudo por causa de uma tal lei de iniciativa popular, muito bem sucedida, a Lei da Ficha Limpa. Mas se o Maluf vai assumir o mandato, convenhamos, a lei não vale nada. E ainda serviu para nos mostrar que o Supremo Tribunal Federal é um ninho de urubus, que estão mais preocupados com a vaidade do que com os problemas reais do país. Não resolveram absolutamente nada, postergando ou jogando a responsabilidade para outros. A competência por lá está impressionando.
Agora é torcer. Esses infelizes que tomam posse no ano que chega já sabem com que tipo de pessoa estão lidando no país: pessoas absolutamente despreparadas para a vida em sociedade. Eu costumava dizer que "o gato que nunca comeu melado quando come se lambuza" para o governo Lula, que acaba daqui a pouco. Agora eles já comeram, lambuzaram e querem mais. E terão mais. às custas dos idiotas que trabalham mais da metade do ano para pagar impostos para que o país faça dos ricos ainda mais ricos, a classe média um pouco mais pobre, os pobres um pouco melhores e os miseráveis sejam alçados às maravilhas do consumo. Sou chato, eu sei. Mas nenhum número do governo sobrevive ao teste da realidade. Façam o teste, como eu fiz em 2010: visite uma escola pública, um hospital público, ande de ônibus, mas nas periferias das cidades. Todo o castelo de cartas se desmancha.
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Análise fria dos números!

Terminadas as eleições 2010 posso começar a colocar no blog as análises e os resultados, que venho preparando há algum tempo. Isso foi possível pois algumas coisas foram bastante previsíveis, outras nem tanto. A maioria não apresentou nenhuma novidadade.

Vou começar pela análise dos números, puros e simples. Na campanha presidencial, a realização do segundo turno não era esperada, pelo menos para os institutos de pesquisa. É claro que houve uma resposta clara do eleitorado que não aceita o modelo de gestão do PSDB, representado por Serra e tampouco aceita o modelo do PT, representado por Dilma. Assim, Marina recebeu quase 20 milhões de votos e ajudou indiretamente Serra a ir para o segundo turno. Nesse pleito, deu o esperado: margem de aproximadamente 12% a mais para a candidata do PT à presidência, sendo assim eleita.

O governo fazer o seu sucessor não é nenhuma novidade no Brasil, assim como não seria se não o fizesse. O que me intriga e me leva ao questionamento é: na última pesquisa Ibope sobre o governo Lula, 83% responderam bom ou ótimo; Dilma, no entanto, teve 56% dos votos válidos. Isso significa que 27% daqueles que acham Lula bom ou ótimo não acham Dilma boa o suficiente? É uma boa questão.

Outra constatação a se fazer é que a abstenção foi ridiculamente grande. Em um país em que há quase 136 milhões de eleitores, quase 2,5 milhões votaram em branco, quase 5 milhões anularam seu voto e quase 30 milhões simplesmente não votaram. Somados, são mais de 36 milhões de eleitores que não acreditam em nenhum dos candidatos ou que não acham que votar para presidente seja mais importante do que curtir um feriado prolongado. Para comparação, Serra obteve cerca de 43 milhões de votos, pouco mais de 7 milhões de votos a mais. E a abstenção não foi tão diferente assim do primeiro turno, quando tivemos cerca de 101 milhões de votos válidos, enquanto no segundo turno o número foi de cerca de 99 milhões. Nem colocar a culpa no feriado podemos.

Para os governos estaduais, o que hoje é a oposição (PSDB e DEM) saiu vitoriosa por administrar 10 dos estados mais importantes economicamente o país e com mais de 52% do eleitorado. O PT ficou com 5 estados, o PMDB com mais 5 e o PSB foi o partido mais fortalecido, tendo sido base de apoio do governo, ficou com 6 estados. Mas quando comparada a uma análise do Congresso e do Senado, a oposição perdeu espaço, tendo sua importância bastante reduzida. Isso significa que o governo eleito terá maioria no Senado e Câmara dos Deputados para passar todas as suas propostas, uma maioria absoluta como nem mesmo Lula teve em seus dois mandatos.

No mais, a grande novidade foi a eleição de uma mulher para o cargo máximo do país, algo inédito na história do Brasil. Mas a realidade não deixou de ser a mesma para as candidatas no Brasil: pouco espaço, obrigatório por lei (30% dos candidatos de todos os partidos tem de ser mulheres) e pouca projeção. Basta contar o número de candidatas a governos estaduais e ver os resultados: 25 governadores eleitos contra 2 governadoras. Para o Senado, a mesma coisa: dos 54 eleitos, 8 mulheres e 46 homens. A mesma lógica se segue para os cargos de deputadas. Mas creio que esse seja um quadro a ser mudado, afinal a qualificação feminina tem avançado muito nas últimas décadas para combater os baixos salários e o preconceito, enquanto a qualificação masculina está em queda. Por outro lado a eleição de uma mulher para a presidência da República pode interferir diretamente nesse caso, positivamente.

Depois da análise dos números virão os comentários. Mas cada coisa a seu tempo.
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O que o pt pensa de Marina.

Não gosto do PT. Creio que isso já tenha ficado óbvio para meus alunos e leitores mais assíduos. Portanto não temos novidades nesse ponto. O primeiro turno das eleições já passou e teremos agora o segundo turno de votações, o que representa uma grande derrota para o chefe da quadrilha que governa o país. Lula queria ter ganho no primeiro turno, coisa que ele mesmo nunca conseguiu. Achou que isso era possível pois assim mostravam as pesquisas encomendadas que sempre demonstram aquilo que o contratante quer ver como resultado. Não funcionou.
E não funcionou por causa de um fantasma do passado do partido dos trombadinhas: Marina Silva. Com quase 20 milhões de votos, eleitores decontentes com a forma corrupta e falta de ética desse partido votaram em Marina, que se configurou em uma alternativa viável por ter saída do pt e por representar uma parcela da população preocupada com os problemas do meio ambiente, bandeira que Marina Silva mais defende. Para ficar clara a intenção desta postagem, fico com o ditado popular "Peixe morre pela boca" para mostrar o que o pt e seus asseclas pensam de Marina Silva. Agora querem o apoio dela, pedem que seus eleitores votem em Dilma. Veremos o resultado. O texto a seguir foi retirado do blog da Dilma, "o maior portal da Dilma na internet", feito e comentado pelos seguidores da máfia.

Marina Silva, a traíra.
Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o presidente Lula. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que, disfarçadamente, alegraram-se com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Ela alimentava esperanças de que o presidente Lula a escolhesse para ser sua sucessora, e quando percebeu que não seria a escolhida deu o bote tal qual uma cascavel. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo. Não seria capaz de entender a importância das descobertas no Pré-Sal pela Petrobras, nem conseguiria atribuir tais riquezas ao povo. Marina Silva, é óbvio, não vai para o segundo turno, mas vai para o colo do Serra /PSDB/DEM, que ela combateu nos 30 anos em que esteve no PT. Marina mostra que não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder por despeito e vingança. Está se vingando do presidente Lula porque não a escolheu, pouco se lhe dá prejudicar o país e milhões de brasileiros, desde que alcance seu seu objetivo de vingança. Marina é muito religiosa, ligada à Assembléia de Deus, mas não é nenhuma santa. É apenas uma traíra.
Jussara Seixas.

Por via das dúvida, achei melhor colocar o endereço do cache da página, afinal depois do resultado das eleições presidenciais, os votos da "traíra" se tornaram vitais para evitar uma derrota, que torço para que aconteça. Não por morrer de amores por Serra e psdb. Mas para evitar a continuidade de um projeto que está no poder há oito anos se preparando para transformar o país em um berço do comunismo diferenciado, que chega ao poder não pela força, mas pelas urnas. Explicações na próxima postagem. Segue o link (obviamente se você entrar no blog hoje não vai encontrar o texto, caro eleitor):
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:MFWMHNdlAKYJ:blogdadilma.blog.br/2010/09/marina-silva-a-traira-2.html
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Propaganda eleitoral

Vendo as propagandas eleitorais na TV (sim, gente, eu faço essas cagadas de vez em quando), tive a nítida impressão de morar em outro país. O partido da oposição descreveu Cuba, o Haiti ou até mesmo a Bolívia, de tão ruim que está a situação. Já o partido do governo, não sei bem porque, estava descrevendo algum país nórdico, como a Noruega, ou então o Canadá ou até mesmo a Austrália, de tão boa que está a situação.

Por morar na periferia de São Paulo e saber que a coisa está mais para ruim do que para boa, lembrei de uma música do grupo Câmbio Negro, de Brasília, chamada "Esse é o meu país", que faz uma crítica bem inteligente de vários aspectos da nossa sociedade. Segue a letra, do disco de 1998, mas que me fez lembrar em muitos aspectos as propagandas eleitorais do partideco do "homi".

"Igualdade racial, social, negro e branco tratado de igual para igual
Boas escolas, analfabetismo inexistente, saúde em alta, bons hospitais, atendimento eficiente
Mortalidade infantil há muito eliminada, pobreza não se vê foi erradicada
Criminalidade cai 90%, todos têm moradia, ninguém ao relento
Policiais educados, segundo grau completo, recebem salário digno, equipamento moderno
Não abusam do poder, não há brutalidade, admirados por todos da comunidade
Honestidade na política admirável, mulheres no governo, com certeza invejável
Tratadas como se deve, com o respeito devido, não mais como cadelas e sim como indivíduo
Vários negros no senado, trabalho reconhecido, anos de faculdade, lugar ao sol merecido
Vendemos tecnologia para o mundo todo, cientistas brasileiros sempre sempre no topo
Recebem prêmios e prêmios no exterior, criam o mais completo computador

Aqui é o nosso país, Brasil primeiro mundo todo mundo feliz
Esse é o meu país, primeiro mundo Brasil todo mundo feliz

Segurança no trânsito, crianças sempre sorrindo, prêmio Nobel dado a um físico nordestino
Atletas inigualáveis, apoio total do governo, escolas de atletismo pelo país inteiro
Idosos têm seus direito assegurados, aposentadoria nunca atrasa, bem remunerados
Na universal ninguém é enganado, pastores não roubam ninguém são uns pobres coitados
Voz do Brasil programa de qualidade, no Brasil todo uma unanimidade
Sempre atual, diversificado, eficiente, anos e anos na ativa, sempre competente
Rap nacional bastante difundido, letras inteligentes, trampo decente, bem produzido
Não se confunde liberdade de expressão com desacato, espaço garantido artistas de fato
Vários discos de ouro, reconhecimento, população bem informada respeita o movimento
Levados a sério, objetivos alcançados, povo da periferia não é mais humilhado."
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A democracia passou longe...

Sempre me preocupei com a situação política do país, principalmente quando comecei a ter noção do quanto manipulados somos enquanto cidadãos e principalmente como eleitores. Mas acredito que posso dizer que o Brasil nunca esteve nas mãos de gente mais ordinária do que hoje. Posso vir a me arrepender do que vou escrever aqui, não por ter escrito mas porque as coisas sempre podem piorar.
Corrupção no Brasil não é novidade. Ela existe por aqui desde o dia em que o primeiro português aqui aportou e só não vou dizer que existia antes porque não estudei de verdade a história dos povos indígenas que aqui viviam antes da ocupação portuguesa. Nos reinados, governos provisórios e definitivos, períodos democráticos e de excessão ela sempre esteve lá, no centro do poder. A corrupção faz parte do Brasil assim como o coração faz parte do corpo humano e desempenha aqui função de igual importância: se for retirado o corpo morre.
Mas antes do partido dos trabalhadores chegar ao poder os políticos ainda tinham vergonha de nos roubar, faziam tudo às escondidas. Mas como a popularidade do Lula lhe permite desrespeitar as leis de todas as formas possíveis e imagináveis e, o que é mais interessante, zombar das leis e daqueles que tentam cumprí-las. Temos então a maior autoridade do poder executivo que não cumpre leis, desrespeita leis e zomba delas. Belo exemplo. O que fazem seus ministros, os deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores e uma grande quantidade de servidores públicos? O mesmo. A partir do exemplo que vem de cima as leis no Brasil passaram a ser uma piada de mau gosto que ninguém precisa cumprir, pois o presidente não cumpre e não é punido.
Tomar o poder era necessário e como não foi à força (Dilma Roussef, conhecida como guerrilheira Dulce Maria que o diga) inventaram um partido político para isso. Depois de muita insistência o Lula se tornou o agente de transformação do país, o "Lulinha paz e amor". Fizeram tudo o que foi necessário para enganar os eleitores e chegar ao poder. Conseguiram.
Para um partido que se dizia democrático, diferente, o pt mostrou a que veio. Ao chegar ao poder colocou em funcionamento o plano de dominar politicamente o país e se perpetuar no poder, transformando o país em uma espécie de subsede de Moscou na América Latina. Como esse papel já cabia a Hugo Chávez, Lula se contentou em ser "o cara". Pôs em prática a cartilha comunista e seus planos de eternização no poder: não cumpriu as promessas de companha, pois elas nunca poderiam ser cumpridas; aumentou a distribuição de dinheiro no país, gastando pouquíssimo dinheiro com o Bolsa-família e bilhões para enriquecer mais e mais as elites econômicas do Brasil, como os donos de universidades particulares (prouni) e instituições financeiras, especialmente os bancos que nunca lucraram tanto; se dizia democrático enquanto se mantinha com apoio político dos coronéis que ele sempre criticou; manteve a política econômica de seu antecessor enquanto se dizia o inventor do sistema; fez a imagem de populista enquanto enchia os bolsos de seus partidários, banqueiros e industriais com o dinheiro público; se diz legalista mas só defendeu os fora-da-lei; comprou e silenciou todos os sindicatos e lideranças estudantis com muito dinheiro de impostos. Essa pessoa é uma vergonha. Seus comparsas são uma vergonha. Os que se beneficiaram de tanto roubo são uma vergonha. Os quase 80% da população que aprovam o seu governo são uma vergonha.
Lula impôs ao seu partido o candidato que ele quis. Não houve disputa interna, todos abaixaram a orelha para o novo coronel da política brasileira. E só fez isso porque uma parte da população e dos congressistas não aceitou a tentativa do seu partido de mudar a constituição para permitir que ele se candidatasse de novo. Dois anos atrás ele começou a companha política pela eleição para presidência da república, antecipando ilegalmente as discussões sobre sucessão. Várias vezes tentou mudar a lei para calar a imprensa na cobertura dos fatos, como no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos. Como não conseguiu calar a imprensa livre, passou a gastar mais em propaganda do governo, chegando hoje a mais de 38 milhões de reais acima do limite previsto pela lei eleitoral. Sobe em palanques e faz campanha descarada pela ex-ministra Dilma Roussef e quando é multado zomba da justiça e do valor das multas. E continua a campanha, afinal já disse que o maior objetivo do seu governo é eleger a sua sucessora. Com tantos problemas na área social, sempre acreditei que as prioridades do governo deveriam ser a saúde, a educação, o emprego. Mas a meta desse governo é eleger o próximo.
Os oito anos de governo federal do pt são, sem sombra de dúvida, a maior mácula que esse país já sofreu na sua história. É a infeliz oportunidade que foi dada a uma quadrilha para tomar conta de um país e essa quadrilha fez de tudo e ainda fará muito para permanecer no poder. A podridão que seus membros representa me faz repensar a vergonha que há muito tempo declaro ter do Brasil. Tudo aquilo que o pt representa hoje me dá nojo de ser brasileiro como eles; me dá ânsia pensar que tais seres podem continuar administrando o dinheiro e as vidas das pessoas; me dá ainda mais vergonha do país pois o povo prefere continuar fingindo que não vê; me dá medo pensar que não existem partidos diferentes por aí, afinal são eles que decidem como vive e morre o brasileiro.
Não sei o resultado das urnas no final do ano. Nem sei se quero arriscar um palpite. O que sei é que, ao sair do governo, Lula levará consigo a pouca decência, a pouca vergonha e o pouco respeito que um dia os políticos desse país tiveram. E estarão enterradas junto com seu governo todas as tentativas de tornar esse um país digno para se viver. A história desse país acabou.
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E qual é a desculpa mesmo?

Não é nenhuma novidade que a educação de São Paulo não funciona. Posso aqui falar abertamente desse sistema educacional vigente, pois me formei em 1995 na escola pública e de lá para cá as coisas não melhoraram muito, pelo contrário, elas têm piorado. Hoje, como professor, vejo as consequências desse sistema educacional que foi feito, planejado para não funcionar. Não quero soar repetitivo, já falei disso antes. Mas o objetivo desse sistema é formar analfabetos funcionais pelo país inteiro, pois eles serão os eleitores desinformados de amanhã. E esse tipo de eleitor é muito mais fácil de escravizar.
Uma das grandes críticas que se faz ao sistema político brasileiro é o fato de que as administrações que se sucedem são de partidos diferentes e que tudo começa do zero, pois um partido não continua a obra do outro para não fazer propaganda para ele. Mudam-se nomes das obras e projetos, secretários e ministros para enganar o povo e dizer que aquilo é uma coisa nova, mesmo não sendo.
Pois bem, se o grande problema do Brasil é a sequência política para que medidas implementadas não sejam paradas na metade da execução, o que dizer da educação estadual em São Paulo? Desde que me formei, apenas governadores de um mesmo partido governaram o estado: Mario Covas (de 1995 a 2001, quando morreu); Geraldo Alckmin (2001 a 2006); e José Serra, de 2007 até abril de 2010, sendo substituído por seu vice, Alberto Goldman, também do PSDB, para que Serra concorra à presidência da República.
A desculpa da descontinuidade não existe em São Paulo. E se considerarmos que antes de Covas tivemos Fleury e Orestes Quércia (PMDB, hoje base de apoio ao PSDB em São Paulo) e Franco Montoro (PMDB, depois fundador do PSDB) teremos então uma sequência de pelo menos 27 anos com um mesmo tipo de pensamento administrativo no estado. E a educação não melhorou em nada.
Nas propagandas políticas desse ano veremos o candidato José Serra falar das mudanças na educação, da introdução de mais um professor na sala de aula do Ensino Fundamental I, do programa de recompensas das escolas e professores por desempenho, entre outras coisas. Não leciono no estado, não posso dizer que vivo esse processo de perto. Mas a grande maioria dos professores que conheço e não conheço criticam enormemente esses programas, especialmente a Progressão Continuada, em que o aluno é aprovado por presença na escola, não importando o nível de conhecimento adquirido e rendimento escolar, e as bonificações por aprovação, que fazem com que os alunos sejam aprovados mesmo sem conhecimento pois a sua reprovação faz com que professores e escolas percam dinheiro. Somados, esses dois programas erradicaram quase por completo as chances dos alunos aprenderem algo na escola. Por isso o nível escolar diminui e as escolas formam cada vez mais analfabetos funcionais. Se não fosse a determinação de muitos professores altamente capacitados que insistem em lecionar no estado as escola pública sequer abririam as portas.
Outra consequencia, essa menos falada, é que muitos dos alunos formados nesse sistema hoje são pais de alunos completamente despreparados para cobrar das autoridades escolares aquilo que nem eles mesmos tiveram na escola. Não sabem o que cobrar da escola, dos professores, dos deputados, do governador. Não estão preparados para as discussões políticas, portanto não estão aptos a duvidar do sistema.
Alguns desses ex-alunos conseguem ascensão social e conseguem pagar escolas particulares para dar aos filhos a educação formal que não tiveram. Isso até é louvável, mas uma parte desses pais se soma a outros, oriundos de escolas particulares, que também estão despreparados para as discussões políticas e escolares. Vêem tudo pela ótica econômica do capitalismo, onde o fiho é cliente, não aluno, e a escola é investimento econômico resgatável em um ano, ou seja, não importa quanto o filho aprendeu, mas se ele passou de ano. Como muitas escolas particulares aceitam esse jogo e vendem diplomas, o nível educacional das escolas particulares também vêm caindo.
Em suma, praticamente todo o sistema educacional de São Paulo está viciado em formar analfabetos funcionais. Poucas são as ilhas de excelência que resistem a esse mar de sujeira que está imposto aos alunos de escolas que não ensinam, onde alunos não aprendem e se tornam cidadãos (será que se tornam?) muito menos informados de seus direitos e com menores chances no mercado de trabalho por sua pouca qualificação. Basicamente esta é a plataforma eleitoral defendida por José Serra e o PSDB para a educação nas próximas eleições à presidência da República, em 2010.
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Bom humor nas eleições!

Não é de hoje que as eleições no Brasil são motivo de piada. Já há muito tempo os políticos tiram o sarro da nossa cara fazendo campanha, distribuindo "santinhos", dando camisetas e bolsas-esmola. Depois de eleitos riem da cara dos inocentes, quero dizer, eleitores, que os permitiram novamente estar no topo da cadeia criminal brasileira, ou seja, nos cargos públicos eletivos.
Mas a recíproca também foi verdadeira um dia. Quando ainda havia liberdade para que nós, eleitores, pudéssemos decidir em quem votar, dois grandes exemplos de democracia participativa foram dados, o primeiro em São Paulo e o último no Rio de Janeiro.
Em 1958, o jornalista Itaboraí Martins propôs a candidatura do rinoceronte Cacareco, emprestado do estado do Rio de Janeiro para a inauguração do Zoológico de São Paulo. Era uma forma de protestar contra o baixo nível dos candidatos a vereador em São Paulo. O resultado foi uma alta adesão popular à candidatura, gente fazendo companha e mais ou menos 100 mil votos. O primeiro rinoceronte eleito vereador em São Paulo teve mais votos do que qualquer partido que tenha disputado aquelas eleições e ficou em segundo lugar, perdendo para um candidato que recebeu pouco mais de 110 mil votos. Rinoceronte bom de papo, não?
Na mesma linha, o pessoal do Casseta e Planeta lançou o Macaco Tião como candidato não-oficial à Prefeitura do Rio de Janeiro em 1988. Da mesma forma que em São Paulo, a candidatura "pegou" e o candidato primata teve mais de 400 mil votos, ficando em terceiro lugar na disputa eleitoral. Vale lembrar que quando essas duas façanhas aconteceram, não existia a urna eletrônica, portanto ainda era possível escrever o nome do candidato em quem o eleitor queria votar. Democrático esse sistema. Agora nem brincadeiras podemos fazer, a não ser que tenhamos idéias originais com números para mandar mensagens subliminares para os políticos...51 pode ser uma boa idéia (desde que a pessoa não vá dirigir um carro ou o país depois), 69 (creio que não necessita explicações mais detalhadas), 13 (número de azar em muitos países e culturas, principalmente no Brasil), 66 (o número do coisa-ruim) e por aí vai.
O problema não está em um jornalista ou um grupo de humoristas lançar a candidatura de algum animal caricato. Nos casos citados acima, o máximo que os políticos de cada época conseguiram dizer foi que não iriam se pronunciar. Afinal, dizer o que de um rinoceronte eleito vereador e um macaco com mais de 400 mil votos? O problema hoje é que os políticos resolveram brincar de humoristas e começaram a lançar eles mesmos os seus candidatos caricatos. Na minha opinião, todos os candidatos à presidência no Brasil não têm o apelo eleitoral que deveriam para se tornarem presidente desse circo. Mas pelo menos a Marina Silva tem uma história de vida interessante e o José Serra faz as suas cagadas por conta própria. O partideco dos trombadinhas, por falta de opção, lançou a candidatura da sua caricatura, mistura de macaco Tião e pinóquio, para tentar quebrar o tabu de nunca termos tido uma mulher eleita presidente do Brasil. Tudo bem que se o Lula apontasse para um barbeador descartável e o impusesse como candidato para seu partideco, ele seria aceito. E as pessoas, por mais incrível que pareça, votariam nele por representar aquilo que o povo brasileiro faz como eleitor (e o Pelé já dizia!): esse povo NÃO SABE VOTAR! Espero que ainda haja sã consciência suficiente no país para que o povo não se deixe levar novamente por esses humoristas, hoje disfarçados de partido político. Até porque nem o rinoceronte Cacareco nem o macaco Tião poderiam tomar posse, já o barbeador descartável do pt...
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Enfim, política novamente!

Como já diria o poeta, "para não dizer que não falei de flores"... grande Geraldo Vandré. Na verdade, é para não dizer que fui parcial e poupei um dos pré-candidatos à presidência da república do Brasil, José Serra.
Se Lula continua em sua magistral campanha pela eleição de Dilma, o agora ex-governador de São Paulo também fez das suas. Antes de largar osso, quer dizer, o governo do estado, ele inaugurou obras sem conclusão e fez discursos, mesmo negando que fosse campanha antecipada. Mais um caso clássico de roto falando do mal passado, ou seja, pt falando mal do psdb e vice-versa. Será que eles não se cansam de tanta falsidade de pensamentos? Por que não admitem logo que são as duas faces de uma mesma moeda? Tentam de tantas formas se mostrarem diferentes que acabam sendo exatamente o mesmo. E seja o que for que isso represente, definitivamente não é disso que o país precisa. Honestidade? Isso não existe na política, especialmente em ano eleitoral.
Não que seja a primeira vez que o ex-governador faz coisa parecida. Ao ser eleito prefeito de São Paulo, garantiu em documento reconhecido em cartório que não abandonaria a prefeitura para concorrer ao estado. Abandonou. Agora abandona o estado para concorrer à presidência da república. Ao que parece, ele enxerga a política como uma escada, em que cada vez se pode ir mais alto. Com esse tipo de pensamento, o que fazer depois da presidência? E se for eleito pretende administrar o país como se administra uma união de estudantes, assim como o Lula administrou o país como se administrasse um sindicato?
Nos últimos dezesseis anos o país tem sido desgovernado por esses dois partidos. Fizeram de tudo um pouco para que o objetivo final fosse alcançado: a permanência no poder. Como eu já disse antes, nenhum partido político brasileiro tem projetos para o desenvolvimento do país, apenas os seus projetos político-partidários de chegar ao poder e se manter por lá o máximo possível. Não fizeram nesse tempo todo o que o país precisava: as reformas políticas, eleitorais, judiciária e outras tantas que são tanto necessárias para a administração de um país como o ar para o ser humano viver. Mas reformas sempre colocam em risco os projetos de poder eterno desses partidos, tanto que uma iniciativa popular de projeto de lei, que propunha que políticos com ficha suja na justiça não pudessem ser candidatos foi demolida no congresso. Já imaginaram políticos corruptos sendo processados e não podendo se esconder atrás da im(p)unidade parlamentar, respondendo a crimes na justiça comum e indo para a cadeia junto com os criminosos pés-de-chinelo brasileiros? Talvez seja melhor evitar... já imaginaram o que ladrões de banco, traficantes e estupradores aprenderiam com políticos? Se tornariam profissionais.
Agora, com as cartas na mesa e os candidatos lançados (pelo menos Dilma, Serra e Marina estão garantidos no páreo), começa a luta ferrenha por votos. Os dois principais partidos a concorrer à presidência da república tentam desesperadamente se manter no jogo, o psdb tentando efetivar a política do café com leite e o pt tentando quebrá-la. Cartas na mesa, os políticos dos dois partidos tentarão se mostrar diferentes apesar de terem mais semelhanças do que diferenças. Basta lembrar que os dois últimos presidentes, Lula e FHC, têm de diferente apenas e tão somente o tempo. FHC fez as mudanças iniciadas no governo Fernando Collor e seguidas por Itamar Franco. Por menos que ele goste, ele colocou o modelo neoliberal para funcionar de verdade no Brasil. Lula não fez por menos, aprendeu que para se eleger e para governar precisava vender a alma ao diabo, ou seja, precisava fazer alianças políticas. Cada vez mais se tornou aquilo que um dia julgou ser o mais sujo que a política brasileira já tinha produzido. Posso dizer que, se um político desse tipo hoje pisar em um monte de estrume, vai ser difícil separar as duas coisas.
Ninguém é santo nessa corrida presidencial. Todos têm seus esqueletos no armário e vai ganhar a eleição quem melhor expor os dos outros e esconder os seus próprios. Novamente veremos insultos, obras inacabadas de parte a parte e um país de contos de fadas criado por cada lado, no qual vivem duendes e fadas, longe da nossa realidade. E no final estarão juntos, derrotados e vencedores, rindo da cara dos bobinhos-da-xuxa que acreditaram que eles eram diferentes e votaram em um ou outro para tentar mudar o país. O povo quer que o país mude para melhor, isso é verdade. Aí os partidos políticos perguntam: "melhor para qual de nós?"
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Quem segura o rei?

Nos últimos meses temos visto na mídia em geral um grande movimento de denúncias dos atos secretos do senado brasileiro. Não que seja alguma novidade, é claro. Mas quanto mais próximos de uma eleição chegamos, mais pornográficas se tornam as denúncias.
Não se pode dizer abertamente que o pt esteja fazendo campanha para Dilma, afinal ela e o Lula só estão fazendo campanha em palanques, fazendo discursos e falando sobre as realizações do governo atual. Para eles, isso não é campanha presidencial. Da mesma forma, o psdb não afirma estar em camapnha, apesar de todas as propagandas do governo do estado de São Paulo serem direcionadas à todo o público nacional. Desconfio que essas propagandas políticas estejam passando em outros estados da federação, mas é só um palpite.
Quem nós podemos afirmar que está em campanha eleitoral é a grande puta, o pmdb. Como quem paga mais leva, a disputa começou cedo pelo apoio deles às candidaturas petista e tucana. Apesar de tudo, o pmdb sabe que as probabilidades de Dilma ganhar são grandes, basta que o Lula consiga repassar os seus votos para ela. E o Serra, convenhamos, não tem muito a cara de um presidente eleito pelos votos do nordeste, que vota em quem o Lula mandar (cabresto eleitoral eletrônico, lembram? Leia-se Bolsa-esmola).
Deve ser por isso que o Lula está tão desesperado para segurar o Sarney no cargo de presidente do senado. Senador de peso, sabe todos os podres de cada um do quadro do senado, sabe que "botões" apertar para conseguir o resultado que deseja. No caso, que o Lula deseja, ou seja, eleger Dilma como sua sucessora. Para garantir que isso aconteça é necessário o apoio do Sarney e do pmdb, então Lula coagiu os senadores do seu partideco a apoiar Sarney de qualquer forma, o que foi feito. O pt precisa do pmdb e do Sarney, cogita-se que Michel Temer seja convidado para ser candidato à vice com Dilma e que mais um ministério seria dado ao pmdb (seria o sétimo!) para garantir o apoio nas eleições do ano que vem e nas votações de orçamento para o ano que vem, no qual o governo pretende garantir a eleição de Dilma. Isso sem contar nas CPI's que podem aparecer, nas investigações dos gastos com cartões corporativos que estão na estratosfera e na manutenção do status de principal partido do país, pelo menos por mais quatro anos. O pmdb não tem essa pretensão, afinal encontrou o seu lugar na base de apoio de qualquer governo que aparecer, garantindo lucros inimagináveis com isso e se expondo o mínimo possível. Sorte de pessoas como o Sarney ter aliados tão poderosos como o Lula, que arrisca a imagem de seu corrompido partido para sustentá-lo no poder, apesar de todas as falcatruas comprovadas realizadas por ele. Me pergunto quem é o maior corrupto, aquele que faz a corrupção ou aquele que a esconde, por causa de seus próprios interesses? Como diz a letra da música Somos quem podemos ser, dos Engenheiros do Havaí: "Quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também."
A culpa é de quem? Há vários culpados: os eleitores, porque essas duas antas foram eleitas pelo voto popular; os senadores e deputados que votam as leis para se locupletar do dinheiro público sem sofrer punições; o executivo, que faz vista grossa para as falcatruas dos outros por causa das suas próprias, o famoso rabo preso; e por fim a toda a população, que apesar de toda a merda que eles fazem permite que eles fiquem no poder. E alguns até com aprovação popular recorde, o que só comprova a teoria de que o Brasil é mesmo um país de corruptos e malandros, a honestidade é que é a exceção à regra. Quem segura o rei corrupto no cargo? O povo corrupto que o carrega nos ombros, com um largo sorriso no rosto, apesar da inveja e da vontade absurda de estar em seu lugar.
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Mutreta no Irã

As últimas eleições presidenciais do Irã mostraram uma faceta antiquada mas ainda muito utilizada no mundo, a manipulação de resultados. Ato muito mal feito, por sinal, uma vez que a contagem manual dos votos deveria durar alguns dias e os resultados foram divulgados doze horas depois de terminada a votação. É muito querer que se conte os aproximadamente 40 milhões de votos daquele país em tão pouco tempo.
A revolta provocada no Irã está muito ligada à quantidade de pessoas que votaram nessas eleições, mais de 85% do total de eleitores. Todas as avaliações previam a derrota do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad e foi muito estranho que ele tenha vencido em todas as unidades eleitorais, inclusive na cidade natal de seu principal adversário, Mir Hossein Mousavi. As pessoas se sentiram enganadas, é óbvio, por acreditar em um sistema eleitoral que demonstrou tamanha manipulação. Como consequência, uma onda de revoltas assolou o país, com manifestações gigantescas contrárias ao governo em que as pessoas reclamam do resultado das eleções.
O problema é que em muitos países os líderes estão cada vez mais chegados no poder, seja por ele próprio, pelo dinheiro que manipulam ou pelo status que os cargos lhes dão. Infelizmente, voltou a ser prática comum o desrespeito à democracia, como vemos em vários países da América Latina, por exemplo, em que atitudes antidemocráticas são disfarçadas por plebiscitos e consultas populares. Tudo bem que o Irã não é exatamente uma democracia, afinal o líder supremo, acima do presidente, é um cargo religioso e vitalício. Mas deve ser interessante manter o radical Ahmadinejad no poder, pois a reação de Ali Khamenei foi ordenar o fim dos tumultos e protestos, inclusive repreendendo violentamente as manifestações populares. Também tentou, aí sem muito êxito, impedir que as imagens dos protestos e da violência da polícia fossem mostrados para todo o mundo. Mas a internet se encarregou de impedir que os acontecimentos ficassem fechados naquele país e ganharam o mundo.
O que se vê são eleitores revoltados com o resultado manipulado das eleições, reagindo com veemência ao seu resultado e sendo por isso combatidos pelo governo. Os governistas, que exultaram o imenso comparecimento dos eleitores às urnas não imaginaram que isso viria a ser um problema tão grande. Afinal, quando um povo tem um pouco de senso crítico não fica quieto assistindo às palhaçadas que seus governantes fazem com seus votos, seu dinheiro, sua vida. Fica a lição, que talvez fosse aprendida em outros países se os programas de ensino público funcionassem: o povo é que manda no governo, não o contrário. Se Ahmadinejad ficar no governo, não será lembrado como o presidente eleito e reeleito do Irã e sim como mais um golpista que conseguiu se dar bem e, manipulando resultados, deu um "golpe de Estado", permanecendo no poder mesmo sem ter sido eleito. Ilegal, ilegítimo e antiético são as únicas descrições possíveis para o que está acontecendo agora no Irã. Veremos se farão aquilo que prometeram e executam os manifestantes, o que seria um massacre.
Em uma situação como essa, fica a pergunta: porque disfarçar? Assumam a ditadura de uma vez e matem os opositores. Pelo menos terão sido homens o suficiente para admitir as cagadas que fazem.
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Curtas! do fim de 2008.

Mais um final de ano e mais uma postagem, a última desse 2008. Nos últimos meses tudo ficou muito corrido e foram poucas postagens. Espero por a casa em ordem agora. Para terminar o ano, mais uma sessão "Curtas!". Mas por favor, apesar de parecer isso não é uma retrospectiva, não tenho o hábito de fazê-la. Mas vamos sim lembrar porque o ano de 2008 ficará lembrado na história da humanidade.

Os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Artigo XXV

Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Se você também ve alguma discrepância entre o texto e a imagem, entende que não há muito a se comemorar nesses 60 anos de descaso com a população pobre do mundo, em especial a Africana.

Os 20 anos da Constituição Brasileira

Da mesma forma que no tópico anterior, nesse dou um exemplo de falta de respeito à própria constituição, que foi escrita em 1988 e ainda espera por alguma consciência popular ou algum ditador que faça com que ela saia do papel:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim.

Esse é só um exemplo, a constituição é bem grandinha e poderíamos passar anos discutindo o seu descumprimento.

Satiagraha

Essa operação da Polícia Federal mostrou ao país a realidade sobre o poder judiciário, que manda soltar acusados de crimes que tenham dinheiro enquanto acusados pobres apodrecem sem julgamento. Além disso, mostrou como funcionam os favorecimentos, os favores, o "uma mão lava a outra". E mostrou também que o governo, acuado, teve de parar com as investigações antes que chegassem aos veradeiros chefões. Invalindam-se provas, acusa-se os policiais da investigação. Tudo comprovando o que as investigações mostraram: um grande esquema de corrupção está montado e funcionando e chegar perto demais pode ser perigoso. Mas a aprovação popular do Lula supera tudo isso, não?

Eleições
Nos EUA, as eleições mais concorridas de todos os tempos, creio eu. A novidade é que o candidato democrata Barack Hussein Obama Jr. foi eleito. Nada de mais se não fosse ele um negro no segundo país mais racista da história da humanidade (ninguém supera a África do Sul, onde o racismo era lei - Apartheid). Tornou-se uma obsseção a sua eleição e, pleito concluído, formou-se uma aura de slavador das pátrias do mundo em torno dessa pessoa tão pouco conhecida no começo do ano. Depois de comemorações que não entendi, como de brasileiros, pela eleição de Obama, espera-se que ele faça um grande governo, do que eu não duvido. Mas vale lembrar que esse grande governo será para os EUA e seus compatriotas. E ninguém mais.

No Brasil, tivemos eleições municipais. Como algumas coisas nunca mudam e outras podem piorar, pt, psdb e pmdb continuam sendo os partidos com maior número de prefeituras. Ainda se mostra evidente que os dois primeiros irão disputar a presidência em 2010, com alguma vantagem para os tucanos. Isso porque apesar de sua elevada popularidade, ao que parece o atual presidente não consegue engatar (no bom sentido) um candidato. Se me pedissem para prever o futuro político do Brasil hoje eu diria que entraremos em um ano de grandes realizações pela metade e de muitas coisas certas feitas do jeito errado. Afinal esse é o jeito do partido dos trombadinhas administrar o país.

Ditadores
Esse foi um ano incrível na política internacional, em diversos aspectos. Mas um ficará marcado: a renúncia de Fidel Castro à ditadura do maior museu a céu aberto da história da humanidade, ou seja, Cuba. Depois de quarenta e nove anos sem sair de cima, o líder passou o bastão ao seu irmão, Raúl Castro. Seu maior medo é que agora ele tem de lutar para segurar a onda de aberturas que Raúl está promovendo. Agora, pasmem, os Cubanos podem comprar eletrodomésticos. Já imaginou que maravilha poder ter um liquidificador em casa? E um computador então? Que maravilha. Quem sabe juntando o salário de funcionário público uns vinte anos, sem comer, beber ou fazer filhos os cubanos possam comprar um computador. Ter acesso à internet já é outra história. É liberdade demais.
Mas nem só de Fidel vivemos quando falamos de ditadores. Na África tivemos um caso interessante também. No Zimbábue, o ditador Roberto Mugabe perdeu o primeiro turno das eleições. Foi para o segundo turno contra Morgan Tsvangirai, que se retirou do pleito uma semana antes da votação. Motivo? Os seus eleitores estavam tendo as mãos decepadas para não votar no segundo turno. Mugabe foi "reeleito" e a comunidade internacional fingiu que não viu. Mas tudo bem, são só africanos mesmo!

Crises da América Latina

Esse ano foi marcado por vários desentendimentos entre os países da América Latina. É o Equador que briga com o Peru e não paga dívida com o Brasil, é a Bolívia que toma refinarias brasileiras (com ajuda da Venezuela), exige pagamentos três vezes maiores pelo gás e pára de cumprir contratos de fornecimento de gás para o Brasil e a Argentina, é o presidente Paraguaio que exige que o Brasil pague mais pela eletricidade de Itaipú. Deu para reparar que só o Brasil tomou no r@#$ nessa, né? Deve ser por isso que o Lula é um excelente presidente. Para os povos dos outros páises, com certeza. Já para o nosso...

Olimpíadas e Tibete

O mundo se surpreendeu com as Olimpíadas de Pequim, China. Pela organização, pelas festas de abertura e encerramento, pelo seu resultado no quadro de medalhas (1º lugar). Mas também houve quem aproveitasse e quisesse aparecer. Em vários lugares do mundo, partidários da independência do Tibete tentaram (e várias vezes conseguiram) apagar a tocha olímpica. Em resposta, um esquema de segurança nunca visto para a passagem da tocha em alguns lugares, em outros a passagem foi cancelada. Agora, os "ativistas" estão em casa tomando o seu iogurte, nos EUA ou na França enquanto os Tibetanos estão sob controle dos chineses e, o mais importante, com controle total da imprensa local. Se acontecer alguma retaliação agora ninguém ficará sabendo. Mas são só alguns tibetanos, quem se importa não é mesmo?

Terremotos

Dois terremotos marcaram o ano de 2008. Um na província de Sichuan, oeste da China. Atingiu 7,8 na escala Richter e matou, segundo dados oficiais, quase 70 mil pessoas. No país com a maior população absoluta da Terra no geral, qualquer terremoto é desastroso. Mas esse atingiu uma área densamente povoada e vários prédios ruíram. O resultado só podia ser esse: tragédia.
Já no Brasil, um inesperado terremoto atingiu a Grande São Paulo, atingindo 5,2 na escala Richter. Em muitos lugares foi sentido, mas nenhum grande estrago foi relacionado à ele. Isso porque o seu epicentro foi no Oceano Atlântico, a 215 km da costa brasileira. Com a quase inexistência de tremores nessa escala no Brasil, pode-se dizer que se ele ocorresse no nosso território o estrago seria grande. Bem grande.

Guerras e distúrbios à paz

Esse ano foi marcado por tragédias causadas pelos seres humanos. Enquanto as Olimpíadas começavam, começava também uma guerra, na Geórgia. Além da Geórgia enfrentando os Russos na Ossétia, tivemos também o ataque dos Mujahedin do Deccan, na Índia. Três alvos, dois hotéis e o Centro Judaico. Resultado: 172 mortos. Em Atenas, um policial matou um estudante, o que desencadeou um processo de revolta e todo tipo de manifestações contra o governo. Esse é um processo que está ainda longe de acabar.

Sapatada no Bush
Mais uma para o governo "histórico" do Bush. Na última visita ao Iraque, um jornalista fez duas das mais graves ofensas a uma pessoa, de acordo com o religião muçulmana: atirou-lhe um sapato e o chamou de cachorro. Algumas coisas são notáveis nesse acontecimento: a pontaria do repórter é coisa de louco, ele deve ter treinado bastante. A boa forma do Bush é invejável, afinal ele não chegou nem perto de tomar uma sapatada. Nas próximas coletivas de presidentes dos EUA sapatos serão proibidos. E para o repórter, alguns ossos quebrados e alguns anos de cadeia. Além, é claro, da simpatia de metade dos habitantes do planeta (estou chutando baixo, hein?).

Israel x Hamas

Complicado. Para terminar o ano bem e começar o próximo melhor ainda, Israel resolveu ir à forra dos mísseis palestinos que já mataram quatro pessoas em território israelense. Até agora a contagem já está perto dos quatrocentos mortos no quinto dia de conflitos, no lado palestino da coisa. E israel acaba de afirmar que está somente na primeira fase da operação e já convocou mais 6500 reservistas para integrarem-se ao exército, reforçando ainda mais a possibilidade de uma invasão por terra acontecer.
As grandes nações do mundo já se pronunciaram: EUA e Alemanha dizem que Israel tem o direito à retaliação enquanto caírem mísseis palestinos em seu território. A França polidamente pediu um cessar fogo humanitário de 48 horas, recusado por Israel. Todos dizem querer a paz, principalmente os israelenses. Mas pelos seus atos, eles mostram que só entendem a paz da mesma forma que Hutus e Tutsis a discutem em Ruanda: o genocídio (dos palestinos, é claro). E seguem atacando com a sutileza de um rinoceronte em uma loja de cristais, matando tudo o que passar na frente dos mísseis.

Para que paz?
Bom 2009 a todos. (Isso se for possível)

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Eleições: novidade (quase) nenhuma

Terminadas as eleições municipais posso voltar a falar de política. Tenho o hábito de gostar de falar de política, mas depois das eleições, pois soa menos falso. Apenas para reiterar que mais ou menos previ que iriam para o segundo turno das eleições Marta Suplicy (PT-SP) e Gilberto Kassab (DEM-SP). Foi uma eleição no mínimo surpreendente, afinal o candidato vencedor era o terceiro na disputa eleitoral no início do pleito. E a candidata derrotada no segundo turno tinha altos índices nas pesquisas, que não se confirmaram em nenhum dos turnos. Ao que parece, fez valer o seu índice de rejeição, o maior entre os candidatos à prefeitura de São Paulo.
Mas outras coisas podem ser retiradas dessa eleição: na cidade de São Paulo, o PT foi novamente derrotado (as duas com a Marta), sendo que em uma delas controlava a máquina da prefeitura, seus vínculos, contratos e dinheiro. E agora foi derrotada por um político desconhecido do grande público, o que faz com que a posição do partido fique ainda mais instável por aqui. No resto do país a história é bem diferente.
Para o Democratas essa foi uma grande vitória, aliás a única vitória, uma vez que esta é a única prefeitura que controla no país. Mas o mais importante foi a vitória indireta do governador do estado de São Paulo, José Serra, "padrinho político" de Kassab. A posição de Serra se fortalece com a eleição de seu sucessor, numa proporção inversa ao declínio do PT. E como a disputa interna do PSDB promete ser tão intensa quanto as prévias do partido democrata nos EUA (Obama x Hillary), essa eleição pode ser um peso na balança a favor de Serra e contra Aécio Neves (PSDB- MG).
O jogo do poder está novamente mexido, com diferenciais interessantes. E o que está em risco, para mim, não é a disputa presidencial e sim quem será o candidato do PSDB, provável futuro presidente da república. A marca eleitoral mais forte que fica é uma tendência que, espero, se confirme: em muitos lugares o Lula não transfere votos. De novo ficamos entre a cruz e a espada e sou obrigado a dizer que entre o PSDB e o PT o Brasil e seu povo mereciam coisa melhor. Muito melhor.
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Como diz o ditado, "Política fede".

Houve nas últimas semanas uma certa mobilização de algumas partes da sociedade em defesa dos direitos dos cidadãos e contra a criação de mais um imposto, a Contribuição Social para a Saúde (CSS). Não que eu já não tenha falado dela, mas é importante lembrar. A matéria tramitou na Câmara dos Deputados e foi aprovada. De acordo com os critérios para a aprovação de novas leis, deve seguir para o Senado, onde também deve ser aprovada.
Bem, não é preciso dizer que os senadores da oposição, que já derrubaram a antiga CPMF, também não deixarão passar, pelo menos a priori, a nova CPMF. Claro que tudo depende, afinal moramos no país do jeitinho, onde se propinando tudo dá. O certo é que sem abrir os cofres para os "projetos" dos senadores a nova CPMF não será aprovada no senado. Tendo consciência disso, o governo mudou de estratégia nesse momento. Em não tendo conseguido um acordo para votar e aprovar a CSS agora, resolver postergar a votação para evitar o desgaste dos parlamentares com os eleitores, afinal é ano de eleições.
Nesse momento, votar e aprovar a CSS significa perder muitos votos nas eleições de outubro. Nesse ponto, oposição e governo concordam plenamente: não vale a pena o desgaste. Terminadas as eleições, com o povo voltando à mesmice de seu cotidiano, será possível fazer acordos vantajosos para ambas as partes, com o dinheiro público, é claro. A população já estará entrando no clima de Natal, que começa cada vez mais cedo (não parece proposital?). Menos preocupado com a política, afinal os novos culpados já estarão eleitos, voltam para o panis et circensis típico do Brasil. Pão e circo, para que fique claro. E a votação da nova CPMF poderá percorrer os obscuros caminhos do senado e da câmara quantas vezes forem necessárias, na expectativa de gerar mais renda para políticos e partidos. Tudo isso regado pelo dinheiro público, que no nosso país não tem sentido de coletivo e sim de não pertencer a ninguém. Depois de muitas "negociações", a CSS muito provavelmente será aprovada. Bom para todos os lados, menos para o povo que sustenta os parlmentares mais caros do mundo, paga uma taxa de impostos já altíssima e que mesmo assim tem os piores serviços públicos do planeta. Não sei, mas não me parece muito coerente. Fazer o que? Se só vejo o povo na rua reclamar do Dunga, deve estar tudo bem e eu que sou o chato!
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O Brasil e as eleições Estadunidenses.

Interessante notar como funcionam as coisas. A corrida presidencial nos EUA começou quente, com Democratas (oposição) e Republicanos (situação) criticando duramente o atual presidente, o republicano George W. Bush. "Mas e o Brasil com isso?", me perguntariam. Obviamente, as eleições estadunidenses irão influenciar e muito as políticas internacionais, o que inclui o comércio internacional.
Entre os candidatos, depois da desistência do Senador Mitt Romney, é muito provável que o candidato à presidência pelo partido Republicano seja mesmo o Senador John McCain, grande vencedor da "super terça". Ele ainda não sabe se enfrentará o Senador Barak Obama ou a Senadora Hillary Clinton, pois a disputa pela indicação à candidatura pelo Partida Democrata continua bastante acirrada.
Analisando friamente a sociedade daquele país e como ela se comporta nas eleições (completamente diferentes do Brasil), é bastante provável que se tenha uma disputa ferrenha até as indicações dos partidos, e a partir daí, fim de jogo. Os Democratas concorrerão com "o novo", ou seja, ou um negro ou uma mulher. Ambos são qualificados para o cargo, mas enfrentarão um candidato branco, herói de guerra, muito respeitado, senador há mais tempo que o seu concorrente e, o mais importante, representante de grande parcela da população que se convenciona chamar de " WASP - white anglo-saxon people", ou pessoas brancas de origem anglo-saxônica - os colonizadores. Apesar de achar a novidade interessante, é bem provável que essa acirrada disputa interna para ser "a novidade" nas candidaturas à presidência dos EUA leve os Democratas a uma derrota histórica em uma corrida presidencial que em tese seria fácil de vencer. Bastava convencer Al Gore a se candidatar e se vender como oposição a um dos presidentes com menor aceitação popular em fim de mandato na história daquele país. John McCain e o Partido Republicano agradecem.
Então analisemos: que partido seria melhor para o comércio Brasil X EUA? Por suas ideologias políticas, o Partido Republicano é bem visto por diversos países, especialmente os subdesenvolvidos como o Brasil. Isso porque interfere menos no comércio exterior e dá mais abertura de seu mercado interno aos produtos importados. O Partido Democrata é mais protecionista, o que afetaria negativamente o comércio com aquele país.
Isso é uma constatação até óbvia, mas toma outra direção no Brasil. Por convicções ideológicas do século XIX, o partido governista brasileiro tem orientado a diminuição gradual do comércio internacional com os EUA, o que obviamente demonstra os sinais evidentes da insanidade que se abateu na equipe econômica que cuida do comércio exterior. Não gostar dos EUA por serem eles "o carro chefe do capitalismo" ou qualquer coisa desse tipo é um discurso que serve muito bem para os partidecos de oposição, que aliás vivem disso. Mas reduzir o comércio com a maior potência econômica do mundo e prejudicar a economia nacional, isso já é bem diferente. Típico desses fundamentalistas que dominam o cenário político nacional.
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Também cansei!!!

Ganha força no Brasil uma série de movimentos da sociedade civil que buscam, de alguma forma, alertar para alguma particularidade entre os tantos escândalos do país. O último desses movimentos, que vem ganhando o apoio de várias personalidades como cantores e atores, é o "Cansei", organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na figura do seu presidente, Luiz Flávio Borges D'Urso. Segundo ele, o movimento busca fazer uma crítica aos problemas que o país enfrenta. Até aí, nenhuma crítica.

O problema começa quando um dos organizadores do movimento, Paulo Zottolo (presidente da Phillips) decide usar o Piauí como exemplo, dizendo que "ninguem ficaria chateado se o Piauí deixasse de existir". Como resposta, o Governador do Estado responde que o Piauí tem 80% das suas florestas preservadas, produzindo oxigênio para o Brasil e para o mundo. Alguém tem que avisar aos dois que não é por terem posições privilegiadas na sociedade que eles podem sair falando tanta bobagem por aí. O Piauí é sim um estado importante e florestas não são as responsáveis pela produção de oxigênio nem para o Brasil muito menos para o mundo.

O que me incomoda sinceramente é o oportunismo dessas iniciativas. Não consigo entender como desastres como o de Congonhas dão início a esse tipo de movimento, aparentemente de conscientização, mas que no fim das contas aproveita-se de situações de crises emocionais da população para ganhar seus pontinhos. Fico realmente indignado quando vejo políticos se locupletando de seus cargos públicos, quando juízes e desembargadores vendem sentenças e quando bombeiros são presos por assaltar empresários se disfarçando de policiais federais. E não é pelo crime em si, mas pela não punição, o que estimula cada vez mais a corrupção e o crime em geral. E muitos advogados contribuem para que assim seja e assim continue.

A OAB como entidade de classe dificilmente pune os advogados que cometem crimes. E querem dizer que "cansaram"? Estavam aonde na época dos anões do orçamento, da Georgina, do Juiz Nicolau, dos juízes do supremo tribunal que vendiam sentenças, do mensalão, entre outros? Casa de ferreiro, espeto de pau? Não tenho nada contra a OAB, mas não a vejo como a defensora das virtudes do país.
Esse tipo de movimento, se lançado em uma outra situação, teria meu total apoio. Mas a época de lançamento, os discursos e as atitudes falam por si. É um movimento oportunista (não golpista, como alguns menos informados do governo do PT afirmaram) que visa se beneficiar de uma tragédia para criar uma imagem positiva da instituição e das pessoas envolvidas. Para mim, é aproveitar-se da comoção da população, causada por um acidente, usando a memória de 199 vítimas para proveito próprio. Gostaria realmente de saber a que cargo o Senhor D'Urso concorrerá nas próximas eleições.
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Um verdadeiro desastre!

Aqueles que me conhecem sabem que eu jamais escreveria nesse espaço logo após um evento traumático como o acidente ocorrido no aeroporto de Congonhas, vitimando aproximadamente 200 pessoas. A lógica impede que qualquer hipótese seja levantada sem uma possibilidade imensa de erro. A verdade é uma só: não sabemos o que aconteceu. E não saberemos tão cedo. Mas aqueles que me conhecem sabem também que eu nunca me atenho ao óbvio, então não falarei sobre o acidente em si, e sim sobre suas repercussões.
Todas as vezes que acontecem acidentes dessa forma, as pessoas comentam, procuram explicações, choram os mortos. Mas no Brasil sempre acontece algo a mais: adversários políticos usam do ocorrido para ganhar pontos com a população. Parece uma corrida, como nos interrogatórios de filmes e seriados policiais: "quem falar primeiro garante o acordo e terá uma redução na pena".
O governador do Estado, José Serra, apareceu imediatamente falando com dados técnicos, o que demonstrava pelo menos interesse no aconteceu. Mas não perdeu a oportunidade de "alfinetar"o governo, deixando claro que o aeroporto tinha de passar por reformulações, que são de responsabilidade de governo federal. O Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, também se pronunciou a respeito, com o mesmo tom e discurso. O governo federal, na imagem do seu maior representante, achou melhor ficar três dias sem dar as caras, em uma tentativa clara de não ligar a sua imagem à do acidente. Foi em vão. A Rede Globo conseguiu filmar o acessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia e um secretário comemorando com gestos obscenos a possibilidade do avião da TAM estar com problemas.
Isso apenas demonstra aquilo que venho falando há anos, meus alunos e ex-alunos são testemunha disso: a infantilidade dos políticos brasileiros é assombrosa! A oposição (vejam bem, não estou falando de PARTIDOS!) nunca perde a oportunidade de jogar a bomba no governo, como fez bem seu papel o governador do Estado, que sem saber o motivo do acidente condenou a pista e, consequentemente, o responsável por ela, o governo. A situação, além de não se pronunciar oficialmente por três dias ainda "comemorou" o ocorrido, afinal a culpa passava do governo para outro. Para quem? Não importa, só importa que a culpa "não seja minha".
Os peritos ainda demorarão para determinar o que ocorreu realmente naquele dia fatídico. Enquanto isso, o governo e a oposição propiciaram ao país e ao mundo um verdadeiro show de horrores, algo que não consigo achar palavras para descrever. A disputa política no Brasil ultrapassou os limites da razão. Na luta por quem controla as propinas, o tráfico de influências, lobbies, comissões, CPI's, concorrências com cartas marcadas, entre outras coisas que sequer conhecemos, os políticos brasileiros conseguem ver na tragédia das pessoas oportunidades eleitorais. Na minha humilde opinião, os infelizes que se deixaram gravar comemorando dentro do Palácio do Planalto apenas representam a classe política: alguns comemoraram, outros torceram o nariz. Mas a oposição foi esperta o suficiente para fechar as janelas. Todos agora contabilizam os "trocados" eleitorais conseguidos nesses dias, afinal ano que vem teremos eleições novamente. E a vida segue, menos para as milhares de vítimas de um sistema político que sequer entrou ainda na pré-escola da política. O que importa são os votos e o controle sobre as verbas pública. O povo? Esse não têm a menor importância! São vítimas de políticas e políticos que são um verdadeiro desastre!

Aos familiares, meus pêsames e meus respeitos. Aos bombeiros e voluntários, minhas congratulações.

Àqueles que tiraram fotos de vítimas e colocaram para circular na internet (como sempre), tenho nojo de saber que vocês são considerados seres humanos.
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Pense!

"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

Sobre o autor!

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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