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A arte de entender o mundo.

Libertação, afinal!

Foram libertados no dia 02/07/2008 quinze prisioneiros das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - entre eles três estadunidenses, onze policiais e militares colombianos e a mais importante peça de negociação que os narco-traficantes tinham: a senadora Ingrid Betancourt. Durante mais de seis anos, a imagem dela aprisionada na selva, doente e triste correu o mundo*.
Segundo o governo colombiano, uma operação da inteligência do exército foi montada com auxílio de agentes estadunidenses e conseguiu infiltrar militares no acampamento onde estavam os prisioneiros. Os militares fingiram ser parte de uma agência humanitária que levaria os reféns de helicóptero para um encontro com o líder das FARC, Alfonso Cano. Dentro do helicóptero, os militares dominaram os dois "soldados" das FARC e anunciaram a libertação dos reféns.
Uma outra versão circula agora na internet, a de que o governo colombiano teria pago US$20 milhões pela libertação desses reféns, informação divulgada por uma rádio suíça, a Romanda (RSR), obviamente sem comprovação.
Independentemente de como foram libertados, é sempre uma boa notícia quando sabemos da libertação de reféns, especialmente quando são reféns de traficantes de drogas disfarçados de guerrilheiros. As FARC deixaram de ser uma guerrilha há muito tempo, desde que o tráfico de drogas se tornou a sua fonte de renda. Não dá nem para pensar em aceitar uma guerrilha que diz lutar por igualdade e pelo socialismo quando se sabe que eles arrancam a cabeça dos traficantes que tentam não comprar e vender as suas drogas.
O lado bom de tudo isso é que parece que as FARC têm tudo agora para deixar de existir de uma vez. A morte de seu líder, Marulanda (em 26 de março, de ataque cardíaco) e do segundo no comando, Raul Reyes (01 de março, em ataque de tropas colombianas em território equatoriano) deixaram um vazio difícil de preencher. Além disso, ações cada vez mais elaboradas do exército colombiano têm tornado a existência dessa quadrilha cada vez mais difícil. Desmoralizados e com alta rejeição do próprio povo colombiano, fariam um favor a si e a todos se libertassem os outros reféns e depusessem as armas.
Em todo o mundo, repercutiu bastante a soltura dos reféns, com mensagens de "até que enfim" de todas as partes. Até mesmo Hugo Chávez, grande financiador dos narco-assassinos, já tinha dito que não havia mais lugar para a luta armada no continente. Talvez pela proximidade com os criminosos soubesse por antecipação do enfraquecimento do grupo. E para posar de santo ele não perde oportunidade. Mas por incrível que pareça, a mensagem mais infeliz não veio de Chávez, mas sim do presidente equatoriano, Rafael Correa. Ele lamentou que a libertação tenha ocorrido por ação militar e não pela via da negociação. Pelo que eu entendo, prefiro que a libertação tenha sido militar e que os prisioneiros agora desfrutem da companhia de seus familiares do que eles continuarem prisioneiros enquanto incompetentes e comparsas das FARC, como Chávez e o próprio Correa negociavam as suas vidas em troca de visibilidade internacional e material de propaganda de seus programas socialistas fadados ao fracasso.
Torço de agora em diante que mais ações civis e militares possam levar parentes do cativeiro de volta para suas casas e que pessoas usadas como moeda de troca voltem a viver em liberdade e com seus amigos e familiares. E que essas guerrilhas nunca mais sejam capazes de sequestrar e matar pessoas nem de produzir e distribuir cocaína pelo mundo. Afinal, já tem muita gente fazendo merda de cara limpa, não precisamos mesmo de drogas para isso.

*Fonte da imagem www.oglobo.com
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Festas Juninas.

Chega hoje ao fim mais um mês de Junho e com ele acabam também os festejos juninos.
Sei que não há muito o que falar a respeito da Festas Juninas, afinal são um marco da cultura brasileira, essencialmente nordestina, com comidas típicas, danças, roupas e uma alegria contagiante. Quando falamos dessas festas no nordeste falamos de grandes eventos. Aqui em São Paulo, por exemplo, temos apenas alguns lugares em que há festas grandiosas, como no Centro de Tradições Nordestinas, praticamente um pedaço do nordeste nessa cidade. Uma delícia! Mas na maioria são pequenas festas, isoladas.
Aí vão me perguntar: o que é que a geografia tem com isso? E eu prontamente respondo: Tudo.
Primeiro que muitas das tradições dessas festas vem de fora, de outros países. A palavra forró, por exemplo tem duas origens mais aceitas. Uma diz que vem do inglês FOR ALL. Outra diz que vem da palavra forrobodó, que significa bagunça e foi trazida da África. Mundo globalizado, já há muito tempo.
Outro detalhe que não podemos esquecer é que nas grandes cidades do centro-sul festa junina é aquela realizada nas escolas, o que é muito diferente do nordeste, onde cidades inteiras se preparam para as festividades e para receber o imenso número de turistas, que movimentam grandes quantias de dinheiro nesses locais. Bom para a economia.
Sem contar ainda que as festas que se mantém originais, pelo menos no geral, representam uma posição de defesa da cultura regional de um povo face aos ataques de uma cultura de massa que vem de fora e que tenta globalizar o Inglês como língua universal, o R&B ou RAP como música, o Mc Donald's como comida. O capitalismo globalizante ataca com todas as suas armas, grandes grupos, associações de países, transnacionais. E as culturas locais, não só no Brasil, resistem como forma de manter a sua individualidade e identidade como grupo cultural. No caso do Brasil, que os Bacamarteiros nos protejam!

Só para constar: queria ver traduzir isso para o inglês de forma que os agentes do capitalismo entendam...

O ABC do Sertão (Zé Dantas e Luiz Gonzaga)
Lá no meu sertão pros caboclo lê, têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê, O ésse é si, mas o érre tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pssilone. O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê.
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê, fê, guê, lê, mê, nê, pê, quê, rê, tê, vê e zê.

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União Européia e Cuba = Etanol?

Em uma reunião realizada no dia 19/06/2008, a União Européia (U.E.) decidiu acabar com as sanções diplomáticas que existiam para com Cuba. Não que isso tenha um papel fundamental na história, afinal eram apenas sanções diplomáticas e não econômicas, como as norte-americanas. mas sinaliza que a U.E. tem algum tipo de interesse nesse país, o que não é muito difícil de imaginar. Esse país da América Central, na época da Guerra Fria abastecia Moscou de açúcar, em acordos muito vantajosos para os cubanos. Tudo para manter um país socialista muito próximo dos EUA.
Quem produzia açúcar, pode muito bem produzir álcool e a europa não dependeria do Brasil se quisesse mesmo entrar na onda do etanol. Me parece interesse estratégico, apesar de a maioria das pessoas ou não ter ligado ou quererem minimizar o fato. Mas o mais engraçado foi ver do mesmo lado norte americanos, cubanos dissidentes e até mesmo Fidel Castro. Juntos sim, mas no lado das reclamações.
Fidel disse que desprezava a hipocrisia que a medida de U.E. representa. Em muitos aspectos, deve ser o mesmo desprezo que tem pelas aberturas que o seu irmão, Raul Castro faz no país agora que é presidente. O governo dos EUA minimizou a questão, mas a verdade é que trabalhou firmemente para que essa decisão não acontecese. Não conseguiu. Na sexta-feira, dia 20/06, o porta-voz norte-americano declarou que a U.E. deve fixar "um certo número de critério humanitários" para dialogar com os cubanos. Entre esses critérios, a libertação dos prisioneiros políticos e o respeito às convenções internacionais sobre direitos civis e políticos, liberdade de informação e acesso à internet. Vindo de uma das nações menos democráticas do mundo, chega a soar estranho esses, digamos assim, "desejos". Enquanto isso, dissidentes reclamam da posição da U.E. afirmando que o governo cubano ainda não é exatamente um governo democrático. E nisso tem toda razão.
Mas ao que parece, a questão política novamente é apenas um pano de fundo para as questões econômicas que envolvem o mundo agora. Se houver um acordo comercial, a U.E. pode investir em produção de combustíveis em Cuba, filão de mercado que os EUA estão deixando passar. É como eu sempre digo: não é o problema ambiental, muito menos o político. O grande problema é sempre econômico, estão todos de olho em mercados promissores como o Brasil e Cuba para talvez modificar sua matriz energética, não depender tanto assim do petróleo e de quebra tirar poder político e econômico da OPEP. Quem é contra? Os EUA, que por ideologias ultrapassadas perderam a chance de ajudar Cuba para se beneficiar depois, como foi feito na independência do Panamá e na construção do seu canal ligando os aceanos Atlântico e Pacífico. Parece que esqueceram como fazem a sua política externa. Agora é torcer para que essa parceria demore para sair para que, com o tempo, quem sabe até entrar no negócio. Só o tempo dirá.
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Como diz o ditado, "Política fede".

Houve nas últimas semanas uma certa mobilização de algumas partes da sociedade em defesa dos direitos dos cidadãos e contra a criação de mais um imposto, a Contribuição Social para a Saúde (CSS). Não que eu já não tenha falado dela, mas é importante lembrar. A matéria tramitou na Câmara dos Deputados e foi aprovada. De acordo com os critérios para a aprovação de novas leis, deve seguir para o Senado, onde também deve ser aprovada.
Bem, não é preciso dizer que os senadores da oposição, que já derrubaram a antiga CPMF, também não deixarão passar, pelo menos a priori, a nova CPMF. Claro que tudo depende, afinal moramos no país do jeitinho, onde se propinando tudo dá. O certo é que sem abrir os cofres para os "projetos" dos senadores a nova CPMF não será aprovada no senado. Tendo consciência disso, o governo mudou de estratégia nesse momento. Em não tendo conseguido um acordo para votar e aprovar a CSS agora, resolver postergar a votação para evitar o desgaste dos parlamentares com os eleitores, afinal é ano de eleições.
Nesse momento, votar e aprovar a CSS significa perder muitos votos nas eleições de outubro. Nesse ponto, oposição e governo concordam plenamente: não vale a pena o desgaste. Terminadas as eleições, com o povo voltando à mesmice de seu cotidiano, será possível fazer acordos vantajosos para ambas as partes, com o dinheiro público, é claro. A população já estará entrando no clima de Natal, que começa cada vez mais cedo (não parece proposital?). Menos preocupado com a política, afinal os novos culpados já estarão eleitos, voltam para o panis et circensis típico do Brasil. Pão e circo, para que fique claro. E a votação da nova CPMF poderá percorrer os obscuros caminhos do senado e da câmara quantas vezes forem necessárias, na expectativa de gerar mais renda para políticos e partidos. Tudo isso regado pelo dinheiro público, que no nosso país não tem sentido de coletivo e sim de não pertencer a ninguém. Depois de muitas "negociações", a CSS muito provavelmente será aprovada. Bom para todos os lados, menos para o povo que sustenta os parlmentares mais caros do mundo, paga uma taxa de impostos já altíssima e que mesmo assim tem os piores serviços públicos do planeta. Não sei, mas não me parece muito coerente. Fazer o que? Se só vejo o povo na rua reclamar do Dunga, deve estar tudo bem e eu que sou o chato!
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Viva Baco!

"Eu queria aproveitar para dizer aqui que o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono. E o dono da Amazônia é o povo brasileiro. São os índios, são os seringueiros, são os pescadores...mas também somos nós, que somos brasileiros e temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento sim, é preciso diminuir as queimadas sim. Mas também temos consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia. Lá moram quase 25 milhões de habitantes (sic)*, que querem acesso aos bens que temos aqui no Rio de Janeiro, em São Paulo, ou em qualquer outro lugar. Por que essas pessoas têm que ficar segregadas?"
O trecho do discurso acima mostra as idéias de um presidente envolto em uma teia de mistérios: o que fazer para se recuperar da sua imagem de desenvolvimentista a qualquer custo? Como fazer a comunidade internacional parar de desconfiar dos motivos políticos por trás da saída de Marina Silva do governo? Como fazer com que as pessoas de dentro e de fora do país parem de olhar para a Amazônia (afinal para desenvolver o país é preciso derrubar a floresta)?
Nosso atual presidente afirma no discurso que a Amazônia tem dono, que é o povo brasileiro, e isso está certo. Diz também que é necessário diminuir as agressões à floresta e ainda assim permitir a melhoria na qualidade de vida da população local. Isso também está certo. O problema é quando começa a falar em desenvolvimento da Amazônia, pois sabemos como esse desenvolvimento será feito, à base de machados, motosseras e financiamantos do BNDES. Não estamos mais falando em segregação daquelas pessoas, elas sempre foram segregadas. A Amazônia brasileira sempre foi uma válvula de escape, ora para aliviar as pressões por reforma agrária no nordeste, ora como parte do arco do desflorestamento que permite ao país ser o maior exportador de grãos do mundo. Já escrevi isso em outras postagens, vou repetir aqui: não adianta em nada o país se desenvolver. Poderíamos estar entre as cinco maiores economias do mundo e isso não adiantaria. Porque? Pelo simples fato de que não sabemos distribuir renda. Temos uma elite que não consegue enxergar outra forma de governar senão como um verdadeiro bacanal, onde tudo lhes é permitido. Música, festa, vinho e sexo à vontade são algumas das características dos bacanais da antiguidade, cultos à Baco, deus do vinho. No Brasil, a administração pública tomou ares de bacanal com dinheiro público. Os políticos brasileiros não conseguem administrar de outra forma a nao ser aquela que lhes dá mais prazer, ou seja, se refestelando com o poder e o dinheiro. E uma das maiores reservas de dinheiro do Brasil hoje está em forma de floresta, que em pé poderia render muito mais do que rende hoje sendo cortada. Mas isso demandaria investimentos do governo em projetos de desenvolvimento ambiental sérios, do tipo pelo qual foram mortos a missionária Dorothy Stang e Chico Mendes. E levaria tempo. Nesse país nada que demore mais do que um mandato é levada muito a sério, afinal políticos fazem política para se locupletar dos bens públicos, senão fariam apenas outros tipos de sacanagem.
Por isso tanta reclamação sobre as pressões internacionais sobre a Amazônia: se é para alguém explorá-la que sejamos nós, pensam os políticos. E tem de ser rápido senão acaba o mandato! Tudo por medo de perder a oportunidade de tranformar sangue, suor, lágrimas e trabalho em muito, muito dinheiro. Direto para os cofres dos partidos e contas particulares em paraísos ficais.
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De boca cheia!

Não é de hoje que é notória a predisposição do atual presidente da República de falar bobagens. É nítida a disparidade que existe entre discursos escritos por outras pessoas (apesar dos inconfundíveis erros de português) e aqueles que ele faz no improviso. Na posse do novo ministro do meio ambiente, Lula declarou que Minc já havia falado em uma semana mais do que Marina Silva em cinco anos. Apesar de tentar remediar dizendo que são dois estilos diferentes de trabalhar, a frase pode ser entendida de várias formas: pode ser uma repreensão à Marina Silva e nesse caso ele a estaria acusando de incompetência; por outro lado, pode ser entendido como um recado para Minc, coisa do tipo "fale menos e faça mais aquilo que você foi contratado para fazer". Deixando esses assuntos de lado, pode-se dizer que a troca no ministério do Meio Ambiente foi pelo menos azeda para o governo. Apesar de todas as tentativas de tentar transparecer que não havia problemas não é muito difícil entender porque Marina Silva pediu para sair. Há muitas formas de fazer com que alguém desista de suas idéias. Uma das mais eficientes é fazer com que a pessoa disposta a cumprir a sua função não seja capaz de cumprí-la. O governo deixou clara a sua posição: entre uma ministra que quer parar o desmatamento da Amazônia e a pressão da bancada ruralista na Câmara e no Senado, ficou com a segunda alternativa. Afinal em ano eleitoral não se brinca!
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Feudo Brasil!

"Os senhores feudais eram nobres que viveram na época da Idade Média (século V ao XV). Possuíam muito poder político, militar e econômico. Eram proprietários dos feudos (unidades territoriais) e possuíam muitos servos trabalhando para ele. Cobravam vários impostos e taxas destes servos, pela utilização das terras do feudo. Viviam em castelos fortificados e eram protegidos por cavaleiros. Os senhores feudais faziam e aplicavam as leis em seus domínios."
A definição acima é do site www.suapesquisa.com e mostra como era parte da vida das pessoas nessa época da história. Nos feudos o senhor feudal tinha poderes absolutos, determinando quem vivia ou morria, quem trabalhava em suas terras e em alguns casos até quem casva com quem. Obviamente não existem mais senhores feudais como nesse tempo, mas algumas coisas não mudaram muito desde então. Os "servos" de hoje não precisam mais dar ao senhor feudal a primeira noite com a sua mulher ou se submeter a certas humilhações. Mas as diferenças param por aí. Se não permitimos certas coisas em nome das liberdades individuais é porque pessoas livres recebem salários que serão revertidos em compras, portanto podemos dizer que o embrulho mudou mas o conteúdo do pacote é o mesmo. O senhor feudal também não tem mais poderes absolutos, no entanto não deixou de tê-los.
Se compararmos o Brasil atual com um Feudo acharemos muitas semelhanças entre eles. Não pelo tamanho, obviamente, mas pelo modo de administração. Também não poderíamos esperar que alguém tão despreparado fosse maquiavélico, como o senhor feudal anterior. Não estou dizendo que o atual "senhor feudal" eleito pelo povo vai querer a virgindade de alguma de suas servas ou aumentar as horas de trabalho semanais nas terras senhoriais. Em um feudo real, quando um senhor feudal gastava mais dinheiro do que devia, ele reencontrava o equilíbrio de suas contas aumentando impostos ou criando novos. Qualquer desculpa servia, desde que aumentasse a arrecadação. No Brasil atual, podemos verificar o mesmo tipo de solução para o mesmo tipo de problema. As contas do governo senhorial aumentam sem parar, pelos motivos mais variados e é necessário repor esse dinheiro. Quando os Deputados e Senadores tiraram desse senhor feudal a arrecadação da CPMF, ele rapidamente aumentou outros dois impostos, o IOF e a CSLL*, com os quais o governo bate recorde atrás de recorde de arrecadação de impostos. Nunca na história desse país se arrecadou tanto em impostos! Ainda assim, o governo diz que aumentará o repasse para a saúde. Para isso utilizou-se da Emenda 29, que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, estados e municípios como desculpa para recriar a CPMF, agora com o nome de Contribuição Social para a Saúde. Diz o senhor feudal e sua corja que não sabem de onde tirar dinheiro, apesar dos recordes de arrecadação. Dizem também que sem essas verbas a saúde no Brasil vai ficar em estado de calamidade. Deve ser algum tipo de piada da qual os senhores feudais riem e o povo não acha graça, afinal quando foi que a saúde nesse país não foi uma calamidade?
Mas entendo a necessidade do senhor feudal de aumentar impostos, uma vez que ele afirma categoricamente que fará seus sucessor. Para eleger alguém daquele partido podre ele terá que gastar uma fortuna incalculável, que sairá das contribuições partidárias pagas por funcionários não concursados com altos salários no governo. A conta é simples: aumentam-se os impostos, aumenta também o número de pessoas do partido com cargos de confiança no governo, aumenta a transferência da renda obtida com os impostos para os caixa-dois da campanha presidencial. Ficaram mais conhecidos como recursos "não-contabilizados". Caixa-dois é feio.
Enquanto continuarmos a viver nesse feudo, com um senhor feudal que faz o que quer enquanto os servos continuam pagando os impostos sem reclamar nada vai mudar. Na verdade, os servos já estão tão habituados com os bolsa-esmola que nem se dão conta da exploração pela qual passam. E acomodado como esse povo é, isso não mudará tão cedo.
*Dêem uma olhadinha nas postagens com o marcador " CPMF" nesse mesmo site.
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A política passa-se nas ruas!

Em Maio de 1968, ocorria na França um dos maiores movimentos populares da história. Era um protesto contra a arcaica e conservadora sociedade francesa e visava, entre outras coisas, repensar o modelo educacional vigente, aumentar as liberdades civis, ampliar os direitos das minorias e promover igualdade entre homens, mulheres, brancos, negros, heterossexuais e homossexuais. Inicia-se com ocupações e barricadas, em protesto contra o fechamento da universidade de Sorbonne. No dia 10 de maio, ocorre a Noite das Barricadas, em que 20 mil estudantes enfrentam a polícia. Três dias depois, ocorre a unificação do movimento estudantil com o operário e no dia 20 toda Paris pára com as greves. Mesmo depois de o governo e a polícia retomarem o controle as manifestações desse acontecimento ficaram presentes na sociedade francesa e ressoaram pelo mundo. Na Europa, as revoltas estudantis, ocupações de universidades, greves de trabalhadores e confrontos com a polícia ocorrem na Espanha, Itália, Iugoslávia, Polônia, Bélgica, Alemanha e Inglaterra. Nas Américas, Brasil, EUA, Argentina, Uruguai, Venezuela, Colômbia e México também tiveram movimentos inspirados no Maio de 68 francês. Universidades invadidas por estudantes e pelo exército, confrontos e mortes. Entre os acontecimentos mais importantes dessa época, ficou a morte do pastor Martin Luther King Jr., que lutava pela igualdade entre brancos e negros nos EUA, e no Brasil, a invasão da Universidade de Brasília, o confronto entre estudantes das Universidades de São Paulo e Mackenzie por diferenças ideológicas e a prisão de mais de 1200 estudantes em Ibiúna quando realizavam o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes.
Até hoje muitos movimentos e organizações inspiram-se naquela Maio de 68, sem dúvida parte importante da história dos movimentos sociais no mundo. Os movimentos estudantis que se organizam até hoje com base nas idéias e ações daqueles jovens franceses poderiam aproveitar a data histórica e rever com carinho os conceitos, os ideais e as ações realizadas, para não correr o risco de serem vistos como desorganizados, ineficazes e displicentes. Não basta a inspiração e as discussões infindáveis. Sem as ações, Maio de 68 seria apenas mais um mês de um ano qualquer. Mas agir em prol da massa não é característica da maioria que adentra o mundo acadêmico hoje, nem seu objetivo. A política e seu poder, esse é o fim que justifica os meios. Afinal de contas sentar em uma mesa de plástico na faculdade e tomar cerveja enquanto discute a sede dos outros é muito fácil. Difícil mesmo é agir! Como diriam os revolucionários de 68, em Paris: "A revolução deve ser feitas nos homens, antes de ser feita nas coisas." E eu ainda concordo com eles!
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Eventos extremos!

Tenho acompanhado com preocupação a cobertura pseudo-jornalística que vem sendo dada a alguns eventos extremos que estão acontecendo no planeta. Obviamente é complicado para certos jornalistas tratar de assuntos complexos dos quais eles não entendem, como terremotos e ciclones. Mas colocam tudo em um mesmo saco, como se todos os fenômenos tivessem apenas um agente causador (normalmente o ser humano). Uma reportagem do semanal Fantástico (18/05/08), da rede Globo, perguntou: "Por que a natureza está vivendo dias de fúria?", como se estivesse falando de uma mulher que se descontrola por causa dos seus hormônios na menstruação. Fiz questão de assistir à reportagem e fiquei abismado com a colocação do repórter que perguntava se a natureza estava castigando os seres humanos pelos seus atos, como se a natureza fosse um ser vivente, que pensa e reage a ofensas.
As coberturas jornalísticas, como qualquer conversa de botequim, terão sempre um ponto de vista que será defendido, o que é normal. O que tem de existir é um pouco mais de respeito àqueles que não são como o Hommer Simpson, como gosta de afirmar William Bonner, apresentador do Jornal Nacional. Claro que somos a minoria, mas pensar que fenômenos climáticos, biológicos e geológicos estão interligados apenas porque aconteceram em datas próximas é uma simplificação exagerada até mesmo para o parco padrão jornalístico que existe no Brasil hoje (salvo raríssimas excessões). Como não gosto de criticar sem propor nada de concreto, proponho que essa classe de trabalhadores melhore um pouco seus conhecimentos sobre o funcionamento de certos mecanismos da Terra estudando a teoria de Gaia, de James Lovelock. Tenho certeza, será uma contribuição fundamental no trabalho desses profissionais e no respeito que deve ser mantido para com os telespectadores. E afirmar que a raça humana é a culpada por todas as transformações que estão ocorrendo no planeta, especialmente as climáticas, é no mínimo uma leviandade. Poderia ser aberto aí um canal de discussões, colocando frente a frente pessoas que acreditam e que não acreditam no aquecimento global antropogênico. Isso seria aceitável. Mas o que se faz é ver a versão que mais venderá a notícia e colocá-la no ar. Afinal, discutir democraticamente nunca foi uma das carcterísticas mais marcantes do Brasil, muito menos do seu jornalismo.
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Uma tragédia humana!

No início desse mês o Ciclone Nargis atingiu Mianmar, um dos países mais atrasados do mundo de hoje. Como diria meu professor de Sistemas e Processos Costeiros, esse tipo de coisa sempre aconteceu na natureza e sempre acontecerá. Só que quando pega gente pelo caminho vira uma grande tragédia. O regime autoritário de Mianmar, controlado por uma junta militar, faz de tudo para agarrar-se ao poder e jamais soltá-lo. Controlam o país, seus habitantes, os meios de comunicação, enfim, nada acontece naquele país que não seja autorizado pelo governo.
O problema é que ao ser atingido por esse ciclone, Mianmar se viu em uma posição um tanto complexa: permitir que a comunidade internacional ajudasse os necessitados ou manter o isolamento em que o país vive? Por boa parte do mês a decisão foi negar o acesso aos voluntários e organizações internacionais que tentavam ajudar a pobre população daquele país. Como resultado dessa opção que o governo fez, hoje Mianmar tem aproximadamente 134 mil mortos ou desaparecidos e 2,4 milhões de desabrigados. A ONU calcula que a ajuda humanitária, permitida na metade do mês, não chega aos necessitados porque o governo não quer que a população veja que países críticos ao regime ditatorial estão ajudando nessa hora de necessidade. Como se os necessitados se preocupassem com a fonte da água ou da comida que lhe mantém a vida.
Depois de esconder alimentos, não distribuir doações de países dos quais não gostam, de impedir a ajuda humanitária de agir no país, o governo está começando a ceder. Nesta quinta-feira permitiu a entrada de funcionários da ONU enviados para auxiliar os cidadãos. Mas não deixa de ser uma vergonha para toda a humanidade o que eles fizeram. Não só por ser um governo de ditadores, mas por serem ditadores imbecis, que preferem ver a população de seu país morrendo a receber ajuda de países que os criticam politicamente. Nessas horas, vale lembrar, a humanidade é mais importante. Pelo menos deveria ser. Deixem a política de lado, ajudem a quem puderem e quando a ajuda internacional não for mais necessária, voltem às divergências se quiserem. Será tão difícil assim? Pode-se concluir então que a passagem do ciclone, como tragédia, não poderia ter sido evitada, mas com certeza o número de vítimas seria muito menor. A tragédia maior nessa história é o que o governo de Mianmar fez com suas vítimas. Aliás, vergonha mesmo é esse governo existir.
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Comemorações!

No dia 08/05/2008 fez 60 anos que o Estado de Israel foi fundado. Milhares de pessoas foram às ruas do país e em várias partes do mundo para comemorar a data, a mais importante do país. O churrasco e a queima de fogos já são tradicionais, enquanto um povo orgulhoso de suas conquistas as demonstra abertamente.
Quando entrevistados, os Israelenses sempre dizem as mesmas coisas, que o país está evoluindo, se tornando mais seguro e que falta apenas uma coisa: paz. Isso é óbvio, não é nenhuma novidade que a região é um barril de pólvora (ou de petróleo, como queiram, explode do mesmo jeito). Não preciso ficar aqui falando de como esse país se constituiu, apenas que há muitos erros no processo. Israel é hoje quase duas vezes maior do que quando foi constituído pela ONU como forma de compensar os judeus pelo Holocausto. Também é verdade que o prometido Estado da Palestina nunca saiu do papel, sendo as suas terras tomadas pelos judeus. Na faixa de Gaza e na Cisjordânia há assentamentos israelenses para ocupar áreas de melhor qualidade ou que tenham mais água. Esse item, aliás já escasso, é predominantemente utilizado pela população israelense. Não há e não haverá paz nessa região enquanto as promessas feitas não forem cumpridas, enquanto os Palestinos lutarem com pedras contra tanques de guerra, enquanto terrorismo for combatido com terrorismo, enquanto Israelenses desejarem a paz somente da forma como eles a entendem: só eles têm direitos, os Palestinos que abram mão de tudo que têm ou tiveram um dia. Quando uma dessas culturas desaparecer em meio a um mar de sangue e ódio, talvez o mundo presencie um pouco de paz em Israel e nos territórios Palestinos. E viva as religiões que pregam a guerra e o genocídio!
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Grau de investimento. E eu com isso?

A agência de classificação de risco internacional Standart & Poor's acaba de reclassificar o Brasil como país com grau de investimento. Na prática, o que isso significa? Significa que a política econômica estável aumenta a credibilidade do Brasil, aumentando consequentemente as perspectivas para investimento internacional direto no país.
Para que isso acontecesse contribuíram a estabilidade política do país, a diminuição da dívida externa e o cumprimento de metas econômicas. E pode-se dizer que a estabilidade econômica tem muito a ver com a não ingerência do governo no Banco Central. Ou seja, quanto menos os políticos se metem na economia do país, melhor ela fica. Mas as notícias não são apenas boas.
Quando aumentou a classificação do Brasil, a mesma agência deu algumas dicas para que o país continue no caminho certo. Nada de novo, apenas uma sequência necessária para que o país cresça ainda mais: diminuir gastos públicos é essencial, algo que não anda ocorrendo, muito pelo contrário. A taxa de juros continua sendo a mais alta do planeta e ela precisa abaixar. Outro fato é que a infra-estrutura brasileira está estagnada e é insuficiente, o que diminui os investimentos externos e o crescimento econômico. Parece que a lição de casa foi feita, mas não toda.
Deve-se considerar também que o aumento de divisas estrangeiras no país tende a desvalorizar ainda mais o Dólar perante o Real, prejudicando os exportadores. Estes já começaram a reclamar, mas não estão lembrando de um fato essencial: o Brasil ainda é muito atrativo para o capital especulativo, afinal a taxa de juros reais do país ainda é a mais alta do mundo, portanto muito lucrativa. O valor do Dólar vai depender não só da quantidade de dinheiro que estrará no país daqui para frente, mas também para que ele entra. Investimento direto e capital especulativo são bastante diferentes.
Quem se favorece desse cenário são as grandes transnacionais que podem fazer investimentos considerados mais seguros, uma vez que o mercado estadunidense não é muito atrativo no momento. As economias emergentes como o Brasil são uma boa alternativa e o país pode se beneficiar disso. O governo só não pode esquecer duas coisas: a primeira é que não se deve tirar benefício eleitoral desse fato, afinal a política economica do PT é, na verdade, Tucana. A segunda é que esses investimentos sendo feitos nos lugares certos, podem levar o país a um patamar nunca alcançado: o de potência econômica mundial. Afinal temos matéria-prima, mão de obra barata, indústrias de última geração, enfim, temos toda a condição de crescer e chegar perto daquele "país do futuro" tão propagado há décadas. Mas o governo federal têm de entender que isso leva um tempo maior do que dois mandatos. E aumentar o número de mandatos do Lula, além de não ser nada democrático, não resolve o problema. A estabilidade se conquista pela persistência na idéia de fazer o melhor para o povo, independente do nome que esteja na presidência, usando da melhora econômica para distribuir melhor a renda. Só assim essa nova classificação ajudará de verdade o povo brasileiro.
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Assassinato, jornalismo e picuinhas.

No último mês todos os grandes meios de comunicação acompanharam de perto o caso do assassinato de Isabella Nardoni, em São Paulo. Não há mais muito a falar sobre o caso, a polícia acabará por prender novamente os acusados. Muitos são os sentimentos envolvidos nessa investigação e vários deles acabam por mexer com toda a opinião pública, de várias formas. Muitas também são as repercussões que tal caso trouxe, sendo assunto de discussões na TV, rádio e nas ruas como um todo. Mas uma dessas discussões me chamou a atenção em particular.
No dia 20/04/2008, domingo, o programa Fantástico da rede Globo exibiu uma entrevista com os acusados de assassinato, o pai e a madrasta da criança. Foi uma longa entrevista, bastante comentada por pessoas comuns e especialistas. No dia seguinte, o jornalista Britto Júnior, da rede Record, em seu programa matinal Hoje em Dia, acusou o repórter global Valmir Salaro de fazer uma entrevista combinada com os advogados do casal.
Em outras oportunidades a rede Record já havia feito reportagens se valendo da estratégia de criticar algo da sua principal concorrente. Mas dessa vez parece que o golpe dado pela Globo doeu um pouco mais e o pseudo-jornalismo veio à tona. Nem mesmo os telespectadores do programa da Record concordaram com o apresentador, ao entenderem que a estratégia era desqualificar a entrevista por não terem conseguido a mesma coisa. Pura inveja dos 42 pontos no IBOPE pelo programa global. Pelo que ficou demonstrado os jornalistas agora irão defender a Record e seus preceitos à qualquer custo. Muito ruim para profissionais que acreditaram na imparcialidade da emissora e trocaram outras por ela, assim como para os telespectadores.
Tenho reparado que o jornalismo da Record tem caído de qualidade, especialmente quando tem algo relacionado à seus concorrentes. Há mesmo acusações de uso de imagens da rival sem dar os devidos créditos, o que é bastante grave. A qualidade caiu por motivo simples: a rede Record foi reestruturada para competir com a Globo, de maneira parcial e apaixonadamente contrária. Agora a estrutura construída passa a ser usada para destruir a sua concorrente, atuando de qualquer forma. Não acredito que consiga, a Globo tem "amigos" demais na política, gente que com certeza tem rabo preso com ela.
É uma pena. A competição entre as duas poderia levar a uma concorrência natural e ao aumento no nível da qualidade das produções, elevando a qualidade da TV aberta no Brasil. Isso se as duas conseguissem realizar a disputa de forma civilizada. Nisso eu também não acredito.
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Juros e reclamações altos!

Neste mês o Banco Central do Brasil aumentou as taxas básicas de juros, conhecida como Taxa Selic. Já não se fazia isso há mais de dois anos e isso teve várias repercussões. O governo federal fez questão de dizer que era contra (o PT até divulgou nota no site oficial repudiando o aumento), os industriais são contra pois isso diminui o consumo e freia o desenvolvimento do país, diminuindo sua capacidade de competir no exterior.
Tudo isso não é mentira, aumentar a taxa de juros dificulta o acesso aos financiamentos, importantíssimos hoje na ampliação das vendas de carros e imóveis no geral, assim como de todos os outros bens duráveis e não duráveis. Então porque o aumento?
Na ata, o Comitê de Política Monetária diz que o aumento visa diminuir o impulso do consumidor, o que levaria a um risco de aumento da inflação. Também foi levado em conta o aumento dos preços das commodities, matérias-primas essenciais ao mercado externo.
Quem viveu a época da inflação não tem nenhuma saudade dela, tanto mais corrosiva do salário quanto menores eram os vencimentos. Mas outras repercussões também são esperadas. Os sindicalistas, comerciantes e industriais esperam que haja menor investimento na produção, o que geraria uma queda no crescimento econômico previsto. Da mesma forma, o comércio terá mais dificuldade de vender seus produtos, o que significa maior número de desempregados. Menos empregados significa menos compras, menos dinheiro circulando. Bom para o Banco Central, pois a inflação estará controlada. Mas nada bom para os trabalhadores. E é exatamente essa espiral descendente que se quer evitar.
O assunto Taxa de Juros é tão sério que nos EUA a crise econômica chegou a um ponto em que o governo tenta estimular o consumo devolvendo dinheiro do Imposto de Renda aos contribuintes. Essa crise é agravada, adivinhem, pela falta de consumo. Tão contraditória essa vida. Tudo que os EUA querem é que seus habitantes consumam mais para aquecer a economia e evitar uma crise. Para isso as taxas de juros são mantidas bem baixas, para facilitar o acesso a financiamentos. Enquanto isso no Brasil desestimulamos a economia aumentando juros e dificultando a vida das pessoas para que a inflação não suba. Não sou economista, mas acredito que deva haver uma fórmula que possibilite um país crescer economicamente, com inflação controlada e com consumidores satisfeitos. Digo isso por que vemos esse cenário em outros países e nunca no nosso. Afinal de contas onde será que está o erro? Na economia não acredito, afinal estamos constantemente entre as 15 maiores economias do mundo, já há muito tempo. Parece que sou obrigado a cair novamente no contexto politico, em que os gastos dos governos em todos os níveis me parecem tão responsáveis pela alta da inflação quanto a conjuntura internacional ou o consumo interno. Gastos públicos têm subido vertiginosamente e, como já foi notado na crise dos cartões corporativos e nas viagens de governadores pela exterior, não são usados exatamente onde deviam. Depois reclamam que a taxa de juros no Brasil é a mais alta do mundo. Eu me preocupo mais com os gastos efetivos do que com as expectativas futuras. Se esses gastos equivocados não diminuírem, dificilmente melhoras virão. Ainda mais tendo no governo federal um presidente que não pode se reeleger tendo que usar a máquina pública para fazer seu sucessor (promessa do presidente), de um partido que nunca tinha estado no poder antes. É como diz o ditado popular: "gato que nunca comeu melado, quando come se lambuza". Se lambuzou... e não vai parar por aí.
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Mais saúde, menos política!

Ontem, dia 10 de Abril de 2008, foi confirmada a 80ª morte no estado do Rio de Janeiro por dengue. Os dados incluem também o número oficial da Secretarial Estadual da Saúde para casos confirmados: já passam de 75.000 só nos quatro primeiros meses desse ano, contrastando com os 65.500 em todo o ano passado.

Para as pessoas que acompanham diariamente a situação do país, nehuma novidade. A epidemia de dengue apenas demonstra como a saúde pública no Brasil está preparada (?) para lidar com situações limites, como essa. Não existem hospitais preparados, os postos médicos fecham durante a noite mesmo quando necessários e não há médicos para atender nos ambulatórios. A ajuda das forças armadas é necessária e bem-vinda. Mas não tinha necessidade da troca de gentilezas, do tipo "Se nos chamarem iremos". Precisa de convite para salvar vidas? Creio que a saúde da população é mais importante, ou pelo menos deveria.

No começo do ano, enquanto pessoas morriam a secretaria de saúde discutia se o caso era de epidemia ou não. O problema era o nome! Típico problema político: "Será que dá pra pedir uma verbinha extra pro Lula?" Depois disso, quando a epidemia não podia mais ser negada, veio a fase da definição de quem é a culpa. Governos federal e municipal ficaram trocando farpas, a população morrendo e a sociedade pagando. Nesse momento, alguns veículos de informação começam a dizer que a epidemia está perdendo força. Será coincidência que pegando médicos emprestados de outros estados, aplicando dinheiro no tratamento e principalmente na prevenção a doença começa a ser vencida? Não acredito!

Vejo mais uma vez que os interesses e desinteresses políticos ficaram à frente do problema: rivais nas urnas, Democratas e Partido dos Trabalhadores (sic!) demonstraram que importa mais o problema do adversário do que a solução para os contribuintes. O governo federal nitidamente fez corpo mole para o problema, vendo os benefícios eleitoreiros de tal mancha na administração dos Democratas. Sem muita saída, estes resolveram abrir a "Caixa de Pandora" e mostrar a situação dos hospitais federais no Rio. Como se o erro de um justificasse o erro do outro.

Depois de tanta troca de acusações, formações de gabinetes, montagem de equipes médicas de fora do estado e hospitais de campanha, a dengue vai acabar cedendo, afinal, é ano eleitoral, O PT já conseguiu prejudicar a cidade do Rio de Janeiro, os Democratas já conseguiram dar o troco, não sei se à altura. E vão para as eleições como adversários, pelo menos até o segundo turno. Se necessário for, virarão amigos de infância. Enquanto isso, morrerão mais pessoas. De dengue, de febre amarela, de excesso de chumbo no corpo, de fome. Mas isso não importa, desde que sobre uma quantidade de eleitores saudáveis o suficiente para votar. Os problemas? Continuarão. As soluções? Só nas próximas eleições. Por essas e outras que continuo com vergonha de ser brasileiro, caros leitores. Infelizmente.
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"Há poucas flores na Ilha das Flores"

Na minha tentativa de ajudar no desenvolvimento intelectual dos meus alunos, pedi a eles que assistissem ao documentário "Ilha das Flores", de Jorge Furtado (1989) e escrevessem uma redação com o tema "Ironia", relacionando-os. Abaixo está transcrita uma dessas redações (o título é o original da autora).

O filme Ilha das Flores é um documentário que conta de um modo bem divertido, irônico e até às vezes medonho, a mecânica da sociedade de consumo. Como se gera dinheiro e riquezas entre as pessoas e como isso pode causar um grande impacto para a sociedade, atrapalhando e dificultando a vida das classes menos favorecidas.
Muitos dos tons usados pelo filme se contradizem com as imagens, gerando uma certa ironia e desprezo e uma quebra de expectativa de quem estiver assistindo-o. Ele pode ser considerado um filme engraçado e sem sentido, mas o diretor usa esse modo de expô-lo para que no final haja um certo choque no telespectador pelo fato dele soltar toda a horrível realidade em que nós vivemos, de uma vez só.
A história toda gira em torno do tomate, colhido nas plantações do senhor Suzuki, que tem relação com diversos personagens. Tanto ele sendo colhido na plantação quanto estragado e indo para o lixo, vai compondo um refrão repetido, que é o mais usado pelo filme.
Uma das primeiras ironias que aparece de cara no filme é a frase "Deus não existe". Eles querem expressar com essa frase o exemplo de que se existisse Deus no mundo, nada do que é abordado no filme como a fome e a pobreza existiria.
Outro exemplo de ironia evidente no filme é quando se fala que o ser humano possui um telecéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor que permite realizar melhorias no planeta como plantar tomates, enquanto a imagem mostrada é a da explosão de uma bomba atômica.
Um outro exemplo abordado é quando o filme mostra a alimentação de porcos e pessoas de Porto Alegre com os restos jogados no lixo por outras pessoas. Eles tiram o que é "bom" para a alimentação dos porcos, e aquilo que foi considerado impróprio para os porcos é dado para a alimentação de mulheres e crianças, pelo fato de eles não terem dinheiro e nem dono.
Literalmente é disso que o filme trata: da inversão de papéis a ponto de seres humanos serem tratados como animais e ficarem abaixo dos porcos na hora da escolha de alimentos e da grande desigualdade que existe no mundo, ocasionando na fome e morte de milhares de pessoas que por falta de dinheiro e recursos não podem "participar" da sociedade em que nós, seres humanos, vivemos.

Cláudia A. Euquime, autora do texto, é aluna de 3º colegial do Colégio João Paulo I. Escreveu essa redação por solicitação do seu (chato) professor de Geografia, ou seja, eu. Segunda vez em um ano que consigo publicar textos de alunos por aqui. Valeu, Claudinha!!!
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Recordes e mais recordes!

Parabéns, São Paulo!!!
Que as suas vias eram constantemente lembradas por serem as mais congestionadas do Brasil todos já sabiam. Mas agora algo mudou. Estamos batendo todos os recordes possíveis em congestionamentos, dia após dia. Hoje, 13/03/2007, um novo recorde: 222 km de lentidão às 19:oo horas na cidade. Não é a toa que estamos batendo esses números, já era até esperado. Uma combinação de fatores fez com que isso fosse esperado e até temido. Novidade só para os mais desavisados. Vamos aos fatos:
Fato 1: O asfalto das grandes vias da cidade de São Paulo seria cômico se não fosse trágico. Com a indústria do buraco e do remendo por aí comendo o dinheiro público para fazer serviço porco enquanto paga propina para fiscais corruptos vai ficar difícil melhorar a trafegabilidade das vias, o que aumentaria a velocidade média do trânsito;
Fato 2: O despreparo das pessoas que dirigem em São Paulo é resultado de décadas de vendas de carteiras de habilitação para pessoas que não teriam capacidade de dirigir um patinete, quanto mais um automóvel. Vale lembrar que acidente = trânsito parado;
Fato 3: A indústria automobilística bate recordes de produção ano após ano, aumentando a sua capacidade de atender às demandas dos consumidores, que já estão de saco cheio de pegar ônibus lotado, vans que desrespeitam até mesmo as leis de uso de aparelhos sonoros e parecem discotecas ambulantes, de serem tratados pior do que gado em caminhão numa estrada de terra e ainda pagarem muito caro para isso;
Fato 4: A estabilidade econômica proporcionou aos brasileiros algo desconhecido, o empréstimo a longo prazo. Com esse alongamento, muitas pessoas puderam ter acesso ao tão sonhado carro próprio, para deixar de vez a peregrinação de horas e horas de maus tratos no transporte coletivo. Mesmo os mais eficientes, como o Metrô, tem problemas.
Fato 5: A total incompetência de governantes que se sucederam e que sempre pensaram apenas em se perpetuar no poder, usando obras públicas como forma de obter o resgate exigido pelo fato de terem sequestrado os eleitores de um determinado lugar. Obras públicas, como o tranporte público de qualidade, são para as eleições e só para isso. Não são feitas pensando na população, mas nos eleitores. Na cabeça de bagre dos políticos são "coisas" diferentes.
Era absolutamente previsível que uma hora a cidade cobrasse por tantos erros e desmandos. A falta de organização nas cidades e a vontade dos políticos de se tornarem o próximo "César Augusto" da política brasileira fazem com que, por exemplo, o trânsito de São Paulo se torne cada vez mais insuportável, até que pare de vez. E se continuar assim, vai parar mesmo! Aguardem, caros leitores: novos recordes estão por vir.
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Conflito ideológico.

Já faz muito tempo que o mundo assiste diariamente ao mesmo show de horrores: bombas caem em Israel, bombas caem em territórios palestinos. Civis, militares e terroristas morrem dos dois lados. E o dito mundo ocidental civilizado não está nem aí para o que está acontecendo.
No entanto, de tempos em tempos algo diferente acontece, como no início do mês de fevereiro desse ano. O vice-primeiro ministro israelense, Matan Vilnai, declarou em entrevista que o grupo extremista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, está com suas ações atraindo um holocausto para a região.
Esta declaração repercutiu muito mal no mundo todo, afinal normalmente a palavra holocausto é usada em referência às praticas nazistas na Segunda Guerra Mundial, predominantemente contra Judeus. E todos sabem que se refere a um genocídio, não há outra explicação.
No Brasil, a Federação Israelita soltou uma nota condenando o uso da palavra holocausto pelo vice-primeiro ministro. Mas alguns pontos chamam a atenção:

- O Estado de Israel vem sendo atacado diariamente por dezenas de mísseis provenientes da faixa de Gaza;
Com certeza isso é verdade. Para mim, o número de mortos não importa, qualquer vida perdida é para ser lamentada. Mas normalmente para cada bomba que explode em Israel, uma enormidade de bombas explode na faixa de Gaza, fazendo muito mais estragos e vítimas.

- Enquanto o Hamas, grupo terrorista que controla a faixa de Gaza, não aceitar a existência do Estado de Israel, bem como praticar violência diária contra o território israelense, a região será palco de conflitos;
Talvez esses conflitos não existissem se a ONU, organização que não presta para nada, tivesse cumprido o prometido quando fixou os judeus nas terras habitadas por Palestinos, dividindo-a entre os dois grupos: reconhecer a existência dos dois Estados soberanos. Israel foi reconhecido como um país, a Palestina não. Mais tarde esses territórios foram anexados ao território Israelense. Me parece muito justo. Se os palestinos não reconhecem Israel, tampouco Israel reconhece a Palestina. Pode ser pouco para quem está de fora, mas para os palestinos acredito que serve de estímulo à guerra.

- Cenas como as mostradas pelas televisões em todo o mundo com crianças feridas fazem parte do marketing destes radicais para colocar a opinião pública contra o Estado de Israel. Crianças também são atingidas em território israelense sem o mesmo uso das imagens.
O uso ou não das imagens de crianças feridas e mortas é o que está em discussão aqui. Talvez devêssemos nos preocupar mais em tentar não matar crianças em ambos os lados.

Sei que estou metendo o bedelho onde não sou chamado. Apenas vejo que durante muito tempo Israel guerreou com a ajuda dos EUA, ampliou enormemente seu território e seu poderio bélico, possui bombas atômicas, distribuiu assentamentos em áreas consideradas palestinas e até hoje utiliza a maioria esmagadora dos recursos naturais dos dois territórios, especialmente a água.
Tudo isso pode facilmente ser entendido como provocação. Não que isso justifique alguém entrar em um mercado e se explodir para matar israelenses. No entanto, para os mais radicais, morrer dessa forma é uma honra e não um demérito. Não devemos olhar para esse conflito com nossos olhos preconceituosos de ocidentais.
Para terminar, a nota diz o seguinte:

- Esperamos que o mais breve possível a paz retorne ao Oriente Médio e que os grupos terroristas sejam substituídos por governos democráticos e, com clara intenção em favor da paz.
Eu também espero. Até porque nenhum dos lados até agora realmente desejou a paz. Um grupo não aceita a existência do outro, então a solução é o extermínio. Como Israel topou ser a ponta de lança norte-americana no Oriente Médio e adotou o modo de vida capitalista, todo o apoio lhe foi concedido, talvez como uma forma de influenciar as futuras gerações da região. Até agora pelo menos não tem funcionado dessa forma fora de Israel. Nesse conflito sem perspectivas de fim pelo menos alguém teve coragem de dizer o que realmente pensa. E sinceramente não acredito que ele esteja sozinho nesse pensamento.

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Pense!

"Quem não raciocina é fanático, quem não sabe raciocinar é um imbecil e quem não ousa raciocinar é um escravo"
W. Brumon

Sobre o autor!

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Sou apenas um brasileiro, professor de Geografia, crítico da Política e das "politicalhas" que vejo todos os dias por aí. Sou um cara simpático com meus alunos e amigos, totalmente antipático com e que não acredita mais em política, que gosta muito de dar aula, principalmente pela liberdade de expressar minhas opiniões e discutí-las com os alunos. Gosto de viajar, gosto do bom e velho Rock'n'Roll. Gosto muito de Geografia e de estudar os "matos" desse país. Acho mesmo que nasci no país errado: prefiro campo a praia, vinho a cerveja, frio a calor, morenas a loiras, honestidade ao famoso "jeitinho brasileiro". Enfim isso tudo. Quem quiser saber mais pergunte para meus amigos e alunos.

Sobre o Blog!

Olá a todos.


Estamos caminhando por um mundo globalizado que não enxerga diferenças mais do que econômicas, por isso esse é um dos focos dos atuais estudos geográficos. Como amante, seguidor e professor dessa velha matéria, me sinto na responsabilidade de passar as idéias e atualidades desse contexto para os meus alunos e amigos, como quaisquer outros seguidores que vierem.

A visão é de uma pessoa que passou por diversas dificuldades e ainda passa, vivendo na periferia e tentando, a partir dela, criar certa resistência ao processo de desmonte da educação como um todo que acontece hoje no nosso país. Portanto, continuem se sentindo em casa, e não se esqueçam de comentar e dar suas opiniões sobre cada postagem. Como sempre, respondo aos comentários o mais breve possível.



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