Um turbilhão de ideias!

O mundo

Paixão pela Geografia.

Mapa múndi antigo

Mapa do Mundo de I. Evans - 1799.

Globos terrestres

Decorativos e lindos.

Geografia física

Estudar o físico para entender o humano.

Geopolítica

A arte de entender o mundo.

Manipulação é pouco!

Na última semana, o programa Globo Esporte apresentou uma reportagem bastante interessante sobre as reclamações dos torcedores referentes ao horário que terminam os jogos noturnos e a falta de transporte público nos arredores dos estádios.
A reportagem apresentou depoimentos de torcedores que afirmaram que até já dormiram em estações de trem e pontos de ônibus esperando o horário de início de circulação do transporte no dia seguinte. Todos concordam que é uma falta de respeito para com o torcedor que paga pelo transporte, paga o ingresso e depois não consegue voltar para casa. Devemos lembrar que esse horário é relativo, no geral, aos jogos que ocorrem nas quartas-feiras.
Muito sutil mas muito eficiente a equipe de reportagem, que colocou imagens de torcedores voltando para casa e chegando de madrugada, entrevistas com pessoas revoltadas com o poder público pela falta de condução, fazendo com que os telespectadores menos avisados não percebessem a manipulação que isso representava. Contruíram a reportagem de tal forma que todos culpassem e ficassem com raiva dos administradores públicos, responsáveis por transportes. Mas esqueceram de dizer que o jogo começa as 22:00 horas ou mais porque tem de esperar acabar a novela e o big bosta Brasil, programas da rede Globo, que é quem determina o início dos jogos pelo contrato de transmissão.
Então vejamos: eles determinam o horário do jogo, mesmo sabendo que os torcedores que forem aos estádios não terão condução para voltar para casa. Depois fazem reportagem manipulando a massa da população colocando a culpa da falta de transporte na prefeitura e governo do Estado. De tão infantil é ridículo. O problema é a grande maioria da população brasileira não consegue enxergar coisas tão óbvias, aí sim culpa da fantástica política pública de (des) educação do país. Ainda bem que alguém de bom senso deu entrevista e por incrível que pareça, o que ele disse entrou na reportagem. A pessoa que respondeu pelo Metrô de São Paulo para responder à reportagem atacou diretamente o que impossibilita que o horário seja ampliado. Perguntaram a ele porque não há trens no horário que os jogos acabam para atender aos torcedores. Na sua resposta, ficou claro que o único horário que a companhia tem para fazer manutenção é de madrugada e apenas por três horas. Sendo assim, estender o horário de funcionamento colocaria em risco o funcionamento do Metrô no dia seguinte, o que deixaria milhões de pessoas sem transporte e que não é justo um volume muito maior de pessoas ficar sem o Metrô por causa de um evento esportivo como um jogo de futebol. É desproporcional a importância do funcionamento dos trens em um dia inteiro e o número de pessoas que eles atendem, em detrimento do público de um jogo de futebol em dia de semana.
Fica a pergunta então: porque a Globo, que está tão preocupada com os torcedores de futebol, não muda os horários dos jogos? Colocar os jogos em dia e horário compatível com os transportes públicos seria uma forma muito mais eficiente de respeitar o público e levaria até mesmo mais gente ao estádio, afinal quem trabalha no dia seguinte pensa duas vezes de sair de um estádio de futebol por volta da meia-noite.
Com o histórico de manipulação que a Globo tem na história do país, ela devia mais era ficar quietinha e não atrair a atenção para as coisas que ela mesma tem culpa. Continue vendendo o lixo enlatado e os eliminado da vez para os estúpidos de plantão e continue ganhando dinheiro com isso. Mas não venha querer achar que sou idiota a ponto de acreditar que não tem ônibus nas ruas quando o jogo acaba porque os políticos são incompetentes (e eles o são!). Se os jogos fossem em horário decentes, eu mesmo voltaria a frequentar estádios. Por enquanto, nem pensar. Eu sempre trabalho no dia seguinte.

P.S. Quem quiser entender exatamente como se faz manipulação de informações em canais de televisão, basta procurar o documentário "Brasil: Muito além do cidadão Kane", do Canal 4 da BBC de Londres. Mostra como a rede manipuladora citada aí em cima fez para se tornar a maior rede de televisão do Brasil, ainda na época da Ditadura Militar. Em tempo, a exibição desse documentário é proibida no Brasil. Advinha quem conseguiu essa proeza jurídica?
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Novela Embraer!

Desde que anunciou a demissão de mais de quatro mil funcionário, em fevereiro desse ano, a Embraer se viu metida em uma grande trama novelística, digna de horário nobre.
Os sindicatos que defendem esses trabalhadores entraram com ações na justiça para tentar reverter a decisão da empresa, no que teve apoio de parcela significativa da população e de outros órgãos representativos de trabalhadores, como a Conlutas. Até aí, em um suposto Estado democrático, nenhum problema. A justiça do trabalho julgaria o caso e os recursos que coubessem, até chegar à justiça no nível federal, que daria uma decisão definitiva. Os trabalhadores continuariam demitidos e, em caso de vitória na justiça, teriam de ser readmitidos. Mas não foi isso que aconteceu, especialmente por causa de um ex-sindicalista que hoje é presidente da república.
As declarações dessa pessoa acabaram servindo como atiçador do braseiro que já era a situação. Os sindicatos pediram intervenção federal no caso, para reverter as demissões alegando que a empresa recebe grandes financiamentos do BNDES, que é do governo. Esquecem-se esses pobres despreparados que o BNDES financia de tudo um pouco, principalmente as grandes empresas como a Embraer que geram enorme renda para o país. E obtém lucros muito grandes, também para o país. E temos de lembrar também que esses financiamentos são perfeitamente legais, senão a Embraer teria sido condenada no processo movido pela sua maior concorrente, a Canadense Bombardier, na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando subsídios federais.
Obviamente por intervenção federal, o ministério público entrou com ação contra as demissões, impedindo que fossem homologadas. Rodadas de negociação já aconteceram, propostas e contrapopostas foram feitas e não se chegou a nenhum acordo. A Embraer não abre mão das demissões, o que podemos definir como intransigência. Mas a mesma intransigência se aplica aos sindicatos, que não abrem mão de que todos os funcionários sejam readmitidos.
Se a crise global afeta a Embraer ou não, não posso afirmar. Sei que seria estranho se não afetasse, afinal é a maior fabricante mundial de aviões de pequeno e médio porte. Existem empresas que se aproveitaram do momento de crise para demitir funcionários? Não tenho dúvida nenhuma a respeito disso. A Embraer está nesse rol? Não podemos provar.
O que sei também é que empresas como a Embraer trabalham com mercados futuros e crises como a que vivemos produzem reflexo a longo prazo também. Então não adianta ficar somente analisando os lucros do ano passado da empresa, é necessário analisar o que vai acontecer daqui para frente. Se analisarmos os dados fonecidos pela própria empresa, veremos que de 2007 para 2008 o número de aeronaves entregues aumentou (de 169 para 204 no total) e que mesmo assim o lucro líquido da empresa no mesmo período caiu enormemente, de mais de R$ 657 milhões para menos de R$ 200 milhões.
Aí vão me perguntar: 200 milhões não é muito lucro? É claro que sim! Não nos esqueçamos que esse é o objetivo de toda empresa capitalista. Não dá para manter o emprego dos funcionários? É até possivel que sim, mas enquanto durarem as discussões maniqueístas, nada acontecerá. A empresa não arreda pé da sua decisão, os sindicatos também não. Na verdade não há negociações e sim tentativas de empurrar goela abaixo dos outros a sua própria visão dos fatos.
E enquanto os donos da Embraer discutem o corte de vagas fumando bons charutos e bebendo uísque caro, alegando a necessidade disso, os sindicatos discutem a perda de arrecadação que o corte de 4200 funcionários provocará no próprio bolso. Com o trabalhador mesmo ninguém está preocupado. Prova disso é que a empresa afirmou que não pagará os seus salários, afinal não trabalham mais para ela, mantém vínculo apenas porque a justiça assim decidiu. E os sindicatos recusam qualquer ajuda que a empresa propõe, como pagar por mais um ano a assistência médica e pagar uma ajuda de custo para os funcionários demitidos.
No meio do turbilhão estão os trabalhadores, demitidos, sem salário e que já receberam as rescisões contratuais (os sindicatos acham que todos são trouxas e afirmaram que esse depósito é referente a antecipação de salários...me poupe!). Por causa da grande novela que isso virou, não podem receber o FGTS e nem solicitar o seguro desemprego. Para aqueles que defendem os trabalhadores nesse caso só posso dizer uma coisa: BOA, PESSOAL. Mas o que esperar de uma negociação feita por pessoas acostumadas com negociatas? Dá vontade de perguntar quanto estão levando nessa, ou que as reuniões sejam transmitidas pela internet, por exemplo. Aí o trabalhador veria quem realmente está errado nessa história, assim como quem está tentando levar vantagem em cima da sua situção desesperada.
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Gastos inúteis!

É, eu sei. Quem me conhece sabe que tenho uma queda por criticar o pt, aquele partido do presidente do Brasil. A culpa não é exatamente minha, devo isso ao caro senhor Célio Neves de Assunção, presidente da zonal do dito partido no Jabaquara, perto da minha casa. Esse senhor foi meu empregador, por três anos e meio. Devido à sua incompetência, o cursinho que lhe pertencia (Mega Vestibulares) foi à falência e em um ato digno de alguém que representa o partido dos trabalhadores ele nos mandou todos à merda, vendeu o cursinho e nunca pagou ninguém. Notificamos o partido para que ele fosse ao menos expulso, afinal é de lá que ele retira a sua renda. Mas como já faz mais de dois anos e a Comissão de Ética (no pt?) do partido nunca se manifestou, acredito que isso deva mesmo ser normal aos partidários que administram esse partido de trombadinhas.
Mas para não ficar aqui só criticando essa quadrilha, fui um pouco mais fundo. Entrei no site do governo, na parte que trata das transferências de recursos federais*. No campo em que se mostram as transferências para "entidades sem fins lucrativos" (como eu ri quando li isso!), encontrei os 28 partidos registrados no TSE como tendo recebido, no ano de 2008, a bagatela de R$ 171.065.889,59 a cargo de Manutenção e Operação de Partido Político (ação 0413 nas planilhas). Achei bastante sugestivo o 171 no valor, mas acho que deve ser coincidência**.
Para exemplificar, vamos a alguns números. Primeiro os cinco que mais receberam verbas públicas:
Partido dos Trabalhadores (pt) - R$ 25.099.457,26
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (pmdb) - R$ 24.375.014,74
Partido da Social Democracia Brasileira (psdb) - R$ 23.128.488,63
Democratas (dem) - R$ 18.370.970,86
Partido Progressista (pp) - R$ 12.152.432,14
Apenas esses partidos receberam um total de R$ 103.126.363,63, lembrem-se, a título de manutenção e operação. Para gerar uma comparação, procurei algo no site, em algumas das mais de cinco mil páginas de informação. Encontrei a Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semi-Árido, que recebeu no mesmo ano o valor de R$ 92.207.910,01. Ou seja, manter partidos políticos é mais importante do que matar a sede das pessoas no semi-árido. Interessante, não?
Agora os que receberam menos:
Partido Social Democrata Cristao (psdc) - R$ 239.050,73
Partido social liberal (psl) - R$ 111.159,52
Partido Trabalhista Nacional (PTN) - R$ 51.768,19
Partido da causa operaria (pco) - R$ 38.721,91
Partido Socialista Dos Trabalhadores (Unificado Pstu) - R$ 2.090,88
A soma desses partidos é de R$ 442.791,23, uma pequena fração do total. Dá para entender as críticas ao governo e a oposição, afinal de bolo tão grande só sobraram as migalhas.
No total, o governo transferiu para diversas entidades sem fins lucrativos no ano de 2008 R$ 3.452.959.149,01 dos R$ 203.749.489.316,61 destinados à transferências de recursos de qualquer espécie. Sei que os valores dados aos partidos é um pequeno volume de dinheiro se comparado ao total, mas convenhamos: R$ 171 milhões não é pouco dinheiro. E não acredito que manter partidos políticos seja mais importante do que construir cisternas, escolas e hospitais ou patrocinar o esporte. A verdade é que estar no poder no Brasil significa controlar enormes somas de dinheiro público, administrá-lo como bem entender e usar a im(p)unidade parlamentar para escapar ileso. Não sei que se existe uma regra que torna isso que descrevi legal do ponto de vista jurídico. Mas posso dizer que mesmo se existir, não é porque é legal que é ético. Mas não vamos mesmo exigir ética na política brasileira, não é mesmo? Vão continuar roubando, e o que é melhor, com a conivência do povo. Imaginem a beleza do futuro que nos aguarda no que depender da política.

* www.portaldatransparencia.gov.br, consultado em 02/03/2009
** Estelionato: Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
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O Oriente, em média.

Sempre é muito difícil falar sobre a situação do Oriente Médio sem cometer erros. Primeiro porque é uma realidade tão distante da nossa que as vezes é até difícil entender o modo de vida. Mas com um pouco de estudos podemos chegar à algumas conclusões e jogar o jogo dos sete erros.
A grande briga que existe na região hoje é a presença do Estado de Israel e a sua atuação durante a sua curta existência. Essa história começa com um louco chamado Adolf Hitler, que por qualquer motivo, tinha raiva dos judeus. Várias são as especulações, mas talvez uma das mais inteligente é a de que os judeus têm por hábito viver em grandes comunidades de onde saem os casamentos. Dessa forma, mesmo que insconscientemente, eram uma "raça pura", uma ameaça à doutrina ariana dos nazistas, uma vez que faziam concorrência à esses. Ligações doentias de várias mentes insanas, o que levou à morte milhões de pessoas. Então deveríamos evitar ouvir certos representantes de igrejas dizendo que o holocausto não existiu. De alguém cego, surdo, sem cérebro e nascido do cruzamento de um poste com uma porta eu aceito que fale que não houve holocausto, do contrário não.
Como foram os mais perseguidos e assassinados durante o regime nazista, ao término da guerra a ONU defendeu, no que foi apoiada pelos aliados vencedores, a criação do Estado de Israel. Até aí não vou dizer que sou contra, até porque o acordo previa a divisão das terras palestinas e a formação de dois Estados. Aí temos outro erro, pois a ONU criou o Estado de Israel e nunca tentou criar o Estado Palestino. É de se esperar que os palestinos não tenham gostado muito disso. A Liga Árabe entrou em guerras, perdeu guerras e terras, como a península do Sinai (Egito) e as colina de Golã (Jordânia). Nesse processo, os EUA intervieram e apoiaram o novo Estado, gerando ainda mais revolta nos Palestinos. De lá para cá o que temos são muitos conflitos, com erros de todos os lados. Israel anexa o território que seria a Palestina, que nunca teve o Estado reconhecido e nessas áreas são construídos grandes assentamentos de israelenses, que têm prioridade no consumo dos recursos naturais, especialmente a água. Duas áreas ficaram sobre o controle palestino, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, onde grupos armados com mísseis e bombas tentam em vão combater o estado de Israel. Proporcionalmente, é como se uma borboleta tentasse derrubar uma montanha com o bater de suas asas. O que não significa que Israelenses não estejam morrendo. O problema é que todas as vezes que palestinos atacam Israel, a resposta é o equivalente a uma montanha caindo em cima de uma borboleta para evitar o seu bater de asas. É muito eficiente, por isso muita gente morre e não me importa o lado. Morre gente demais (mais de um já é demais para mim), há muito tempo e em um conflito sem perspectivas de fim.
Sob o ponto de vista desse ocidental, geógrafo e nascido no país que reinventou termos como corrupção e descaso, a coisa é relativamente simples. Todos estão errados: EUA, por intervir e fornecer recursos, tecnologia e soldados para que o Estado de Israel se expandisse no território que deveria ser dividido; a ONU, excelente para fazer contas e inútil em todo o resto, pelo não reconhecimento do Estado Palestino; os Palestinos, porque querem acreditar que homens e mulheres-bomba vão resolver a discussão. Não vou discutir religião aqui, mas estou para ver povo que tenha mais propensão para o suicídio; os Israelenses porque se desenvolveram muito, cresceram em economia e tecnologia, ficaram com quase todas as riquezas, agora discursam sobre a paz. Além disso, a construção dos muros ao redor da Faixa de Gaza e Cisjordânia pode ser eficiente para barrar os homens-bomba mas também provoca desbastecimento e fome, além de acirrar discussões sobre "novos campos de concentração". O Egito também está errado por permitir a construção de túneis na divisa com a Faixa de Gaza, por onde entram as armas que atingem os Israelenses. E o que falar do governo do Irã, que não reconhece a existência do Holocausto e do Estado de Israel? Lembram da descrição que eu dei para quem não acredita no Holocausto? Esses se encaixam.
Em suma, não tem solução. A única forma de haver paz no interior daquele território é um dos dois povos ser extinto, o que alguns classificariam como genocídio. Mas não creio que essa seja uma sugestão que deva ser feita. É perigoso alguém levar a sério.
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Morde e assopra!

Como já tinha dito antes, não tenho nada contra o Obama. Por motivo nenhum, é bom que se diga. Falei em aulas no ano passado que achava que ele não ganharia, mas ele ganhou. Falei também que independente de quem assumisse o governo dos EUA estava numa fria. Finalmente acertei uma.
Barack Obama assumiu a presidência do seu país com reverências do mundo todo, sendo considerado a solução para a crise econômica que assola seu país. Mas por favor, lembrem-se de que o mesmo povo que elegeu Obama seu salvador também elegeu (e reelegeu) Bush filho, como salvador da pátria contra o terror. Mas esse ainda não é o motivo desta postagem.
Para os estadunidenses, Obama é mais um presidente que tem a missão de governar o país rumo ao controle do mundo. E ele já topou essa, dizendo em discurso que "a América liderará novamente". O que é assustador é que ele é melhor aceito no resto do mundo do que em seu próprio país (muitos republicanos ainda não engoliram essa de um negro presidente), sendo visto como o salvador do mundo. É tudo que os estadunidenses queriam. Lembram daquele filme "Independence Day"? Transformar algo que é ritualístico para eles algo mundial. No caso do filme era o 4 de Julho, dia da independência deles que se tornou o dia da vitória contra os aliens. Mas a realidade é ainda mais assustadora que isso, pois Obama sintetizou todos os desejos de melhora para um mundo doente, de todos os lugares do planeta e por isso foi eleito presidente dos EUA.
Como afirmei em aulas no ano passado, portanto antes das eleições, ele começa a fazer das dele. Não por qualquer outro motivo que não seja o essesncial: ele é um DEMOCRATA!. E como tal, deve manter certas coisas no lugar. Já sinalizou que parte do pacote será usado em políticas protecionistas, o que afeta negativemente os países que exportam para lá. Mas também acenou com a possibilidade de cortar incentivos aos grandes agricultores, o que beneficiaria o Brasil. É a política mdo morde-assopra.
Obama é o presidente eleito pelos estadunidenses mas escolhido pelo mundo. Mas continuo achando que ele será um excelente presidente. Para os EUA e para mais ninguém. Se acontecer de alguém se beneficiar com o crescimento deles, isso será consequência, não causa. Não é intenção dos EUA promover crescimento em outro país que não o deles, por isso elegeram um democrata. E acho sim que o mundo volta a crescer economicamente, mas não só por causa dos EUA e seu pacote, mas sim por que esse é o ciclo natural da economia: a períodos de crise se seguem períodos de inovações tecnológicas e a esses se seguem períodos de crescimento econômico. O que não dá é para achar que o Obama é mais importante que o nosso presidente nessa história. Com a ressalva de que o presidente deles pelo menos sabe o que significa essa crise e não acha que ela é uma "marolinha".
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Tapa-olho ideológico!

Vou ser sincero. Não cabe a mim decidir se Cesare Battisti é ou não um terrorista. Tampouco cabe ao ministro da justiça (não estranhem, quando não respeito o órgão o escrevo em letras minúsculas mesmo), especialmente porque o caso já tinha sido julgado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão competente e que existe só para isso. Em tempo, o CONARE julgou que Battisti não deveria receber asilo político. Mas contrariando a decisão dos técnicos, o ministro da casa citada aí em cima reverteu a decisão e deu asilo político para Battisti. Mas afinal quem é Battisti? Por que toda essa confusão em torno desse caso?
Na minha opinião, Battisti é um assassino condenado. Por crimes comuns, se é que assasinato é um crime comum. Assassinar ou participar de assassinatos que tem pouco a ver com política (ele é acusado de assassinar dois policiais, um deles foi seu carcereiro, um taxista e um joalheiro) não faz dele um criminoso político. Mas não é o que pensa Tarso Genro, afinal o asilo político foi concedido por ele.
O ministro utiliza-se de argumentos tão frágeis quanto um palito de fósforos queimado. Diz que o italiano "possui fundado temor de perseguição por suas opiniões políticas", questionando a capacidade de outro país de fazer cumprir suas próprias leis e proteger seus condenados. Diz também que a Itália usou de leis que diminuíram a capacidade de defesa do acusado e que esse foi entregue por um único delator, com a chamada Delação Premiada, que por acaso também existe no Brasil.
De acordo com o magistrado italiano Armando Spatara, responsável pela Coordenação do Departamento deRepressão ao Terrorismo, os argumentos de Tarso não se sustentam. Afirma que Battisti não é extremista, mas um criminoso comum. Foi condenado à prisão perpétua ao ser preso em 1979, mas fugiu da prisão em 1981. Como na lei brasileira só poderia ficar na cadeia no máximo 30 anos. Ao contrário do que afirma o ministro, mais de 10 testemunhas acusaram Battisti, não apenas uma. Uma dessas testemunhas era a própria namorada dele.
O acusado teve o direito de se defender, mas não o fez por estar foragido na França. Ainda assim os advogados apresentados sempre tiveram a sua autorização para acompanhar os julgamentos e defendê-lo. Battisti foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Milão em 1988, o Tribunal de Recursos de Milão confirmou a condenação em 1990 e a Corte de Cassação, última instância da justiça italiana ratificou as condenações, três em 1991 e a quarta em 1993. O governo italiano pede em 2004 a extradição dele ao Tribunal de Recursos de Paris, que julga o pedido procedente. Em 2004 a Corte de Cassação da França confirma a extradição, decisão confirmada em 2005 pelo Conselho de Estado da França. Não satisfeitos, os defensores apelam em 2006 à Corte Européia de Direitos Humanos, um tribunal supranacional que ratifica as decisões anteriores e ordena a extradição de Battisti para a Itália. Gostaria de saber qual parte do conceito de julgamento, recurso e decisões judiciais nosso ministro não entende, afinal ele afirma que o acusado não teve direito de defesa.
A verdade é uma só: o tapa-olho ideológico que o governo Lula usa desde a sua fundação não permite reconhecer que socialistas nem sempre são bonzinhos como pintam nos seus quadros. Nitidamente o ministro usou o seu tapa-olho ideológico para ver só o que queria e nesse caso, que Battisti participava do PAC, grupo comunista italiano. Esqueceu-se de que o fato dele participar de uma organização comunista não lhe dá o direito de assassinar ninguém, muito menos comerciantes que reagem a assaltos.
Um outro caso típico de tapa-olhos ideológico, só para não ficar no caso Battisti: os boxeadores cubanos que tentaram fugir da delegação durante o Pan do Rio. Nesse caso, o mesmo ministro ficou irritado ao ser questionado pela caçada aos criminosos, digo, fugitivos e pela rapidez com que foram deportados para agradar a um barbudo chefe de estado socialista (?). A resposta foi que eles "praticamente imploraram para voltar ao país (Cuba) e que tudo foi feito dentro da legalidade. Dois meses depois, relatórios mostravam que os atletas foram afastados de suas delegações e que permaneciam em Cuba abandonados à própria sorte. Mesmo amando seu país conseguiram sair de lá. Guillermo Rigondeaux conseguiu fugir e hoje mora em Miami. Erislandy Lara hoje mora na Alemanha.
Sinceramente, sei que vou me arrepender do que escrevo agora, principalmente por causa de quem eu acredito que seja eleito para o lugar do Lula. Mas vai ser um alívio quando o bando dos petralhas não controlarem mais o país. Mesmo sabendo do que os tucanos podem fazer de ruim, ainda acho que o pt (minúsculo mesmo) é um câncer que corrói o país e até a sua imagem. Sei que eles não inventaram a corrupção, o mensalão e a compra de emendas constitucionais, mas fazem bom uso delas. E ainda tem a cara-de-pau de se dizerem diferentes.
Os recursos do governo italiano pela extradição continuam na justiça brasileira, que deve julgá-los em breve. Espero que os ministros do Supremo tenham um pouco mais de juízo e de vergonha e extraditem o assassino. Assim talvez a situação dos brasileiros não se complique na Itália e as relações comerciais com a União Européia não sejam abaladas. Apesar do que os sindicalistas do pt dizem, as relações podem sim ser abaladas mesmo que não oficialmente. Acredito que seja necessário lembrar que a Itália presidirá o G8 no ano de 2009, entidade que determina os rumos do industrialização, do comércio e da política dos países mais industrializados do mundo. Comprar uma briga desse tamanho não é mesmo coisa de gente inteligente. Mas de gente do pt é.

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Os anos "9"

Sei que parece coisa de Teoria da Conspiração, mas andei reparando e discutindo com alguns colegas. Nas últimas décadas, todas as vezes que conferimos aquilo que de mais importante aconteceu, nos deparamos com grandes eventos em anos de final nove. Sei, não estamos aqui discutindo a tal teoria da conspiração, mas o fato me chamou a atenção. E sei também que qualquer ano que nos disponhamos a analisar terá eventos importantes. Mas vejamos:
Em 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes, documento resultante da Conferência de paz de Paris. Esse documento determinava os termos de paz com as nações derrotadas na Primeira Guerra mundial, terminada nesse ano. Entre os derrotados, a Itália, na qual era fundada por Mussolini a organização que deu origem ao Partido Fascista, e também a Alemanha, onde os resultados causaram grande mal-estar.
Em 1929, temos um marco para a economia do mundo: o "crash" da bolsa de Nova Yorque, que teve início na dia 24 de outubro, conhecido como a "Quinta-feira negra". As ações das empresas foram colocadas a venda a preços insignificantes e não houve compradores. Os acionistas perderam tudo, os bancos faliram, a economia se estagnou e o desemprego nos EUA e nos outros países dependentes deles aumentou enormemente. O mundo entrou em crise.
A combinação de crise econômica mundial e dos termos do Tratado de Versalhes fez com que o Partido Nazista de Hitler chegasse ao poder, o que levaria o mundo, em 1939, à Segunda Guerra Mundial. Pelo poderio bélico das nações envolvidas, essa foi uma guerra sem precedentes na história. Terminada em 1945, deixaria para as gerações futuras décadas de dias sombrios: a Guerra Fria.
Em 1949, como resultado do fim da Guerra, a Alemanha é repartida entre os Aliados, vencedores da guerra, sendo criados dois países: a República Democrática Alemã (RDA) e a República Federal da Alamanha (RFA). Para defender os países capitalistas, surge a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), organização militar em oposição ao bloco socialista (URSS). Isso porque nesse ano, os soviéticos explodiram sua primeira bomba atômica, o que equilibrou as forças nucleares no mundo e o colocou em alerta para uma guerra atômica.
Em 1959, um dos países auxiliados pelos soviéticos inicia a sua revolução. A Revolução Cubana é até os dias atuais reconhecida como marco para os movimentos sociais, pela organização e derrubada de uma ditadura. Depois disso, Fidel Castro se torna o "administrador" do país por 49 anos e o país é alvo de um bloqueio internacional promovido pelos EUA que faz com que ele seja o maior museu a céu aberto da história da humanidade. Concentrando poder de forma totalitária, faz da mesma maneira que todos os páises que tentaram implantar um sistema socialista: se torna também uma ditadura.
Em 1969, outra consequência da Guerra Fria: a corrida espacial, que já colocara satélites e homens circundando a Terra, coloca pela primeira vez um homem na Lua, o americano Neil Armstrong, da missão Apolo 11. No Brasil, chegou ao poder o 28º presidente da república, Emilio Garrastazu Médici. Seu governo ficou conhecido como os anos de chumbo, pela violência aplicada contra os opositores ao regime.
Em 1979, o marco é a Revolução Islâmica, golpe de estado que retira do poder o Xá Reza Pahlev. Quem assume o poder é o Aiatolá Khomeini, que transforma o país em uma república islâmica, ou seja, comandada pelo líder religioso. Como resposta à perda de mercado promissor para seus produtos, os EUA tentam derrubar o novo regime, influenciando uma guerra do Iraque, do recém empossado Saddam Hussein, com o Irã. Essa guerra dura oito anos, levando os dois países a perdas incalculáveis de soldados e dinheiro.
Em 1989, o fim da Guerra Fria é anunciado pela derrubada do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. Enquanto isso, uma série de passeatas de estudantes chineses em Pequim resultaram na repreensão do exército local, o que resultou no Massacre da Praça da Paz Celestial. Não se sabe ao certo o número de mortos, mas o jornal The New York Times relatou entre 400 e 800 mortes. Essa é a estimativa mais baixa de mortes nas bibliografias consultadas.
Em 1999, a histeria passa pelo "Bug do milênio". Especialistas previam que os computadores poderiam "enlouquecer" por não entender a virada do milênio. Nada aconteceu. Na Europa, o Euro começa a sua caminhada na unificação das políticas econômicas dos países membros da União Européia. Hoje é a moeda oficial de 25 dos 27 países que compõe o grupo.
E 2009 está só começando. O que pode vir por aí?
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O Analfabeto Político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos,que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.


Bertold Brecht, escritor, dramaturgo e poeta alemão.

Não resisti e fiz mais uma citação. Sempre gostei desse escrito, afinal representa muito daquilo que é a população brasileira hoje. Não que isso seja somente culpa dela, afinal como esperar alfabetização política de pessoas que não sabem ler? A culpa é também (e principalmente) dos governos que manipulam e distorcem a educação no país, criando uma geração de analfabetos, não exatamente políticos. Boa parcela da população é analfabeta mesmo, daqueles que têm dificuldades até para pegar um ônibus. Tudo dentro dos planos governamentais, em todos os níveis.
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Vandalismo e protestos.

Na virada do ano, uma cena já bastante conhecida dos brasileiros ocorreu na orla da Praia Grande, litoral de São Paulo. Um grupo de baderneiros provocou um arrastão, quebrando e roubando. Se aproveitam do grupo para se esconder e assim extravasar suas frustrações juvenis.
Ao perder a sua individualidade, acham que estão abrigados pelo grupo e assim não sentirão as consequências de seus atos, individualmente. Uma pena que no Brasil de hoje só se assista reuniões de pessoas para esse tipo de atitude criminosa.
Um exemplo que vem de fora e que podia ser copiado é o caso da Grécia, onde várias manifestações ocorreram em dezembro passado por causa da morte de um estudante de 15 anos pela polícia. Os manifestantes entraram em estações de TV, gritaram palavras de ordem, enfrentaram a polícia. A morte ocorreu dia 06/12, no dia 10/12 houve uma greve geral em apoio aos estudantes. Falou-se até em renúncia do Primeiro-ministro grego.
Agora os ânimos se acalmaram, mas por um breve momento toda a Europa começou a sentir os efeitos da movimentação dos estudantes. Temendo que elas se espalhassem, começaram a tomar medidas preventivas. Nesse momento as coisas voltaram ao normal, mas os estudantes deixaram claro que são uma força que deve ser respeitada. Vendo essas atuações, me peguei pensando: porque isso não acontece mais no Brasil?
Estudando na USP, mais precisamente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), sou obrigado a admitir a resposta: aqueles que se julgam a elite intelectual do país, em grande número, está na USP de passagem e não tem intensão de utilizar seus conhecimentos em prol da população. Na verdade a FFLCH está mais para o playground da elite e da classe média alta, onde os filhos vão "brincar de ser pobre". Andam esfarrapados, com chinelos de couro surrados e se dizem contra o "capital", seja lá o que querem dizer com isso. E no final de mais um dia vão para casa em seus possantes carros de R$60 mil, como dizia um colega, tomar yogurte.
Dá para entender porque as revoluções sociais proporcionadas pelos nossos estudantes não ultrapassam os muros da faculdade: não podem ofender ou comprometer a imagem dos pais capitalistas, que os sustentam.
O movimento estudantil de hoje é uma ofensa aos estudantes de outras épocas dessas mesmas faculdades, que buscaram as soluções para os problemas reais que existiam no país. Mas o país mudou, a realidade econômica também. E tudo que se vê é um país que prepara sua elite para o governo, a classe média baixa para os cargos técnicos e o resto da população fica no analfabetismo, apesar dos índices favoráveis das provas que os governos fazem com os alunos (aquelas cujos gabaritos vazam na internet antes da prova!). E ninguém protesta! Deve ser por isso que grandes aglomerações no Brasil tem poucas definições: CARNAVAL, MICARETA E ARRASTÃO. O resto é eventualidade.
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Futuro do país!

Bom, sempre dizem que o Brasil é o país do futuro. Nesse começo de ano, vou relembrar uma música da banda Planet Hemp, conhecida por fazer uma defesa da descriminalização das drogas. Opiniões à parte, essa característica deles foi usada como uma forma de fazer com que as pessoas não prestassem atenção a opiniões sobre outras coisas. Como o futuro do país não me pareceu muito agradável, vou começar o ano escrevendo a letra dessa música. Infelizmente acho esse um futuro plausível para o país, afinal ninguém parece estar se importando mesmo.

Futuro do país

De dia à procura de comida a noite um lugar pra dormir
carrega no corpo feridas e ainda consegue sorrir
dizem que o nosso país não vai mal porque o povo ainda faz carnaval
mas os pequenos e mal amados não compartilham da mesma visão
há tristeza no seu coração
vivem a margem do nosso país assaltando e ferindo quem passa
tentam gritar do seu jeito infeliz que o país os deixou na desgraça
são alvos de uma justiça que só sabe falar

será que a solução é exterminar
Herodes não morreu e hoje os dias estão piores
esterelização em massa e chacina de menores
mas eu queria somente lembrar
que milhões de crianças sem lar são frutos do mal
que floriu num país que jamais repartiu (pátria amada brasil)

esse é o futuro do país, futuro do país
pra poder comer eles te pedem dinheiro na rua
você vira as costas e diz que a culpa não é sua
esse é o futuro do país pisa neles hoje
e amanhã é a sua vida que está por um triz
mas dar uma esmola não é solução eles precisam de cultura e boa alimentação
porque um povo sem cultura me dá insonia
qualquer dia desses voltaremos a ser colonia
pelas esquinas e praças estão desleixados e até maltrapilhos
filhos bastardos da mesma nação são crianças, porém não são filhos
mas eu queria somente lembrar
que milhões de crianças sem lar são frutos de um mal
que floriu num país que jamais repartiu.

Pátria amada Brasil! (esse foi por minha conta).
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Marcas profundas demais.

Dizem que a liberdade é algo que nao há quem explique e muito menos quem não entenda. Sempre esteve presente na história a busca pela liberdade, o desejo por ser livre. E a igualdade seria um ponto a favor para que a liberdade acontecesse.
Mas afinal, ficar livres do que? De quem? Depois do Iluminismo, essa idéia ficou ainda mais fixa e atravessou oceanos, passando a ser do conhecimento de todos. Revoluções ocorreram, muitas cabeças rolaram (clichê francês, afinal o foco é a França), mas será que realmente houve "liberdade, igualdade e fraternidade"? Será que em algum momento a população realmente esteve livre da desigualdade social, de regras, de taxas? impossível uma sociedade assim.
Infelizmente, o passado deixou marcas profundas demais. O mais perto que se pode chegar é de um dos três ideais, mas sempre estaremos atrelados aos outros dois de algum modo. O objetivo deve ser tentar da melhor forma conciliar os três, cientes de que em uma relação (no caso governantes - sociedade), alguém sempre tem que ceder...

Essa redação foi escrita por Renata Faila Ferreira dos Santos, aluna do 3º Colegial do Colégio João Paulo I, curso concluído em 2008. Escreveu essa redação para uma prova de História e o professor comentou dela comigo, pela citação indireta de uma frase do documentário "Ilha das Flores", que eu passei para os alunos do colegial. Pedi a redação e pela qualidade dos argumentos agora ela virou postagem. Valeu, Renatinha.
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Curtas! do fim de 2008.

Mais um final de ano e mais uma postagem, a última desse 2008. Nos últimos meses tudo ficou muito corrido e foram poucas postagens. Espero por a casa em ordem agora. Para terminar o ano, mais uma sessão "Curtas!". Mas por favor, apesar de parecer isso não é uma retrospectiva, não tenho o hábito de fazê-la. Mas vamos sim lembrar porque o ano de 2008 ficará lembrado na história da humanidade.

Os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Artigo XXV

Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Se você também ve alguma discrepância entre o texto e a imagem, entende que não há muito a se comemorar nesses 60 anos de descaso com a população pobre do mundo, em especial a Africana.

Os 20 anos da Constituição Brasileira

Da mesma forma que no tópico anterior, nesse dou um exemplo de falta de respeito à própria constituição, que foi escrita em 1988 e ainda espera por alguma consciência popular ou algum ditador que faça com que ela saia do papel:

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim.

Esse é só um exemplo, a constituição é bem grandinha e poderíamos passar anos discutindo o seu descumprimento.

Satiagraha

Essa operação da Polícia Federal mostrou ao país a realidade sobre o poder judiciário, que manda soltar acusados de crimes que tenham dinheiro enquanto acusados pobres apodrecem sem julgamento. Além disso, mostrou como funcionam os favorecimentos, os favores, o "uma mão lava a outra". E mostrou também que o governo, acuado, teve de parar com as investigações antes que chegassem aos veradeiros chefões. Invalindam-se provas, acusa-se os policiais da investigação. Tudo comprovando o que as investigações mostraram: um grande esquema de corrupção está montado e funcionando e chegar perto demais pode ser perigoso. Mas a aprovação popular do Lula supera tudo isso, não?

Eleições
Nos EUA, as eleições mais concorridas de todos os tempos, creio eu. A novidade é que o candidato democrata Barack Hussein Obama Jr. foi eleito. Nada de mais se não fosse ele um negro no segundo país mais racista da história da humanidade (ninguém supera a África do Sul, onde o racismo era lei - Apartheid). Tornou-se uma obsseção a sua eleição e, pleito concluído, formou-se uma aura de slavador das pátrias do mundo em torno dessa pessoa tão pouco conhecida no começo do ano. Depois de comemorações que não entendi, como de brasileiros, pela eleição de Obama, espera-se que ele faça um grande governo, do que eu não duvido. Mas vale lembrar que esse grande governo será para os EUA e seus compatriotas. E ninguém mais.

No Brasil, tivemos eleições municipais. Como algumas coisas nunca mudam e outras podem piorar, pt, psdb e pmdb continuam sendo os partidos com maior número de prefeituras. Ainda se mostra evidente que os dois primeiros irão disputar a presidência em 2010, com alguma vantagem para os tucanos. Isso porque apesar de sua elevada popularidade, ao que parece o atual presidente não consegue engatar (no bom sentido) um candidato. Se me pedissem para prever o futuro político do Brasil hoje eu diria que entraremos em um ano de grandes realizações pela metade e de muitas coisas certas feitas do jeito errado. Afinal esse é o jeito do partido dos trombadinhas administrar o país.

Ditadores
Esse foi um ano incrível na política internacional, em diversos aspectos. Mas um ficará marcado: a renúncia de Fidel Castro à ditadura do maior museu a céu aberto da história da humanidade, ou seja, Cuba. Depois de quarenta e nove anos sem sair de cima, o líder passou o bastão ao seu irmão, Raúl Castro. Seu maior medo é que agora ele tem de lutar para segurar a onda de aberturas que Raúl está promovendo. Agora, pasmem, os Cubanos podem comprar eletrodomésticos. Já imaginou que maravilha poder ter um liquidificador em casa? E um computador então? Que maravilha. Quem sabe juntando o salário de funcionário público uns vinte anos, sem comer, beber ou fazer filhos os cubanos possam comprar um computador. Ter acesso à internet já é outra história. É liberdade demais.
Mas nem só de Fidel vivemos quando falamos de ditadores. Na África tivemos um caso interessante também. No Zimbábue, o ditador Roberto Mugabe perdeu o primeiro turno das eleições. Foi para o segundo turno contra Morgan Tsvangirai, que se retirou do pleito uma semana antes da votação. Motivo? Os seus eleitores estavam tendo as mãos decepadas para não votar no segundo turno. Mugabe foi "reeleito" e a comunidade internacional fingiu que não viu. Mas tudo bem, são só africanos mesmo!

Crises da América Latina

Esse ano foi marcado por vários desentendimentos entre os países da América Latina. É o Equador que briga com o Peru e não paga dívida com o Brasil, é a Bolívia que toma refinarias brasileiras (com ajuda da Venezuela), exige pagamentos três vezes maiores pelo gás e pára de cumprir contratos de fornecimento de gás para o Brasil e a Argentina, é o presidente Paraguaio que exige que o Brasil pague mais pela eletricidade de Itaipú. Deu para reparar que só o Brasil tomou no r@#$ nessa, né? Deve ser por isso que o Lula é um excelente presidente. Para os povos dos outros páises, com certeza. Já para o nosso...

Olimpíadas e Tibete

O mundo se surpreendeu com as Olimpíadas de Pequim, China. Pela organização, pelas festas de abertura e encerramento, pelo seu resultado no quadro de medalhas (1º lugar). Mas também houve quem aproveitasse e quisesse aparecer. Em vários lugares do mundo, partidários da independência do Tibete tentaram (e várias vezes conseguiram) apagar a tocha olímpica. Em resposta, um esquema de segurança nunca visto para a passagem da tocha em alguns lugares, em outros a passagem foi cancelada. Agora, os "ativistas" estão em casa tomando o seu iogurte, nos EUA ou na França enquanto os Tibetanos estão sob controle dos chineses e, o mais importante, com controle total da imprensa local. Se acontecer alguma retaliação agora ninguém ficará sabendo. Mas são só alguns tibetanos, quem se importa não é mesmo?

Terremotos

Dois terremotos marcaram o ano de 2008. Um na província de Sichuan, oeste da China. Atingiu 7,8 na escala Richter e matou, segundo dados oficiais, quase 70 mil pessoas. No país com a maior população absoluta da Terra no geral, qualquer terremoto é desastroso. Mas esse atingiu uma área densamente povoada e vários prédios ruíram. O resultado só podia ser esse: tragédia.
Já no Brasil, um inesperado terremoto atingiu a Grande São Paulo, atingindo 5,2 na escala Richter. Em muitos lugares foi sentido, mas nenhum grande estrago foi relacionado à ele. Isso porque o seu epicentro foi no Oceano Atlântico, a 215 km da costa brasileira. Com a quase inexistência de tremores nessa escala no Brasil, pode-se dizer que se ele ocorresse no nosso território o estrago seria grande. Bem grande.

Guerras e distúrbios à paz

Esse ano foi marcado por tragédias causadas pelos seres humanos. Enquanto as Olimpíadas começavam, começava também uma guerra, na Geórgia. Além da Geórgia enfrentando os Russos na Ossétia, tivemos também o ataque dos Mujahedin do Deccan, na Índia. Três alvos, dois hotéis e o Centro Judaico. Resultado: 172 mortos. Em Atenas, um policial matou um estudante, o que desencadeou um processo de revolta e todo tipo de manifestações contra o governo. Esse é um processo que está ainda longe de acabar.

Sapatada no Bush
Mais uma para o governo "histórico" do Bush. Na última visita ao Iraque, um jornalista fez duas das mais graves ofensas a uma pessoa, de acordo com o religião muçulmana: atirou-lhe um sapato e o chamou de cachorro. Algumas coisas são notáveis nesse acontecimento: a pontaria do repórter é coisa de louco, ele deve ter treinado bastante. A boa forma do Bush é invejável, afinal ele não chegou nem perto de tomar uma sapatada. Nas próximas coletivas de presidentes dos EUA sapatos serão proibidos. E para o repórter, alguns ossos quebrados e alguns anos de cadeia. Além, é claro, da simpatia de metade dos habitantes do planeta (estou chutando baixo, hein?).

Israel x Hamas

Complicado. Para terminar o ano bem e começar o próximo melhor ainda, Israel resolveu ir à forra dos mísseis palestinos que já mataram quatro pessoas em território israelense. Até agora a contagem já está perto dos quatrocentos mortos no quinto dia de conflitos, no lado palestino da coisa. E israel acaba de afirmar que está somente na primeira fase da operação e já convocou mais 6500 reservistas para integrarem-se ao exército, reforçando ainda mais a possibilidade de uma invasão por terra acontecer.
As grandes nações do mundo já se pronunciaram: EUA e Alemanha dizem que Israel tem o direito à retaliação enquanto caírem mísseis palestinos em seu território. A França polidamente pediu um cessar fogo humanitário de 48 horas, recusado por Israel. Todos dizem querer a paz, principalmente os israelenses. Mas pelos seus atos, eles mostram que só entendem a paz da mesma forma que Hutus e Tutsis a discutem em Ruanda: o genocídio (dos palestinos, é claro). E seguem atacando com a sutileza de um rinoceronte em uma loja de cristais, matando tudo o que passar na frente dos mísseis.

Para que paz?
Bom 2009 a todos. (Isso se for possível)

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Tragédia em Santa Catarina.

Muitas vezes fenômenos naturais acontecem onde e quando a gente menos espera. Santa Catarina por exemplo, não estava preparada para toda essa tragédia. Mas afinal o que aconteceu em Santa Catarina?
Fenômenos atmosféricos não podem ser previstos com precisão. Pode-se acompanhá-los, monitorá-los e mitigar seus estragos, mas não se pode fazer previsões muito confiáveis para mais de uma semana. E até por isso não se pôde prever exatamente o tamanho dos estragos causados.
Grandes quantidades de ar quente e úmido, provenientes do oceano, carregaram muita água para o continente e, por elevação, provocaram as chuvas. Todo o processo é natural da região, no entanto a quantidade de chuvas foi tão intensa que provocou vários escorregamentos de massa, que consequentemente provocam muitas mortes.
No entanto não podemos culpar o aquecimento global por mais essa. Super-especialistas vêm a público (afinal não podem perder a chance) para culpar o aquecimento global por esses fenômenos. O que me incomoda é o tratamento dado para esse tal de aquecimento global, estou até vendo a hora em que o Jô Soares vai anunciar entrevista exclusiva com ele. Já imaginaram? A verdade é bem mais simples e de tão óbvia dói: culpa-se algo que não falar, não pode se defender nem se pode provar. Tudo isso para disfarçar os culpados reais, aqueles que ocupam cargos nas prefeituras de todos os municípios desse Brasil. É mais ou menos como a "Guerra contra o Terror" dos EUA, que lhes dá a liberdade de agir e matar em qualquer lugar, assim como invadir qualquer país. Não se pode dar trégua ao "terror".
Da mesma forma, culpa-se o aquecimento global para que os verdadeiros culpados não se responsabilizem pela ocupação ilegal e em áreas de risco. Enquanto o culpado for um fenômeno natural, acentuado pelas ações humanas, que os governantes não podem eliminar sem a ajuda maciça do povão e que trará consequências para a humanidade só daqui a cem anos, tudo bem. O que não se pode é questionar, por exemplo, porque as moradias são construídas nas planícies de inundação dos rios (atenção ao nome: PLANÍCIES DE INUNDAÇÃO!) ou nos morros com inclinação muito maior do que o aceitável. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) condenou 60% das áreas vistoriadas em Santa Catarina, alegando falta de segurança. Essas áreas não deveriam ter sido ocupadas e provavelmente não serão liberadas oficialmente. Mas duvido que não sejam ocupadas novamente.
Então ao invés de discutir os problemas reais e imediatos, vamos nos concentrar num futuro longínquo e duvidoso. E esquecer que certos problemas são sim causados pelo homem e sua ganância por votos e dinheiro, que libera áreas que não deveriam ser ocupadas para depois regularizá-las e aumentar a arrecadação de impostos. Sem contar o bônus eleitoral do "Eu regularizei a vila de num-sei-o-que e melhorei a vida dessa população", aquele mesmo discurso demogógico que privilegia o hoje e as vantagens de se estar no poder em um país de anaflabetos políticos. Por isso pergunto: quem devemos cobrar? O aquecimento global ou o mandatário que desvia milhões? Um fenômeno climático ou o presidente que até hoje não mandou o dinheiro que prometeu para as regiões afetadas?
Eventos como esse sempre aconteceram na face da Terra e os chamamos de tragédia quando atinge pessoas. E foi exatamente o que aconteceu por lá. Numa época de extremismos sei que não podemos virar as costas aos atingidos. Mas não podemos nos esquecer das nossas responsabilidades e nos esconder atrás de fantasmas. Combatamos primeiro os inimigos reais. Deixemos os moinhos de vento para depois, e só se tivermos tempo.
Aliás, uma salva de palmas ao povo brasileiro que se mobilizou e ajudou enormemente no que pôde, exceto aqueles que se mobilizaram para roubar casas e saquear lojas sem necessidade (até isso!). Todos os que ajudaram nessas semanas de angústia, dor e sofrimento estão de parabéns, aos atingidos todos os bons sentimentos de melhora. E que fique a lição: a preparação para esses eventos custa caro. No entanto, dinheiro há. O que se faz no Brasil com o dinheiro arrecadado com impostos e que deveria servir para resolver problemas como a habitação num lugar como aquele? É desviado, roubado e enche cuecas pelo Brasil afora. E quem desviou o dinheiro? Com certeza foi o aquecimento global.
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Entre abutres e hienas.

Amanhã, dia 24/11/2008, faz um mês que a polícia encerrou o inquérito sobre o caso Eloá, a menina que foi mantida por mais de cem horas refém do ex-namorado na sua própria casa, em Santo andré, Grande São Paulo. Entre várias facetas apresentadas sobre o crime e o desfecho trágico, uma coisa me chamou a atenção e até resolvi esperar um pouco para escrever para analisar as coisas com um pouco mais de calma. Vamos lá.
No dia 13 de outubro, Lindemberg Fernandes Alves invade o apartamento e faz quatro reféns. Não demora muito para libertar dois rapazes e fica com a ex-namorada e uma amiga dela. Segue-se a isso uma tensa negociação, com alguns erros e acertos da polícia. A libertação da amiga Nayara foi estratégica, uma troca para que o sequestrador voltasse a ter luz elétrica na casa. Depois de atirar para fora do apartamento ele suspende as negociações. No dia 15, uma das coisas mais absurdas que já vi: enquanto a polícia tentava negociar com o sequestrador, ele dava entrevista ao vivo para uma carniceira de primeira, uma tal de Sônia Abrão da Rede TV, que transformou o sequestrador em celebridade.
No dia seguinte, o absurdo dos absurdos: a refém libertada volta ao apartamento e ao domínio do sequestrador. A polícia ao invés de retirar do sequestrador garantias, dá mais garantias para ele. No dia 17 acaba o cárcere, com a invasão da casa pelo GATE e a prisão do sequestrador. Mas ele teve tempo de atirar nas duas reféns, o que levou à morte a ex-namorada, Eloá.
Esse é um caso permeado de erros. Não se pode dizer que a polícia agiu corretamente, pois a invasão se deu por causa de um tiro (alegação da polícia), que a testemunha principal, Nayara, diz que não ocorreu. Mas algum barulho similar foi relatado por políciais e moradores do local. Mas o erro para mim está mais para a sociedade como um todo do que outra coisa. E o principal veículo para isso é a imprensa.
Como foi demonstrado na cobertura pseudo-jornalística do caso, o resultado só podia ser trágico. Afinal de contas, venderia muito menos se as reféns sobrevivessem e se o sequestrador se entregasse. A graça da imprensa é a desgraça alheia. Pela cobertura, qualquer coisa que a polícia tentasse, o sequestrador saberia antes. Não havia elemento-surpresa, afinal a transmissão ao vivo gera mais audiência. E se a polícia tivesse aproveitado as oportunidades que teve para matar o sequestrador, as imagens seriam utilizadas para massacrar a corporação, que diga-se de passagem é paga para defender o cidadão (no caso, as meninas) contra o infrator.
Depois da morte da estudante, as repercussões ainda duraram pelo menos duas semanas, com consultas a especialistas e advogados. Tudo para o deleite de um espectador que sempre pensa, ainda que inconscientemente nesses casos "eu tô fudido, mas aquele lá tá mais que eu" e para alegria das redes de televisão, pela audiência atingida. A vida da refém era mais uma das mercadorias que os jornais e TVs vendem. O problema é que a morte vende mais. Por isso os abutres e hienas ficam rondando a morte, mas não a morte do bandido, o que já é normal. É necessário que a vítima seja inocente, que seja jovem, que tenha amigos e fotos no ORKUT para mostrar em reportagens e mais reportagens. Quanto maior a perda da família, maiores as vendas. E que se dane o resto.
Agora a imprensa já deixou o caso de lado, outros já aconteceram. As grandes redes já acharam a quem culpar, a polícia, claro. Não podem em momento algum assumir que foram os reais legitimadores da ação do bandido, protegendo-o, dando-lhe informações e fazendo dele uma estrela. Tem de tirar de seus próprios ombros o peso do cadáver, mas quem se importa? Basta esperar a próxima vítima. Como disse a tal da Sônia Abrão, ela "não fez nada além do seu trabalho".
Hoje todos esses ninhos de carniceiros choram a perda de audiência provocada pela falta de trajédias que chamem a atenção do público. Mas no fim, só se vende merda para quem compra merda. E a sociedade continua chorando a morte de mais uma vítima que ela própria fez (assistindo à cobertura) enquanto paga o jantar do assassino. Essas pessoas têm de entender que de vez em quando é necessário matar o bandido para salvar o inocente. E é necessário culpar a quem tem culpa, como os carniceiros que vivem da morte e desgraça alheia, vendendo jornais e ocupando horas nas TVs. E de desgraça em desgraça se fará um país cada vez pior.
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Enfim...FUVEST!

Bom, é chegada a hora. Para muitos estudantes esse é o dia mais importante do ano, afinal de contas o vestibular mais esperado, a FUVEST ocorre hoje. Muito se fala a respeito dos vestibulares em todo o país serem formas injustas de selecionar candidatos às melhores universidades, mas sou obrigado a admitir que ainda não inventaram sistema melhor. E a prova da FUVEST vem demonstrando interesse em mudar essa realidade, constantemente mudando a prova.
Quando eu prestei esse vestibular, a primeira fase consistia de duas provas, que ocorriam com intervalo de duas semanas, com 160 questões e quatro horas para cada uma delas. A prova de hoje terá 90 questões, sendo que até 10% dela poderá ser de questões interdisciplinares, com um total de cinco horas para resolução (mínimo de três horas). A interdisciplinaridade vem para tentar diminuir o número de pessoas que passam pela prova de vestibular apenas pela "decoreba", pelas musiquinhas que os professores de cursinho ensinavam. Hoje isso já não vale tanto, os candidatos têm obrigatoriamente que pensar.
E pensar em um ambiente hostil, em que cada um que está na sala pode ser um concorrente direto a uma vaga. Tem gente que faz piquenique na sala, outros fazem barulho. Pode não ser por querer, mas acaba atrapalhando os outros concorrentes. Por isso as provas de vestibular servem também como uma forma das pessoas aprenderem a se controlar, convivendo em sociedade e não estrangulando o chato que está do seu lado. Vale como treino de paciência também.
Bom, trabalhamos o ano todo para que esse dia fosse o mais perfeito possível. Todas as horas de estudo dos alunos, assim como aquelas gastas pelos professores na preparação das aulas são para hoje. Sei que há outros vestibulares importantes, como a Unicamp, que ocorreu a semana passada e outros que ainda virão, como a Unesp, mas o foco da grande maioria dos meus alunos da Grande São Paulo é mesmo a FUVEST. E olha que não são poucos. Para todos eles e os outros que concorrerão, repito o que disse ontem para alguns dos meus alunos em Guarulhos: duas coisas tiram o candidato da disputa, a falta de confiança em si mesmo e o cansaço. É claro que se chegar e o portão estiver fechado isso também ocorre.
Portanto, boa prova a todos (meus alunos sabem que nunca desejo boa sorte), que tudo corra bem e que possamos comemorar no dia 15 de dezembro, quando é divulgada a primeira chamada para a segunda fase. Espero a todos na Cidade Universitária, mesmo que não sejamos bem-vindos por lá. Mas isso aí já é motivo para outras postagens.
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Eleições: novidade (quase) nenhuma

Terminadas as eleições municipais posso voltar a falar de política. Tenho o hábito de gostar de falar de política, mas depois das eleições, pois soa menos falso. Apenas para reiterar que mais ou menos previ que iriam para o segundo turno das eleições Marta Suplicy (PT-SP) e Gilberto Kassab (DEM-SP). Foi uma eleição no mínimo surpreendente, afinal o candidato vencedor era o terceiro na disputa eleitoral no início do pleito. E a candidata derrotada no segundo turno tinha altos índices nas pesquisas, que não se confirmaram em nenhum dos turnos. Ao que parece, fez valer o seu índice de rejeição, o maior entre os candidatos à prefeitura de São Paulo.
Mas outras coisas podem ser retiradas dessa eleição: na cidade de São Paulo, o PT foi novamente derrotado (as duas com a Marta), sendo que em uma delas controlava a máquina da prefeitura, seus vínculos, contratos e dinheiro. E agora foi derrotada por um político desconhecido do grande público, o que faz com que a posição do partido fique ainda mais instável por aqui. No resto do país a história é bem diferente.
Para o Democratas essa foi uma grande vitória, aliás a única vitória, uma vez que esta é a única prefeitura que controla no país. Mas o mais importante foi a vitória indireta do governador do estado de São Paulo, José Serra, "padrinho político" de Kassab. A posição de Serra se fortalece com a eleição de seu sucessor, numa proporção inversa ao declínio do PT. E como a disputa interna do PSDB promete ser tão intensa quanto as prévias do partido democrata nos EUA (Obama x Hillary), essa eleição pode ser um peso na balança a favor de Serra e contra Aécio Neves (PSDB- MG).
O jogo do poder está novamente mexido, com diferenciais interessantes. E o que está em risco, para mim, não é a disputa presidencial e sim quem será o candidato do PSDB, provável futuro presidente da república. A marca eleitoral mais forte que fica é uma tendência que, espero, se confirme: em muitos lugares o Lula não transfere votos. De novo ficamos entre a cruz e a espada e sou obrigado a dizer que entre o PSDB e o PT o Brasil e seu povo mereciam coisa melhor. Muito melhor.
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Momento 'Bobagens'

Não é novidade nenhuma que o nosso presidente é afoito para falar. E falar bobagens é com ele mesmo, principalmente nos discursos de improviso. Também não é novidade para meus leitores, afinal já comentei isso aqui antes. Mas ultimamente ele tem conseguido se superar, não só por falar bobagens cada vez maiores como por conseguir manter a população achando que ele é o máximo. Bom, como diz o ditado, cada povo tem o rei e a rainha que merece. Nós temos o Lula e a Xuxa, fazer o que?
No começo do mês de setembro, por exemplo, ele falou a respeito do projeto do Ministério da Saúde de vetar o uso de cigarros em alguns lugares. Perguntado se apoiava a idéia, fumando uma cigarrilha ele afirmou "Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado". Claro que para as políticas públicas de diminuição do fumo no Brasil, isso caiu como uma bomba. Foi falta de tato. Não percebeu ainda que quando fala como presidente da república é como se fosse o governo federal estimulando o uso do cigarro em qualquer lugar. Não percebeu, ainda que se tenha passado 6 anos, que o Lula (pessoa) só existe quando o Lula (presidente) sai do trabalho (?) e chega em casa. Lá ele pode falar o que quiser para quem ele quiser, como quiser, sem problemas e sem estimular o consumo, que aumenta também os gastos do governo com tratamentos específicos. Boa, Lula.
Também criticou a seleção brasileira de futebol, dizendo que a seleção está numa entressafra de jogadores e disse que falta garra. Para isso usou um Argentino na comparação aos brasileiros. Nessa provou que é "muito esperto", o que lhe valeu severa reprovação do goleiro Júlio César, que disse que "como cidadão brasileiro, e principalmente por ter votado nele, eu fiquei muito chateado. Então vai morar na Argentina. Renuncia à presidência e talvez o Brasil melhore em alguma coisa."
Sobre a crise na Bolívia, afirmou estar de acordo com a expulsão do embaixador norte-americano, pois supostamente este estava fazendo reuniões com a oposição a Evo. Não que eu esteja defendendo os EUA, mas qual o mal dessa reunião? Não é socialista o suficiente? Tenho certeza que faria mais efeito aparecer sem ser esperado e participar da reunião de qualquer forma, já que era para usar a força. E o que Lula disse? "Se for verdade que o embaixador dos EUA fazia reunião com a oposição do Evo Morales, o Evo está correto de mandá-lo embora. " Quer dizer, ele nem mesmo sabe o que está acontecendo e ainda assim está metendo o bedelho onde não foi chamado (e não foi chamado mesmo).
Para terminar, uma de hoje. Lula disse em discurso nesse sábado que Marta é vítima de preconceito na cidade de São Paulo. Como o pt está tomando uma surra na disputa eleitoral em São Paulo de um candidato que aparecia em terceiro lugar (e muito atrás nas pesquisas) antes das eleições, partiu para a apelação. Insinuou em propaganda que Kassab esconde alguma coisa. Devem mesmo ter insinuado que ele é homossexual, como entendeu o Comitê LGBT Marta Prefeita, que soltou nota na última segunda pela manhã dizendo que "esse tipo de linha de campanha é ERRADO e INACEITÁVEL, por várias razões" e que "Neste sentido, o Comitê LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) solicita com veemência à coordenação geral da campanha que retire IMEDIATAMENTE esses questionamentos preconceitusos do ar, inclusive do sítio eletrônico da campanha. Até que isso ocorra, estamos suspendendo todas nossas atividades de campanha, pois não concordamos em absoluto com a linha adotada neste momento". E o que o Lula disse? "Agora ela (a Marta) é acusada de preconceituosa? Eu ainda vou criar o dia da hipocrisia neste país." Hipocrisia para mim é pouco. Aproveita e cria o dia do mensalão também, afinal, que obra...E eu, pobre professor, fecho meu caso. VOLTA PARA O FUNDO DO MAR, LULA MOLUSCO!
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Jabor e o Brasil, Eça de Queiroz e as Farpas.

Acabo de ler o livro "Pornopolítica", de Arnaldo Jabor, em que ele relata, como ele próprio diz, as paixões e taras na vida brasileira. Como crítico que é, faz várias considerações e citações interessantes. Obviamente, não concordo com tudo que ele escreve. Afinal, sou um crítico até de mim mesmo, porque não o seria dos outros? Mas me chamou a atenção uma citação das Farpas, de Eça de Queiroz (obra que, admito, eu não conhecia). Na internet, achei a obra e li vários trechos. Assim como Jabor, coloco aqui parte da obra, por ser uma crítica ácida e por achar que ela se adequa mesmo ao Brasil.

"Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caráteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há príncipio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína econômica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o lucro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva únicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido! Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, no moral, o país está desorganizado - e pede-se conhaque! Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!"
Farpas, 1871
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Pense!

"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

Sobre o autor!

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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