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Enfim, política novamente!

Como já diria o poeta, "para não dizer que não falei de flores"... grande Geraldo Vandré. Na verdade, é para não dizer que fui parcial e poupei um dos pré-candidatos à presidência da república do Brasil, José Serra.
Se Lula continua em sua magistral campanha pela eleição de Dilma, o agora ex-governador de São Paulo também fez das suas. Antes de largar osso, quer dizer, o governo do estado, ele inaugurou obras sem conclusão e fez discursos, mesmo negando que fosse campanha antecipada. Mais um caso clássico de roto falando do mal passado, ou seja, pt falando mal do psdb e vice-versa. Será que eles não se cansam de tanta falsidade de pensamentos? Por que não admitem logo que são as duas faces de uma mesma moeda? Tentam de tantas formas se mostrarem diferentes que acabam sendo exatamente o mesmo. E seja o que for que isso represente, definitivamente não é disso que o país precisa. Honestidade? Isso não existe na política, especialmente em ano eleitoral.
Não que seja a primeira vez que o ex-governador faz coisa parecida. Ao ser eleito prefeito de São Paulo, garantiu em documento reconhecido em cartório que não abandonaria a prefeitura para concorrer ao estado. Abandonou. Agora abandona o estado para concorrer à presidência da república. Ao que parece, ele enxerga a política como uma escada, em que cada vez se pode ir mais alto. Com esse tipo de pensamento, o que fazer depois da presidência? E se for eleito pretende administrar o país como se administra uma união de estudantes, assim como o Lula administrou o país como se administrasse um sindicato?
Nos últimos dezesseis anos o país tem sido desgovernado por esses dois partidos. Fizeram de tudo um pouco para que o objetivo final fosse alcançado: a permanência no poder. Como eu já disse antes, nenhum partido político brasileiro tem projetos para o desenvolvimento do país, apenas os seus projetos político-partidários de chegar ao poder e se manter por lá o máximo possível. Não fizeram nesse tempo todo o que o país precisava: as reformas políticas, eleitorais, judiciária e outras tantas que são tanto necessárias para a administração de um país como o ar para o ser humano viver. Mas reformas sempre colocam em risco os projetos de poder eterno desses partidos, tanto que uma iniciativa popular de projeto de lei, que propunha que políticos com ficha suja na justiça não pudessem ser candidatos foi demolida no congresso. Já imaginaram políticos corruptos sendo processados e não podendo se esconder atrás da im(p)unidade parlamentar, respondendo a crimes na justiça comum e indo para a cadeia junto com os criminosos pés-de-chinelo brasileiros? Talvez seja melhor evitar... já imaginaram o que ladrões de banco, traficantes e estupradores aprenderiam com políticos? Se tornariam profissionais.
Agora, com as cartas na mesa e os candidatos lançados (pelo menos Dilma, Serra e Marina estão garantidos no páreo), começa a luta ferrenha por votos. Os dois principais partidos a concorrer à presidência da república tentam desesperadamente se manter no jogo, o psdb tentando efetivar a política do café com leite e o pt tentando quebrá-la. Cartas na mesa, os políticos dos dois partidos tentarão se mostrar diferentes apesar de terem mais semelhanças do que diferenças. Basta lembrar que os dois últimos presidentes, Lula e FHC, têm de diferente apenas e tão somente o tempo. FHC fez as mudanças iniciadas no governo Fernando Collor e seguidas por Itamar Franco. Por menos que ele goste, ele colocou o modelo neoliberal para funcionar de verdade no Brasil. Lula não fez por menos, aprendeu que para se eleger e para governar precisava vender a alma ao diabo, ou seja, precisava fazer alianças políticas. Cada vez mais se tornou aquilo que um dia julgou ser o mais sujo que a política brasileira já tinha produzido. Posso dizer que, se um político desse tipo hoje pisar em um monte de estrume, vai ser difícil separar as duas coisas.
Ninguém é santo nessa corrida presidencial. Todos têm seus esqueletos no armário e vai ganhar a eleição quem melhor expor os dos outros e esconder os seus próprios. Novamente veremos insultos, obras inacabadas de parte a parte e um país de contos de fadas criado por cada lado, no qual vivem duendes e fadas, longe da nossa realidade. E no final estarão juntos, derrotados e vencedores, rindo da cara dos bobinhos-da-xuxa que acreditaram que eles eram diferentes e votaram em um ou outro para tentar mudar o país. O povo quer que o país mude para melhor, isso é verdade. Aí os partidos políticos perguntam: "melhor para qual de nós?"
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Glasnost não! Cortina de ferro.

Na imagem aí ao lado aparece o objeto de desejo de muitos brasileiros hoje em dia: o cartão corporativo!
Com esse cartão, que deve ser usado apenas para despesas emergenciais (leia-se sem concorrência pública), o portador pode fazer compras em free-shops, loja de material para construção, de instrumentos musicais e esportivos, veterinárias, óticas, choperias e joalherias. Poderá também almoçar em restaurantes caros, comprar vinhos finos, pagar hotéis nas férias, alugar carros e, por último mas não menos importante, sacar dinheiro no caixa, sem se preocupar em justificar os gastos. E o que é mais importante, a conta é encaminhada para o governo, que paga tudo. E se alguém da oposição, digo, de fora do governo quiser realmente discutir, o governo põe panos quentes, pedindo ao "cumpanhero" ou "cumpanhera" investigado que se retire do cargo, como no caso de Matilde Ribeiro, ex-ministra (???) da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da igualdade Racial - SEPPIR (nunca vou entender isso: defender a igualdade entre ratos, lebres, lobos, girafas e humanos, esse governo tem cada uma...). Ou então podemos ter aqueles casos clássicos de "me enganei de cartão", "eu não sabia como usar o cartão" ou "me informaram errado". Ou eles são muito inocentes ou sabem que o povo é burro e acreditará neles. Alguns até devolvem o dinheiro. "Tudo bem", dirão, "é um bom passo". Mas fico pensando no que disse o meu irmão sobre um hipotético roubo a banco, em que os assaltantes, surpreendidos na saída pela polícia, dizem: "OK, acabou a brincadeira, vamos entrar e devolver todo o dinheiro roubado, então não foi cometido crime nenhum, certo?" Será que a lei é assim mesmo ou sou eu que estou cansado dessa palhaçada?
Para fingir de bonzinho e escapar de uma investigação mais séria (ou seja, fora do senado e congresso) o governo agora propôs uma CPI para investigar o uso dos cartões corporativos, desde que se investigue também o período do governo FHC. Isso é para depois poder dizer "tá vendo, não foi só a gente que fez cagada com cartão corporativo". Como se um só fazendo já não bastasse!
Enquanto isso, para evitar que repórteres xeretas fiquem bisbilhotando no Portal da Transparência e expondo os gastos com o dinheiro público, alguns ministros inventaram que a divulgação dos gastos da presidência coloca este e seus familiares em risco. Retiram-se então os dados da internet, forma-se uma "cortina de ferro" que tira do brasileiro o direito de saber o que se faz com seu dinheiro. Assim o Portal da Transparência deve ser rebatizado como Portal Nem Tão Transparente Assim. Afinal de contas, qualquer brasileiro com acesso à internet e um pouco de neurônios ativos poderia ter em mãos números reais, provas do porque a saúde, o transporte, a previdência e a educação no Brasil são relegados ao enfadonho e cômodo esquecimento. Mais uma vez, o governo faz o fácil ao invés de fazer o certo: demite, mente e omite. Tudo para que o dinheiro público continue jorrando (se não for com cartões será de outra forma qualquer, esses caras são criativos!), enquanto os brasileiros continuam a dormir suave e deliciosamente nos lençóis da ignorância.

Imagem: folha online - www.folha.com.br

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Tiros, mamatas, renúncia e arritmia.

O que esses quatro elementos têm em comum? Estarem presentes na história do mais novo "cidadão comum" do Brasil, o ex-deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB). Esse senhor renunciou ao seu mandato de deputado federal no último dia 31 de outubro e agora será julgado pela justiça comum da Paraíba, estado pelo qual já exerceu cargos públicos como vereador e prefeito (duas vezes) de Campina Grande, governador do estado e deputado federal (estava em seu segundo mandato).
Ao renunciar, Cunha Lima perde o foro privilegiado, ou seja, não será mais julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, onde a sua condenação era iminente. Perder o foro privilegiado nada mais é do que não ter mais a imunidade (ou impunidade?) parlamentar, não podendo ser julgado pelo STJ. O processo volta agora para Campina Grande e começa do zero. Por quatorze anos, Cunha Lima se escondeu atrás da impunidade parlamentar para escapar às acusações de tentativa de assassinato. Ele disparou três tiros contra o ex-governador do estado Tarcísio de Miranda Buriti, alegando ter de defender a "honra de seu filho", então superintendente da SUDENE* e atual governador do estado. Buriti sobreviveu ao ataque.
Agora, com o julgamento marcado para dia 05 de novembro, ele renunciou, em uma nova manobra para não ir à julgamento. Isso mostra novamente que a lei do Brasil favorece os infratores, desde que esses tenham dinheiro ou influência, ou seja o crime compensa! Por quantos anos mais esse processo irá rolar? Só Deus sabe se pegará o acusado vivo!
E não digo isso pelo fato dele estar internado, alegando um caso de arritmia cardíaca. Isso já era esperado, afinal de contas ele é um senhor de idade que de repente foi obrigado, para escapar de um processo, a abrir mão de ter acesso a um dos mais lucrativos negócios da história da humanidade: ser deputado ou senador no Brasil. Não tem coração que aguente!
Isso é só para mostrar o tipo de políticos que temos em Brasília, do qual Cunha Lima é um dos representantes mais simples. Há piores que ele, sem dúvida. E serve também para mostrar como a máxima da justiça foi "adaptada" ao Brasil. 'Todos são iguais perante à lei. Mas alguns são mais iguais do que outros'. Como diz uma amiga minha "...e a sociedade pagando..." Lamentável.

*SUDENE: Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, órgão público federal responsável pelo desenvolvimento de políticas de fomento sócio-econômico do nordeste. Foi extinta em 2001 e recriada em 2002, com o nome ADENE - Agência de Desenvolvimento do Nordeste. Historicamente um dos órgão mais acusados de corrupção e desvios de verbas do Brasil, em todos os tempos.
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Só o tempo dirá!

Divulgado oficialmente pela FIFA: O Brasil vai novamente sediar uma Copa do Mundo, a de 2014. Esportivamente, acredito que sediar um evento desse porte será algo excepcional para o país, que terá uma onda de investimentos estrangeiros e nacionais para a construção da infra-estrutura necessária à sua realização. Em todas as discussões sobre o assunto, surgem vária visões, entre elas a de que será algo inesquecível, outra de que isso é uma grande palhaçada.
Sou obrigado a me posicionar com a galera que tem a segunda opinião, mas não nos esqueçamos de que acho esportivamente o evento muito importante. Alguns argumentam que a infra-estrutura construída será permanente, ficará como legado do evento, o que é uma grande verdade. Mas também é verdade que construir infra-estruturas para transporte e segurança, entre outros, é uma obrigação dos governos, que não o fazem. Os defensores alegam também que haverá geração de empregos, melhoria na infra-estrutura para o turismo e divulgação do nome do país, mostrando a capacidade de realização de eventos de grande magnitude no Brasil. Tudo isso é verdade, mas me pergunto: A que preço?
A escolha do Brasil como sede da copa é algo facilmente compreensível, visto que era o único candidato. O Brasil fez grandes apresentações e defesas na sede da FIFA, elogiadas por todos. A partir de agora, precisamos saber como as coisas acontecerão.
A previsão de gastos com a Copa foi estimada em aproximadamente 5 bilhões de reais, o que preocupa enormemente. Como exemplifiquei aqui na postagem "Ainda sobre o Pan!", de 15 de julho, a diferença entre previsões e gastos finais daquele evento foi de 800% (pulou de 400 milhões para 3,7 bilhões). Se isso ocorrer na Copa, o que acho muito provável, vamos ter de pagar muito imposto.
Duas coisas me revoltam quando o Brasil se dispõe a realizar esse tipo de evento: a primeira delas é que sabemos que tudo será superfaturado, as concorrências ficarão para última hora, não haverá tempo para fazer tudo e aí contrata-se sem licitação mesmo, vira um buraco sem fundo, por onde vazará o dinheiro dos impostos que pagamos. A segunda é que fizeram um grande estardalhaço pela escolha como sede, anunciaram as construções e reformas da infra-estrutura, ingressos a preços populares, planos para a segurança, e porque? Para quem? A verdade é que o governo novamente mostra à população que tem dinheiro e sabe fazer aquilo para o que é pago. Não faz por pura sem-vergonhice e descaramento. Para construir hospitais, escolas, estradas, portos e aeroportos? Não temos dinheiro! Para pagar melhores salários aos profissionais do serviço público? Não temos dinheiro! Para pagar uma aposentadoria decente para nossos idosos? Não temos dinheiro! Mas para fazer uma Copa do Mundo, sim temos dinheiro!
Farão agora todas as obras que deveriam ter feito para a população com o dinheiro dela, mas não fizeram. E não fizeram porque usaram as promessas como barganha eleitoral: "Você vota em mim, eu faço aquilo. Não fiz, não houve recursos. Mas se eu for reeleito, farei. Não fiz, mas meu sucessor fará", e assim por diante. E nada sai do papel. Mas como agora que os "gringos" vão vir, ficar, se hospedar, gastar os seus dólares e euros aqui, vamos construir a infra-estrutura para os turistas, e os moradores que fiquem com as sobras. Isso é o que significa dizer que "a infra-estrutura ficará, será definitiva".
Como já disse, há várias visões sobre esse assunto, basicamente três: a daqueles que sabem que levarão vantagem nessa história, a daqueles que sabem que pagarão caro por isso e aqueles (maioria) que não sabem que pagarão pelo evento, e por isso acham lindo que a Copa seja aqui.
Vão falar, com certeza: "PUTA CARA CHATO!!!!" Sou obrigado o concordar que sou chato, mas não consigo ver com bons olhos a realização de um evento esportivo enorme e caríssimo, pago com o dinheiro dos impostos da população, enquanto ficamos de fora (ingresso popular = carro popular?). Depois de toda a corrupção, desvios de verbas públicas, atrasos e construções, haverá a Copa. A infra-estrutura ficará? É claro! Mas não nos esqueçamos de que as dívidas também ficarão, as das construções e dos enriquecimentos ilícitos que ocorrerão. Com certeza bateremos todos os recordes de corrupção, expropriação e desvios da história. E como sempre nesse país, quem pagará as contas seremos nós, do povo. Eu espero sinceramente estar errado, que essas previsões não se confirmem, que tudo dê certo, seja feito no prazo e abaixo dos custos planejados e que o Brasil faça uma Copa do Mundo inesquecível. Mas infelizmente não confio tanto assim na política e nos políticos brasileiros, principalmente metidos agora com o pessoal da CBF. Só o tempo dirá como as coisas acontecerão! (Falaremos mais sobre isso em futuras postagens.)

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"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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