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Os anos "9"

Sei que parece coisa de Teoria da Conspiração, mas andei reparando e discutindo com alguns colegas. Nas últimas décadas, todas as vezes que conferimos aquilo que de mais importante aconteceu, nos deparamos com grandes eventos em anos de final nove. Sei, não estamos aqui discutindo a tal teoria da conspiração, mas o fato me chamou a atenção. E sei também que qualquer ano que nos disponhamos a analisar terá eventos importantes. Mas vejamos:
Em 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes, documento resultante da Conferência de paz de Paris. Esse documento determinava os termos de paz com as nações derrotadas na Primeira Guerra mundial, terminada nesse ano. Entre os derrotados, a Itália, na qual era fundada por Mussolini a organização que deu origem ao Partido Fascista, e também a Alemanha, onde os resultados causaram grande mal-estar.
Em 1929, temos um marco para a economia do mundo: o "crash" da bolsa de Nova Yorque, que teve início na dia 24 de outubro, conhecido como a "Quinta-feira negra". As ações das empresas foram colocadas a venda a preços insignificantes e não houve compradores. Os acionistas perderam tudo, os bancos faliram, a economia se estagnou e o desemprego nos EUA e nos outros países dependentes deles aumentou enormemente. O mundo entrou em crise.
A combinação de crise econômica mundial e dos termos do Tratado de Versalhes fez com que o Partido Nazista de Hitler chegasse ao poder, o que levaria o mundo, em 1939, à Segunda Guerra Mundial. Pelo poderio bélico das nações envolvidas, essa foi uma guerra sem precedentes na história. Terminada em 1945, deixaria para as gerações futuras décadas de dias sombrios: a Guerra Fria.
Em 1949, como resultado do fim da Guerra, a Alemanha é repartida entre os Aliados, vencedores da guerra, sendo criados dois países: a República Democrática Alemã (RDA) e a República Federal da Alamanha (RFA). Para defender os países capitalistas, surge a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), organização militar em oposição ao bloco socialista (URSS). Isso porque nesse ano, os soviéticos explodiram sua primeira bomba atômica, o que equilibrou as forças nucleares no mundo e o colocou em alerta para uma guerra atômica.
Em 1959, um dos países auxiliados pelos soviéticos inicia a sua revolução. A Revolução Cubana é até os dias atuais reconhecida como marco para os movimentos sociais, pela organização e derrubada de uma ditadura. Depois disso, Fidel Castro se torna o "administrador" do país por 49 anos e o país é alvo de um bloqueio internacional promovido pelos EUA que faz com que ele seja o maior museu a céu aberto da história da humanidade. Concentrando poder de forma totalitária, faz da mesma maneira que todos os páises que tentaram implantar um sistema socialista: se torna também uma ditadura.
Em 1969, outra consequência da Guerra Fria: a corrida espacial, que já colocara satélites e homens circundando a Terra, coloca pela primeira vez um homem na Lua, o americano Neil Armstrong, da missão Apolo 11. No Brasil, chegou ao poder o 28º presidente da república, Emilio Garrastazu Médici. Seu governo ficou conhecido como os anos de chumbo, pela violência aplicada contra os opositores ao regime.
Em 1979, o marco é a Revolução Islâmica, golpe de estado que retira do poder o Xá Reza Pahlev. Quem assume o poder é o Aiatolá Khomeini, que transforma o país em uma república islâmica, ou seja, comandada pelo líder religioso. Como resposta à perda de mercado promissor para seus produtos, os EUA tentam derrubar o novo regime, influenciando uma guerra do Iraque, do recém empossado Saddam Hussein, com o Irã. Essa guerra dura oito anos, levando os dois países a perdas incalculáveis de soldados e dinheiro.
Em 1989, o fim da Guerra Fria é anunciado pela derrubada do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. Enquanto isso, uma série de passeatas de estudantes chineses em Pequim resultaram na repreensão do exército local, o que resultou no Massacre da Praça da Paz Celestial. Não se sabe ao certo o número de mortos, mas o jornal The New York Times relatou entre 400 e 800 mortes. Essa é a estimativa mais baixa de mortes nas bibliografias consultadas.
Em 1999, a histeria passa pelo "Bug do milênio". Especialistas previam que os computadores poderiam "enlouquecer" por não entender a virada do milênio. Nada aconteceu. Na Europa, o Euro começa a sua caminhada na unificação das políticas econômicas dos países membros da União Européia. Hoje é a moeda oficial de 25 dos 27 países que compõe o grupo.
E 2009 está só começando. O que pode vir por aí?
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Momentos históricos.

Não é à toa que deixei para escrever sobre esse tema muito depois do acontecido, ainda mais num dia 29/02, ano bissexto. Fato raro. Queria ver, ouvir opiniões e principalmente saber quem substituiria o ditador Fidel Castro no comando de Cuba, depois de sua renúncia, após quase 50 anos de poder. Queria também saber como seriam os primeiros dias desse novo governo.
Fidel Castro foi, junto com Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, que derrubou o então ditador Fulgêncio Batista. A vitória, conquistada em 1959, prenunciava uma mudança radical na política, na economia e principalmente nas relações internacionais. Afinal de contas, os guerrilheiros que chegaram ao poder discordavam da forma como Fulgêncio governava o país. Pela proximidade com os EUA, Cuba era um paraíso para os estadunidenses. Cassinos e prostíbulos eram a grande fonte de renda do país, tudo construído para esses estrangeiros.
As mudanças prometidas vieram. Implantação do sistema socialista, aproximação com a URSS e fim das relações internacionais com Washington foram apenas algumas delas.
Cuba tornou-se importante geopoliticamente, já que era o único país reconhecidamente socialista na América Latina. Moscou passou a comprar seu açúcar, pagando valores acima do mercado para compensar a perda de arrecadação com o turismo na ilha. Dessa forma, tornou-se um inconveniente para os EUA, que tentou um ataque com refugiados cubanos na Baía dos Porcos, em 1961, para derrubar o regime de Fidel.
Depois da tentativa fracassada dos EUA, Cubanos e Soviéticos concordaram em colocar na ilha mísseis capazes de defendê-la de novos ataques. Quando Nikita Krushev, primeiro ministro russo, enviou os mísseis ficou clara a sua intenção: responder à colocação de mísseis nucleares estadunidenses na Turquia, mirando em grandes cidades soviéticas. Durante treze dias, a vinda dos cerca de quarenta mísseis nucleares russos provocou pânico e histeria nos dois países. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Depois de um acordo, os navios com as bombas nucleares voltaram para a URSS. E as bombas dos EUA saíram da Turquia.
O sistema socialista cubano investiu pesadamente o dinheiro russo em escolas e faculdades, na saúde e nos esportes. Pode-se dizer que enquanto a URSS existiu, Cuba conseguiu sobreviver e até prosperar. Mas com o fim da URSS, Cuba ficou abandonada e sua situação apenas piorou. O agravamento da situação econômica obrigou Fidel a aceitar os dólares que vinham dos refugiados nos EUA como forma de movimentar a economia. E investiu novamente em turismo.
No fim das contas, Fidel, como todo socialista, jamais teve a intenção de levar seu país ao comunismo. Se prolongou no poder além do que devia, usou a força para repelir seus opositores, julgou e fuzilou muitos deles. Fez muitas das coisas que criticava no governo de Fulgêncio Batista.
Mas também enfrentou longas décadas de embargo econômico, imposto pelos EUA. Nos últimos quinze anos, esse embargo fez com que a população cubana sofresse como poucas no mundo. O país está dividido entre a Cuba para cubanos e Cuba para estrangeiros. O acesso à produtos básicos, como sabonetes, papel higiênico ou pães é restrito, há cotas para tudo. Apenas para
cubanos, é claro.
Cuba elegeu o irmão de Fidel, Raúl, para o seu lugar. Para entrar para a história, ele terá de fazer algo diferente do que fez até hoje seu irmão. Senão passará e será esquecido, como o insignificante irmão de Fidel. A esperança de melhora reside na discórdia entre eles.
Os EUA já disseram que não retirarão o embargo enquanto Cuba não for um país democrático, então as dificuldades continuarão. Nas aulas, por um bom tempo ainda me referirei à Cuba como o maior museu a céu aberto da história da humanidade. Espero sinceramente que a situação mude um pouco e que as pessoas parem de ser penalizadas pelas ações dos dois ditadores que se sucederam no poder.
Espero que se faça uma transição gradual, lenta e eficiente. E que a economia não "evolua" a ponto de levar para a ilha, de uma vez, todos os problemas dos países subdesenvolvidos como o Brasil. Analfabetismo, caos na saúde pública e abandono do social definitivamente não são as melhores lições para se aprender com o capitalismo que circula hoje no mundo.

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"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

Sobre o autor!

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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